domingo, 6 de outubro de 2013

O tempo e a política

As regras da vida política dos dias que correm são, para o bem e para o mal, muito diferentes das que existiam no passado. O escrutínio público do atos e da vida dos atores políticos é muito maior e com um grau de exigência acrescido, sendo que, quando o vento geral não corre de feição, esse ambiente dominante tudo agrava. Aquilo que, num período de "estado de graça", poderia ter passado como um "fait divers", assume uma relevância de outras proporções quando surge a contraciclo. E se, como às vezes acontece, isso vem somar-se a "episódios" anteriores, então, para usar a elegante formulaçao recente do presidente da Comissão europeia, "o caldo está entornado". Cedo ou tarde.

Desde sempre, entra-se para um governo para colaborar num projeto no qual se acredita, para ser útil, para resolver problemas. Se alguém, a certo ponto, constata que a sua presença acaba por constituir-se, em si mesma, como um novo problema para o próprio governo, recomenda o bom-senso que seja o ator político a tomar a decisão de afastar-se. Sem perda de tempo, limitando o desgaste. Poderá, dessa forma, preservar melhor a sua história pessoal e contribuir para deixar de ser um peso para o executivo com o qual se sente solidário. Esta, aliás, é uma regra bem antiga, pelo que quem já viveu outros tempos da política tem obrigação de conhecê-la.

13 comentários:

Anónimo disse...

Bravo. É isso mesmo. Foi o que fizeram Murteira Nabo e Vitorino.

Bmonteiro disse...

Pois, Murteira Nabo.
Pois a mim, contaram-me de fonte jornalista, que a notícia que originou a saída, lhe tinha sido soprada pelo interessado.

Anónimo disse...

Lembro, muito miudinho, ouvir aos meus ascendentes a expressão: "A porca da política".
Nunca, na minha vida, essa expressão foi tão "limpinha" como agora...
Antônio pa

Carlos Fonseca disse...

Ó senhor embaixador, se todos os governantes que causam embaraços à governação tomassem a decente decisão de se demitirem, neste momento havia 15 políticos a pedirem a demissão: 14 ao primeiro-ministro e 1 ao Presidente da República.

Acho eu, que não percebo nada de política.

P.S. - "Desde sempre, entra-se para um governo para (...) resolver problemas."

escreveu o senhor.

Claro, infelizmente, na maior parte das vezes, para resolver problemas dos próprios, ou dos seus amigos.

Outros, para que a dignidade conta mais do que tudo o resto (por exemplo a dissimulação), quando acham que estão a mais, tomam a decisão irrevogável de se demitir.

Como os admiro!...

Anónimo disse...

http://www.publico.pt/n1608259

Helena Oneto disse...

Aplaudo o comentario de Carlos Fonseca!

Senhor Embaixador, no contexto actual, partir do principio que ha "regras na vida politica", sem o ofender, nao passa de um naïve wishful thinking...

Viva a Res Publica!

Isabel Seixas disse...

Gosto do comentário de Carlos Fonseca.

David Caldeira disse...

Como, se mais ninguém (o senhor de NY já arrumou as malas, e jurou para nunca mais)quer ser MN Adjunto do Vice-Primeiro Ministro Primeiro-Ministro?

Defreitas disse...

Este género de perversão é característica dos políticos dos países do sul... onde existem aqueles que se agarram ao poder, sobretudo quando lhes falta a coragem para admitir que cometeram erros.
Muitos políticos sofrem de alterações psicologias que se traduzem por ilusões de grandeza e atitudes narcísicas e irresponsáveis.
Estes homens políticos atingidos do sindroma de hurbis politica crêem que são capazes de grandes feitos e que se espera deles que façam coisas extraordinárias. Pensam que sabem sempre melhor que os outros e que as regras de moralidade não se aplicam a eles. Mais eles se agarram ao poder e aos mandatos mais estas tendências comportamentais se acentuam.
A ética imporia que o interessado faça aquilo que se espera de um verdadeiro responsável : demitir_se. Mas, e o primeiro ministro, não deveria também, em toda plenitude, exercer o seu poder e dar o exemplo?

Anónimo disse...

O Sr. Embaixador é um homem extraordinário. Ainda acredita que há quem a acredita!
Eu, pessoalmente, virei ateu.
José Barros

Anónimo disse...

Insisto:
A crise deste regime "está que arde". Daí que ainda não sabemos como isto vai acabar; ele é por todos os lados que a sua tecitura está a dar de si. Não me regozijo, apeanas constato.

Anónimo disse...


Inteiramente de acordo e para referir só o "caso" mais recente, acho que o sr. MNE devia mudar-se de armas e bagagens para Angola.

Lá, ele deve estar no seu ambiente...

Anónimo disse...

Tanta volta e escrita redondinha para dizer o que se poderia dizer numa frase simples e lapidar, o que naturalmente exigiria tê-los no sítio: “Rui Machete está a mais neste Governo. Deveria demitir-se!” E pronto!
Mas, já agora, também se poderia acrescentar: “este Governo está a mais – no - país, demitam-se!”
E, finalmente: “O PR está a mais para – o – país. Resigne!”