terça-feira, 4 de março de 2014

A propósito da Ucrânia

É talvez uma presunção da minha parte (com a idade, estas coisas tendem mais a acontecer...) mas apetece-me fazer aqui um link para um texto que publiquei há quase dez anos, que agora reli e que, no essencial, corresponde àquilo que ainda hoje penso. Chama-se "As Novas Fronteiras da Rússia".

16 comentários:

Pedro Lemos disse...

Artigo bem esclarecedor. Obrigado!

Defreitas disse...

No tempo em que este notável artigo foi publicado não conhecia este "blogue". O Senhor Embaixador fez prova duma clarividência extraordinária ao escrevê-lo. Tudo o que escreveu se encontra hoje posto em evidência. As frases que retive mais abaixo explicam a situação actual. Bravo !

" Moscovo conformou-se assim com o alargamento, embora preserve ainda claras reservas à sua extensão sem limites, como haverá oportunidades para confirmar no futuro. "

Mas as objecções essenciais da Rússia quanto ao posicionamento internacional desses países situavam-se noutra dimensão: o alargamento da NATO.

Não obstante a Aliança Atlântica ter entretanto elaborado um apreciável quadro formal de cooperação com a Rússia, tendente a gerar confiança e a atenuar tensões, a entrada na NATO de um número significativo de países da Europa Central e Oriental é vista como uma dulcificada “provocação”, que coloca as fronteiras da organização a escassas centenas de quilómetros de Moscovo.

A alegada mudança de natureza da organização é um argumento interessante mas demasiado sofisticado para uma cultura político-militar pouco dada a nuances de conjuntura.

Estaremos a caminho de um novo, embora diferente, modelo de Guerra Fria? "

Defreitas disse...

Entretanto, assistimos a verdadeiros delírios de hipocrisia da parte dos Americanos. Quando nos falam do pior "conflito" na Europa desde o fim da "guerra fria", já esqueceram os 250.000 mortos da guerra da Jugoslávia dos anos 90. Conflito que permitiu à NATO e ao Ocidente de amputar o Kosovo da Sérvia, bombardeando esta com a violência que se sabe. Kosovo, onde instalaram a maior base de submarinos da NATO na Europa!

E a invasão do Iraque, alegando armas perigosas que não existiam , e eles sabiam-no, sem a autorização da ONU, não violou os acordos internacionais?

Claro que os Europeus, a Alemanha a primeira, correm o risco de pagar a factura deste conflito. Aliás imagino que Schröder, patrão da Gazprom, amigo de Putine, deve trabalhar neste momento numa solução diplomática com o amigo russo.

Para os Americanos não é nada mau de ver os seus concorrentes europeus arcarem com as despesas. As sanções económicas afectarão as empresas europeias e os bancos europeus que trabalham na Rússia e agravarão a crise actual.

Os astronautas americanos que se encontram actualmente na estação orbital internacional devem começar a inquietar-se se um dia poderão voltar à Terra, pois que só os Russos os podem tirar de lá!

Anónimo disse...

E daqui a dez anos, Senhor Embaixador?

patricio branco disse...

ao que parece, assim o disse ontem um (bom) comentador televisivo, a crimeia foi oferecida à ucrania por krushef em 1954 numa subita generosidade numa noite bem regada a copos de boa vodka, divertidos aqueles sovieticos com seu gosto pela boa pinga, pois a historia e suas consequencias aí estão no seu melhor, agora quem descalça a bota e como?

Anónimo disse...

caro defreitas

desculpe la

"Kosovo, onde instalaram a maior base de submarinos da NATO na Europa!"?


o kosovo?


cumprimentos

Anónimo disse...

Artigo cheio de verdade. No entanto seria importante a UE preocupar-se mais com a subtil "imposição" da sharia na Bélgica, Holanda e França,
prenúncios graves do fim da Europa Ocidental, fruto-do deixa-andar-multi-cultural-resultado da emigração acarinhada por certos "bem pensantes", que se aproveitam da miséria para fazer florescer os seus negócios.

Alexandre

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Francisco

Em Goa (onde tenho todo o tempo do Mundo, pois ela é sôcêgada) reli o seu artigo escrito em 2004 e confirmei aquilo que então entendera: o homem sabe... e quem sabe, sabe...

Restassem-se quaisquer dúvidas,elas ficariam perfeitamente abatidas. Foi entre um banho nas águas geladas do Índico, Colvá, 27º e umas gambas picantérrimas e caríssimas (1,80 € o quilo) que me dei ao luxo de enriquecer os meus fracos conhecimentos sobre a Ucrânia, a Crimeia e a Rússia do camarada Putin.

Reforço os parabéns ao preclaro Autor e pergunto-lhe se quer que lhe mande por imeile, uns quilitos das supracitadas gambas...

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Henrique: ainda há pouco me lembrei de si. A caminho do Chafariz das Terras, passei há pouco na Travessa do Ferreira. Pode mandar as gambas por "attachment", mas sem o picante, que quase sempre traz virus. Divirta-se, homem!, porque por aqui o entrudo só nos trouxe caretos e dos pouco recomendáveis.
E obrigado pela nótula, muito apreciada por ambos: por mim e pelo meu ego.

Anónimo disse...

Isto das “agressões” há as boas, feitas pelos EUA (ex: no Iraque, sem um mandato das N.U e aquela que se preparava na Síria, etc) e as más, as praticadas “pelos outros”(Russia, etc). Ou, até, as de Israel, como exemplo das "boas", sobre territórios pelestinianos, que ficam impunes, mais latido, menos latido, mais condenação vaga, ou menos (e os territórios ocupados naquela região, continuam ocupados, ilegalmente, á mesma luz do mesmo dito Direito Internacional que alguns invocam para o caso da Ucrânia). Permite-se a criação de um Estado pária como o Kosovo, aceita-se a anexão do Tibete (que, não esqueçamos, passou de um Estado feudal, ao tempo do poder dos Dalai-Lama para um desenvolvimento a todos os níveis superior, desde a ocupação chinesa), continua a ocupação de uma porção de território de Cuba, pelos EUA, em Guantanamo, o que é ilegal, à tal luz do Direito Internacional, etc, etc. Os EUA e a Europa/Nato cercaram a Rússia ocidental ao fazerem dos seus anteriores “satélites” membros da Nato e agora preparavam-se para um dia fazerem o mesmo com a Ucrânia. Saiu-lhes o tiro pela culatra. Quanto ao regime actual ucraniano, tem que legitimidade? Não tem sequer um Presidente eleito democraticamente. E é a "rua2, a populaça que hoje, de algum modo, manda no país, embora através de figuras públicas de recurso, os políticos que lá vão dando a cara, ou seja, recendo os representantes ocidentais (norte-americanos), como J.Kerry (que “até se comoveu”, na colocação de umas tantas flores num local qualquer, como se o homem estivesse realmente preocupado com a situação politica-económica e social da Ucrânia! A única preocupação dos EUA assenta em colocar a Ucrânia na sua esfera de influência), que ali chega com um chequezito de “peanuts”, de menos de cerca de 500 milhões de euros, mais ou menos metado do que o governo português gasta com as PPP anualmente. Imaginem, como bem referiu ontem na Sic Miguel sousa Tavares, uma versão ao contrário, dando como exemplo a Califórnia (em tempos nas mãos do México). Em resumo, deixemo-nos de lamúrias estéreis. O que está acontecer tem como causas remotas os comportamentos que o Ocidente tem tido para com a Ucrânia, bem como o que entretanto se tem passado internamente na Ucrânia. E é assunto bilateral – entre a Rússia e a Ucrânia. E ninguém de boa fé acredita num escalar maior. Descansemos pois que não será por causa da Ucrânia que irá eclodir uma III Guerra Mundial. Daqui a um par de anos, o pó assentou e a UE, os EUA e a Ucrãnia serão os perdedores desta crise. Com a China a rir-se, baixinho. E o mundo Árabe.
Lourenço

Manuel Augusto Araújo disse...

.comMeu caro Francisco Seixas da Costa
o seu post sobre a Ucrânia deixa-me abismado e perplexo. É dum simplismo aterrador por fazer parte de um pensamento que faz caminho numa certa inteligentsia de esquerda claudicante. Se olhava com essa distanciação para o que se passava na altura,o que até se aceita por estar na carreira diplomática, hoje não vislumbra que a política dos EUA, por arrasto da UE e da Nato, está na raiz do crescimento do fascismo na Europa? Isso não o preocupa? O que se passa em França, na Grécia, na Hungria, na Croácia, em Espanha,na Roménia,nos países bálticos,onde estã ou rondam o poder? mesmo na Holanda ou nos países escandinavos, onde pareciam irrelevantes? Não lê o pouco se passa nas malhas de uma comunicação social estipendiada? Como ex-embaixador com longa carreira conhece certamente Paul Craig Roberts, pertenceu a governos de Ronald Reagan e que escreve com todas as letras o que todos nós sabemos ou deviamos saber, mesmo fingindo que não o sabemos: «a União Soviética servia de entrave ao poder dos EUA. O colapso soviético possibilitou a ofensiva neoconservadora pela hegemonia mundial dos EUA. A Rússia sob Putin, a China e o Irão são os únicos entraves à agenda neoconservadora. Os mísseis nucleares russos e a sua tecnologia militar tornam a Rússia o mais forte obstáculo militar à hegemonia dos EUA. Para neutralizar a Rússia, os EUA romperam acordos […] expandiram a NATO para antigas partes constitutivas do império soviético […] e Washington alterou a sua doutrina de guerra nuclear para permitir um ataque nuclear inicial. […] O desenlace provável da ameaça estratégica audaciosa com que Washington está a confrontar a Rússia será a guerra nuclear» (14.2.14). Sob o título «Washington empurra o Mundo para a guerra», PCR escreve (14.12.13): «a guerra fatal para a humanidade é a guerra com a Rússia e a China para a qual Washington está a empurrar os EUA e os estados fantoches de Washington na NATO e na Ásia. […]. A única razão por que Washington quer estabelecer bases militares e mísseis nas fronteiras da Rússia é para negar à Rússia a possibilidade de resistir à hegemonia de Washington. A Rússia não ameaçou os seus vizinhos e […] tem sido extremamente passiva face às provocações dos EUA. Isto está a mudar […] tornou-se claro para o governo russo que Washington prepara um ataque inicial decapitador contra a Rússia. […] A postura militar agressiva de Washington face à Rússia e a China indicia uma autoconfiança extrema que costuma conduzir à guerra».
Há mais de um mês escrevia sobre a Ucrânia: «A UE quer que a Ucrânia adira para que a Ucrânia possa ser pilhada, tal como o foram a Letónia, Grécia, Espanha, Itália, Irlanda e Portugal. […] Os EUA querem a adesão da Ucrânia para poderem aí posicionar bases missilísticas contra a Rússia»
Muito mais poderia acrescentar mas
isto, para si, é irrelevante? Não é certamente. Não devemos olhar o lado quando uma potência militar como é os EUA está em decadência económica e financia fascistas na Europa e a Al-Qaeda, seja lá o que isso for, no Médio-Oriente para defenderem a impressora onde fabricam os dólares. O ovo da serpente está aberto!
Saudações
manuel Augusto Araújo

manuel augusto araujo disse...

Meu caro Franscisco Seixas da Costa
Neste seu post deveria pensar mais na actualidade rever o que disse que , desculpe que lhe diga, é uma visão bastante superficial da geo estratégica do império EUA. Como deve saber bem melhor que eu estas coisas traçam-se com dezenas de anos de antecedência e são seguidas tanto por democratas como por republicanos. Não entendo como vê o fascismo que, apoiado pelos EUA, seguuido pela UE, cresce em toda a Europa. Não o preocupa o que se passa nos países bálticos, na Hungria, em Espanha, na Grécia, em Espanha? para não falar na Holanda ou nos países escandinavos onde parecia irrelevante?

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Manuel Augusto Araújo. Perplexo estou eu. Tenho uma grande capacidade de diálogo com pessoas que não pensam as mesmas coisas que eu, mas, confesso, é-me difícil discutir com que tem nostalgia da existência da União Soviética como, muito claramente, me parece ser o seu caso. O comunismo soviético está hoje no "caixote do lixo da História", para utilizar a expressão de um pensador que ambos conhecemos bem. Além disso, se bem que me preocupe a ascensão da extrema-direita e da xenofobia em certos países europeus, não considero que aos Estados Unidos possam ser assacadas responsabilidades particulares por esse fenómeno. Falar em fascismo "apoiado pelos Estados Unidos, seguido pela UE", apenas porque as potências ocidentais escolheram como aliados na Ucrânia quem se opõe a Moscovo (onde há fascistas, mas não só), é de um exagero estratégico rotundo.

Manuel Augusto Araújo disse...

Meu caro Francisco Seixas da Costa. Curiosa é a sua “grande capacidade de diálogo” quando numa penada me arruma na prateleira dos que têm “nostalgia da existência da União Soviética” Faz bem em, cautelarmente, acrescenta um “ parece-me ser o seu caso”. Parece-lhe mal porque não sou nem nunca fui um nostálgico da União Soviética nem do comunismo soviético, faz bem em o adjectivar. Mas mesmo que fosse, isso não me lobotomizava o pensamento de modo a não ver a geoestratégia dos EUA que meteu acelerador a fundo depois da implosão da União Soviética. A UE é quase irrelevante no seu seguidismo. Não ver o que se desenha a nível mundial que você, com a sua vasta experiência diplomática devia estar mais apto a percepcionar, é que é grave.
Em relação à ascensão dos fascismos, na Europa e fora da Europa, registo que para si, parece que os fins justificam os meios. As responsabilidades dos EUA são directas e indirectas. As políticas de austeridade, o empobrecimento acelerado imposto a muitos povos com a acelerada concentração da riqueza em cada vez menos oligarcas, as políticas comandadas a nível mundial por Mega polos financeiros que fazem retroceder o mundo, económica, política e culturalmente a estádios ainda há pouco inimagináveis, estão na raiz do ascenso dos fascismos e da xenofobia. O quanto pior melhor é um caldo de cultura para o vírus fascista crescer e multiplicar.
Por fim, agora não me parece tenho uma certeza ainda que provisória, como todas as certezas que tenho, que o meu caro Francisco Seixas da Costa não sabe distinguir o que é estratégia e o que são tácticas.
A acabar é simplista atirar dessa maneira o “comunismo soviético” para o “caixote de lixo da história”. Nesse caixote de lixo há muito material que merece discussão e reflexão. Não é preciso ir muito longe basta ler “Como Mudar o Mundo— Marx e o marxismo, 1840-2011” de Eric Hobsbawm, com matéria para muita cogitação. Ao contrário de algumas novelas de alguns políticos a pataco que são um caixote de lixo do pensamento. Como alinham com o pensamento único, por isso são recompensados pela comunicação social estipendiada que lhes paga e bem, os ociosos comentários e pelos poderes privados e públicos com chorudos lugares. Por vezes até em administrações de bancos que sobrevivem à custa dos nossos, os seus e os meus, impostos. Com esses tenho muita dificuldade em dialogar. A sua retórica vazia cansa-me. Há sempre coisas mais interessantes para fazer. Por exemplo ir comer umas gambas picantes, sem medo dos vírus, com um belo tinto, pode ser o belo transmontano Valle Pradinhos. Depois reler um artigo escrito em 2004 para o actualizar. A traça do tempo corroeu-o se não no todo, em parte, bem como merece mais espessura.
Desculpe o espaço que estou a ocupar no seu blogue, quando naquele em que colaboro optei por uma homenagem ao Alain Resnais. Sinto-me agora obrigado a escrever sobre este assunto. Lá irei desenvolvendo, obviamente a minha visão que, mesmo quando não parece, é sempre estruturada em hipóteses e certezas provisórias
Saudações
Manuel Augusto Araújo

Defreitas disse...

1°-
A União Soviética foi o resultado dos acordos de Yalta e da estranha partilha do mundo negociada por Roosevelt, Churchill e Estaline. A fronteira entre os dois mundos foi definida pelo avanço dos exércitos respectivos e poderia ter sido diferente, colocada mais a leste, se os Americanos não tivessem "calculado" o custo humano da batalha de Berlim, que preferiram deixar aos Russos. Tudo tem um custo.
Em consequência, foram duas concepções da sociedade que ficaram durante anos frente a frente, com uma vitrina capitalista "alléchante" em Berlim Oeste. : o comunismo e o capitalismo.

2°-
O comunismo morreu à nascença, vitima daqueles mesmo que o queriam implantar sobre a Terra. A nomenclatura impôs o poder duma hierarquia, ideologicamente esclorosada, e uma teoria económica que a dialéctica marxista não conseguiu materializar , tendo esquecido a natureza profunda do ser humano, mais individualista do que pensavam. A diferença entre os " kolkhozes" e os " sovkhozes eram os homens.
"
O comunismo não passou dum sonho de todos os danados da Terra.

3°-
O capitalismo inventivo, criador de riqueza, apareceu assim como a melhor solução para todos aqueles que não têm mais que o seu trabalho a oferecer . Com uma condição : que o espírito de justiça estivesse presente na partilha da riqueza produzida. Tudo era possível e a sociedade podia desenvolver-se graças a esta partilha, essencial para a criação do MERCADO.
Mas o capitalismo financeiro , interessado unicamente na optimização do capital e não na produção de riqueza na economia real, cedeu à avidez e produziu efeitos nefastos, tão nefastos como aqueles criados pelo comunismo: a descida aos infernos duma maioria, a miséria, a corrupção das elites, a destruição dos valores humanos , a ditadura duma minoria sobre a grande maioria dos cidadãos, e a criação duma sociedade revoltada que só espera na revolução, em não importa qual revolução, a solução para os seus problemas.

4°-Entretanto, um perigo maior aparece no horizonte: Quando a sociedade atinge um grau de corrupção e de podridão dos valores elevados, aliados à miséria física e moral, certas minorias extremistas encontram o húmus ideal para propagar as suas ideias destruturantes da sociedade. E uma vez mais, neste contexto, são as classes desfavorecidas que vão pagar os excessos, todos os excessos. Mais permeáveis aos discursos radicais, sensíveis ao facto que os fracassos imputados àqueles que governaram até agora corresponde àquilo que eles pensam, as soluções radicais aparecem-lhes como dignas de crédito. O fascismo espreita por traz deste radicalismo ou populismo.

A Ucrânia e a subida da extrema-direita não podem ser vistos, e ainda menos ser compreendidos, fora do contexto. Ao contrário, deve ser examinada no quadro duma tendência crescente a través da Europa ( e do mundo) - uma tendência que ameaça os fundamentos da democracia.
Um só exemplo : a Grécia. A austeridade selvagem imposta pela Troika (FMI,BCE, e Comissão de Bruxelas) paralisou a economia do pais, conduzindo a uma depressão mais grave que a "grande depressão" dos EUA.
Como muitos movimentos fascistas do 20° século, a "Alba Doirada" toma como bodes expiatórios os imigrantes, os muçulmanos e os Africanos principalmente, perante os numerosos problemas aos quais estão confrontados os Gregos. Em circunstâncias económicas desastrosas, um tal ódio irracional transforma-se numa resposta à questão de saber como resolver os problemas da sociedade.

Defreitas disse...

5°-
Se o comunismo desapareceu, nada nos permite de pensar que o mundo encontrou uma solução para uma sociedade mais justa e um mundo mais pacifico.

Quando a União Soviética implodiu, podíamos esperar que as tensões existentes até agora iriam desaparecer. Que a qualidade da vida dos habitantes da Terra melhoraria substancialmente. Que o mundo iria viver em paz. Na realidade, assim deveria ser, porque nunca a sociedade humana produziu tanta riqueza como nestes últimos 50 anos
E portanto, quantas guerras mortíferas no planeta e quantos conflitos religiosos eclodiram neste pobre mundo.

6°-
A razão desta situação, na minha opinião, reside bastante no que é explicado nos textos dos comentários precedentes.

Continuam a existir três blocos opostos no mundo. Dum lado, a Rússia e a China, com regimes ditatoriais apoiados em partidos ideologicamente saídos do sistema comunista, mas que adoptaram o sistema económico capitalista para a produção e para a troca de bens e serviços com os outros países.
E do outro, os países ocidentais, englobando a Europa , os EUA e todos os países com economias capitalistas.

Neste bloco Ocidental, o papel desempenhado pelos EUA é capital. Pelo seu poder militar e económico, os EUA são o único poder que se permite de intervir em todos os cantos do planeta. Muitas das suas intervenções são aliás caracterizadas pelo apoio incondicional a formações ou regimes políticos fascizantes. Quantos golpes de Estado na América Latina, do Honduras ao Paraguai, passando pelo Chile, Guatemala, Salvador, Argentina, Nicarágua etc,etc., num esforço sem fim para erradicar a esquerda da América Latina.

Claro que o mundo sabia desde há muito que a doutrina de Monroe se aplicava desde 1923: " "A América para os Americanos, e a Europa para os Europeus". Um imperialismo respondia a um outro. Esta doutrina foi e é o instrumento de expansão confiando aos EUA a missão de "proteger" o continente americano, mas na realidade para ai instaurar a sua hegemonia.

Entretanto, aproveitando a posição adquirida no fim da segunda guerra mundial, os EUA aplicaram a mesma doutrina na Europa: a NATO é a doutrina de Monroe aplicada à Europa. Por traz da NATO avançam as legiões das oligarquias poderosas da finança e da indústria, e os seus interesses planetários confiados à protecção da máquina militar.

A politica estrangeira americana visa tenta desde então a utilizar as dificuldades económicas e as convulsões politicas para estender a hegemonia americana no mundo.

E evidente que um tal poder suporta mal que outro poder idêntico, militar, intervenha para limitar o avanço do adversário vindo do outro lado do Atlântico que ontem estabeleceu a sua própria linha de defesa, no Vietname, nas Filipinas, no Paquistão, no Iraque ,em Israel, e hoje procura levá-la até à Ucrânia. .