quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Os eufemismos das trapalhadas

Pela boca de um secretário de Estado, ouvimos ontem a qualificação de "inconsistências problemáticas", referindo-se à situação que envolvia um seu colega. Uma situação que o peso dos factos se encarregou de resolver, algumas horas depois.

Esta criatividade terminológica, na qualificação de certas realidades incómodas, traz-me a memória a expressão consagrada pelo político britânico Alan Clark, quando rejeitou ter mentido numa certa circunstância, admitindo apenas ter sido "económico com a verdade"*

A verdade, em política, tem o pudor das noivas dos casamentos de outro tempo: só se revela em pleno no conforto da alcova. Neste caso, dos ministérios.

* Um amigo chamou a minha atenção para uma imprecisão que cometi. A expressão "economical with the truth" foi usada pelo "cabinet secretary" britânico, sir Robert Armstrong. Verifiquei agora que Alan Clark usou outra expressão: "economic with the actualité"

14 comentários:

Anónimo disse...

Aqui no Golungo achamos que a culpa e do Sócrates...

a) Feliciano da Mata, jurisconsulto avencado

Helena Oneto disse...

Nos tempos que correm, corta-se em tudo a começar pela verdade! E o(s) primeiro(s) a dar(em) o exemplo é quem governa... Esses, nem no segredo da alcova, admitem erros do (passado) presente. E no meio de tanta trafulhice, vão cortar também nas pensões dos reformados do Estado acima -e em alguns casos abaixo- de 300Euros/mês!
INDIGNEZ-VOUS!

PS: apesar de tudo isto e o que ainda esta para vir, desejo-lhe, meu caro Senhor Embaixador, umas optimas férias!

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caro Francisco

O Anómino, ops, anónimo das 22:49 + coisa - coisa e que assina a) Feliciano da Mata, jurista avençado, é que a sabe toda, no Golungo.

Aqui no Lumiar & arrabaldes pensa-se mais do que exactamente assim: a culpa foi, é e será do Sócrates. Não o Σωκράτης, mas o nosso.

Aliás, o Senhor Secretário de Estado que se apeou não disse assim, mas quase. Sursum corda. Habemus ad Hominum

Volto aqui depois de longa ausência em que me aconteceram coisas tramadas. Numa delas fui parar ao Hospital de Santa Maria - sem ver (não abria os olhos), sem falar (não abria a boca), sem me mexer e sem ouvir e ao fim de onze horas saí ferpeito, ops, perfeito e... os médicos não descobriram o que tinha sido...

Peço desculpa por esta ausência, mas agora vou voltar a aparecer se o Senhor Embaixador e meu Amigo me aceitar.


Um abração

São disse...

rrrs rrsss Um achado essa da economia com a verdade!!

Será LOmba a abjecta criatura que acha estar a pagar a minha reforma , para a qual descontei largos anos e que me vai ser parcialmente roubada(não existe alternativa ao termo)??

Acho impressionante a declaração de demissão de Pais Jorge, que se tivesse algum sentido de ética nunca aceitaria o lugar.

Como é possível armar-se em vitima , após ter mentido ? A podridão vem de seres como ele mesmo e Machete...e não só.

Bons sonhos

Isabel Seixas disse...

Estava a pensar que os historiadores devem constituir uma população de risco para síndromes vertiginosos...
Bem alguns devem desistir por exaustão...
Mas também da próxima geração quem vai querer ler estas redundâncias sem ser à luz da psiquiatria e da psicopatologia politica...

Olhe Senhor Embaixador goze realmente as férias e evite essas personagens basicamente para manter a saúde...Ou então encare no domínio do jogo das paciências...

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Henrique: só para testemunhar o seu regresso felicito-me por ter escrito o post. O Feliciano, que anda lá pelo Golungo Alto por conta da Senhora Engenheira (que tem muitos por conta também por cá), sabe-a toda e anda a juntar kwanzas para ter um "share" no seu DN, quando o Oliveira passar aquilo a patacos. O que ele não sabe é que nesse dia, a folha que foi do Augusto de Castro e em que o Eça tornou misteriosa a estrada de Sintra, vai ficar com a popularidade do "Sol". Volte sempre, caro amigo.

Isabel Seixas disse...

Por falar em eufemismos

Batem portas portas batem
ultrajadas pelos tempos
com portas coelhos se abatem
num devir cheio de excrementos

Ah mulheres de pelo na venta
venham cá a justiça urge
tragam fé para esta tormenta
força é a nossa intervenção que surge

Como assim masculinismo sem tomates
segredos de alcova sem poder de sedução
Um governo qual matadouro de abates
nossos úteros secos de desilusão

só nos resta parir concebidas em pecado
limpar as lágrimas da nossa conivência
avançar para esse golpe de estado
chega de atentados à nossa inteligência

temos filhos perdidos já sem saber
o que já lhes tínhamos ensinado
os segredos da deontologia e do dever
a que parece meia não terem ligado

já não adiantam palavras vãs
nem penitências com pais nossos
puxões de orelhas não fazem efeito em titãs
cães que nos comem a carne hão-de comer-nos os ossos...

Por aqui me fico,tenho mesmo de ir trabalhar...

Anónimo disse...

Ainda sob a forma de registo em Silly Season: quando há uns anitos atrás houve uma fuga maciça de prisioneiros da cadeia da Alcoentre o ministro da Justiça de então, Santos Pais, disse que "era normal dentro da anormalidade".
Ao ouvir ontem Lomba que é assistente da faculdade de direito e não é parvo mas nos toma como parvos verifiquei duas vezes para ter a certeza que não estava a ouvir um extraterrestre. Mas constato que a escola dos discípulos de Relvas que faz afirmações com pseudo-candura se não encontra ainda extinta. Dentro do género foi ainda melhor a resposta entre o evasivo e o manhoso de Pires de Lima ao dizer "prometi a mim mesmo não comentar esse assunto". Estes governantes por acaso ainda não perceberam que as questões de ego não riscam e que há cidadãos e um País para quem governam.

patricio branco disse...

e cada vez há mais inconsistencias, a verdade já não importa, a palavra da maioria desses politicos ou governantwes denada vale, para nós, em relação a nós, entre eles, o irrevogavel que é anulavel é só um exemplo e dos menos prejudiciais, a etica da verdade ou seriedade ou honestidade intelectual não conta já, não faz parte do comportamento actual, desde há alguns anos, uma expressão usada muito agora por eles é tenho a consciencia em paz, de nada vcale essa terrivel e abusadora expressão assim dita, inconsistencias, e o cidadão que assista e aguente, etc etc

Anónimo disse...

Não era coisa que se não soubesse mas, com a zanga das comadres, são claras as verdades. Estes eufemismos das trapalhadas vêm daí: Os PSDs andaram a vender SWAPs aos PSs, com o nosso dinheirinho e, para não estragarem o futuro dos negócios, evidenciam no início da declaração que não têm nada a dizer da competência e honestidade de uns e outros, trata-se apenas de questões “políticas”…
Estão a imaginar um governo de “salvação nacional”…
Desejo que a saúde de Henrique Ferreira esteja perfeita. Isso é que é o importante! Se não viu, ouviu e sentiu nada durante algum tempo, no que diz respeito à política, não perdeu nada… na minha opinião foi um descanso.

Anónimo disse...

Vim de férias para repouso em Portugal e encontro tudo deprimido por onde tenho andado... E muita gente influenciada por Cahuzac. Vou ver se aguento mais uns dias, mas anda tudo maluco!
José Barros

ARD disse...

A culpa é, definitivamente, do Sócrates.
Disse-o, cóm todas as letras, essa luminária da cultura e da inteligência chamada Março António Costa.
De facto, ao receber em S. Bento, o outro badameco e depois de constatar que este pretendia maquilhar as contas públicas, o malandro não o denunciou!
Limitou-se, o dissimulado, a não aceitar a falcatrua.
A culpa é do Sócrates, não há dúvidas.

Anónimo disse...

Economical with the truth foi utilizada por Robert Armstrong, à época secretário do Cabinet britânico no caso Spycatcher. A intervenção mais penetrante no sistema judicial de Alan Clark foi no Supremo sul africano. Mãe e filhas há que respeitar!
a) ex- vizinho aos solavancos no alfa

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Vizinho: como sempre, você tem razão. Alan Clark disse ter sido "economical with the actualité", num interrogatório a propósito do caso Matrix-Churchill, ao tempo em que era "minister" (secretário de Estado no RU, para quem possa estar menos atento a estas coisas) da área da Defesa.
O caso a que você, com ínvia diplomacia, alude, é o triplo "affair" que Clark teve com a mulher e com as duas filhas de um juíz sul-africano - grupo a que ele, nos seus "Diaries" se referia como "the coven" (a consulta do glossário pessoal é um "must". Algo só comparável ao feito de ter levado para a lua-de-mel, não só a mulher (ato que se tornou vulgar) mas também uma "petite amie". Ao Vizinho, que lê tudo, não deve ter escapado a curiosa biografia de Clark feita por Ion Trewin em 2009. É um belo complemento dos "Diaries".
E ainda bem que me recordou o "Spycatcher"... vou relê-lo.