quarta-feira, 23 de abril de 2014

Brasil

Ontem jantei com um empresário brasileiro, de passagem pela Europa. Hoje à tarde, participei num grupo de estudos sobre as relações Portugal-Brasil, de que faço parte, no âmbito do Instituto de Defesa Nacional. Acabo de ler as notícias sobre os graves incidentes que tiveram lugar em Copacabana, com um potencial de (novo) efeito-dominó que não deve ser descurado.

O Brasil vive um momento complexo. Devo confessar que, quando deixei o posto diplomático naquele país, em fins de 2008, estava longe de pensar que, meia dúzia de anos depois, a situação interna do país iria evoluir como evoluiu. A meu ver, o Brasil é vítima do seu sucesso recente, isto é, um presente menos brilhante é agora comparado com a vaga de esperança que se tinha criado, alimentada pelo bem-estar crescente registado nas últimas décadas, responsável por um forte movimento de ascensão social, agora muito longe da vitalidade de outrora. Por outro lado, a ideologia algo libertária que o "petismo" gerou no comportamento das classes mais pobres, de questionamento da autoridade (como natural libertação de um país que se emancipava do colete de forças do autoritarismo histórico - político e social) e de exigência crescente de direitos, acaba por ser menos compatível com o "petismo II", titulado por Dilma Roussef, que, além de não ter o carisma do seu antecessor, se defronta com uma economia que marcha a taxas de crescimento muito mais baixas que a generalidade dos seus vizinhos. Se a isto somarmos uma classe política pouco propensa a abandonar hábitos comportamentais chocantes, do fausto material a desvios patrimonialistas, muito mais chocantes para quem vive no lado negro da sociedade, perceber-se-á melhor o escândalo que suscitam os gastos em iniciativas como a "Copa". Lula ensinou os brasileiros a serem cada vez mais exigentes com o Estado e Dilma Roussef está a sofrer os efeitos do êxito dessa pedagogia.

6 comentários:

opjj disse...

O ano passado dizia-me um amigo português com negócios no Brasil(Belo Horizonte); sabe,nos distúrbios, destruiram-me uma porta de ferro numa loja mas não levaram nada!
Este amigo vive blindado num condomínio fechado e transporta-se em carro igualmente blindado.
Cumps.

Portugalredecouvertes disse...


"Que Deus proteja o Brasil"

patricio branco disse...

há qualquer coisa de errado no brasil, uma deriva populista, antiamericana, o país está a convergir para um modelo sul americano de que se distinguia até agora, o que existe nas argentinas, equadores, venezuelas, ideologias bolivarianas, peronistas, parte do continente a fechar se a certas zonas e aproximar se de outras, depois a profunda corrupção, a ideia que com os lucros do petroleo está tudo feito, os ordenados artificiais para obter votos, a embriaguês de pertencer ao g20 possivelmente, o esquerdismo um pouco infantil e grosseiro de politicos, a herança de lula que dilma recebe, como dito, o pouco respeito pelos ddhh ou dos cidadãos, sei lá que mais, veja se o que se passou com a visita de dilma a portugal, etc etc

Anónimo disse...

O problema actual do Brasil chama-se "BRICS". É o elo mais fraco, é produtor de petróleo, está situado na América e pretende aderir a uma nova moeda internacional em substituição do dólar. Vejam onde estão todos aqueles produtores de petróleo que ameaçaram abandonar a moeda dólar.
Cumprimentos
JPS

Mônica disse...

Senhor Francisco!
Como vou poder dizer algo sobre o Brasil, sobre as mortes que acontecem nas favelas( hoje em dia diz comunidades) no Rio de janeiro?
Eu acho que aqui no Brasil tem de tudo o que tem aí( assaltos, assassinos, ladroes, politicos, Presidentes,pessoas cultas, preguiçosas, trabalhadoras, independentes economicamente e dependentes( a Dilma e o Lula colocaram bolsa de tudo quanto nome) para poder tirar a pobreza do Brasil. Para muitos é a salvaçao, mas e daqui ha pouco?
Olhe, eu ainda acredito no BRASIL ou na grandeza deste país que tem diversos estados, cada um com um problema e uma soluçao.
So sei que ainda penso que DEus é brasileiro. Mesmo tendo um Papa tao bondoso sendo Argentino.
Sobre o futuro do Brasil? Não sei. Sou oitimista pois meus sobrinhos estao na faixa de 25 a 18 anos. E um bebe de seis meses. Eles sim saberao como estara o Brasil.
com carinho Monica
Uma pena nao ter ninguem de cá pra dizer com fundamento.
Eu só falei com o coraçao.

Defreitas disse...

O Brasil tem 200.000 milionários, ou seja, 200 mil cidadãos com mais de um milhão de dólares investidos em acções, títulos, fundos e depósitos à vista e investimentos não declarados. A residência primária, mesmo que sumptuosa, não é considerada para esse cômputo.
Em 2014, eles serão mais 20.000, ou seja mais 10%.
A divulgação vem num estudo recentemente publicado pela Merrill Lynch, a maior corretora norte-americana e um dos maiores bancos de investimento do mundo.
De acordo com o citado estudo, as razões do crescimento das fortunas assentam, em parte, nas políticas fiscal e monetária.
Estará o Brasil mais rico, esse Brasil do povão, como lá se diz? Decididamente não. As políticas económicas e financeiras beneficiaram – e continuam a beneficiar - apenas os ricos. As classes desfavorecidas mantêm-se desfavorecidas. Pior: estão cada vez mais desfavorecidas. De dia para dia aumenta o fosso entre os que têm mais do que tudo e aqueles que não têm nada de nada.

Segundo a agência britânica de notícias Reuters, referindo outro estudo, este publicado no dia 1 de Junho pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, a distribuição da renda no Brasil é a 2ª mais injusta do mundo, ganhando apenas para um apagado país dos confins da África chamado Serra Leoa.

Revela aquele Instituto que "1% dos brasileiros mais ricos detém uma renda equivalente aos ganhos dos 50% mais pobres".
Este é o carburante que alimenta a revolta dos Brasileiros, à qual é preciso acrescentar a queda do mercado das matérias primas. O crescimento cai como a procura das matérias primas. A imagem do Brasil duma barca a remos no oceano dos circuitos financeiros internacionais apresenta-se de novo.
Os tubarões habituais esperam com as goelas abertas que ele caia prontinho a digerir !
No entanto, no país do Carnaval – literalmente e não só – tudo pode acontecer, até esta vergonhosa distribuição de renda que, afinal, de distribuição nada tem. É apropriação, uma apropriação, aliás, muito próxima da expropriação.