terça-feira, 20 de agosto de 2013

Namorar no Procópio

Uma folha da manhã coloca o bar "Procópio" entre os dez melhores lugares para namorar em Lisboa. Claro que é! Como é para conspirar, para chalacear, para negociar, para conversa fiada e até para não fazer nada, que é o que de melhor se faz por lá.

Porém, antes que revoadas de casais incautos se aprestem a ir já arrulhar por ali, convém que se saiba que a reabertura pós-estival dessa catedral de bem-estar pós-laboral e noturno, gerida pela simpatia da Alice Pinto Coelho e oficiada às mesas e ao balcão pelo profissionalismo do Luís e do Carlos, só terá lugar a 26 de agosto. Até lá, o pessoal procopiano mais tradicional continuará a vaguear desasado pela cidade - uns refugiando-se mediaticamente no Snob, outros tendo de abifar fino no Café de S. Bento, outros ousando uma traição turística no Pavilhão Chinês, alguns indo mesmo jantar tardiamente ao Paparrucha, onde a presença do Juvenal lhes faz lembrar que, por anos, na porta ao lado, o Pedro V servia de principal lenitivo para esse mês de obrigatória abstinência da verdadeira "sede da sede".

Daqui a seis dias, o bar ficará de novo à disposição dos clientes, que agora são cada vez mais jovens, numa renovação geracional que, além de muito saudável (até para a vista), se torna bem agradável para a caixa registadora e para os cofres estatais de Maria Luís (que nada tem a ver com o Luís da casa, bem entendido!). Sob boa música, as várias mesas passarão a ser ocupadas, não apenas por casais a namorar, mas por "muitas e desvairadas gentes", numa mescla serena, às vezes ruidosa, sempre bem disposta e, por regra, bem sóbria, porque essa é a imagem de marca da casa. O Procópio, à sua líquida maneira, contribuirá assim para atenuar os "blues" do ajustamento. Ainda ninguém se lembrou de levar a rapaziada engravatada da "troika" ao Procópio?

Nem todas as mesas, porém, estarão livres. A "mesa dois" será sempre a bi-hebdomadária exceção: desde há décadas fica cativa, agora às quartas e sextas-feiras, para um grupo restrito (ia escrever seleto, mas arrependi-me a tempo) de clientes. (Bem apertadas, na "Dois", cabem oito pessoas; por um mistério da multiplicação, neste caso, dos copos, o jantar anual da "Dois", reúne 80 figurantes). Privilégios elitistas? Não, apenas a confirmação de que, no Procópio, como na tropa e nos conventos, a antiguidade é um posto.

20 comentários:

Anónimo disse...

Restrito, neste caso, é sinónimo de seleto?

Conheço o Procópio há muitos anos, fui assidua outros tantos, mas não gosto da palavra seleto.

Coisas!

Clara Figueiredo disse...

O Procópio também serve para adormecer, que foi o que me aconteceu quando uma única vez lá fui, há alguna anos com a minha irmã, Margarida Figueiredo. E esta hem?

Portugalredecouvertes disse...

é bom saber que ainda se namora!

bom dia para todos

Angela

Anónimo disse...

O que Portugal mudou:
No Procópio já não se fazem conspirações mas namora-se. É o progresso.
Também não sei se namorar não será uma forma de conspiração.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro amigo
O Procópio enquanto for da Alice será sempre o special one. E já nem falo da special table nº 2.
Mas, para quem, como eu, teve o privilégio de ficar em Lisboa em Agosto, digo-lhe que a zona do Príncipe Real me mostrou locais paradisíacos para passar a noite ou o fim da tarde. Soberbos, diria mesmo!

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro/a anónimo das 10.27: eu também abomino a palavra "seleto". Mas uma provocacaozinha, de quando em vez, da graca a vida...

Francisco Seixas da Costa disse...

Cara Clara: volte sempre! As qualidades suporíferas do Procópio ja têm sido testadas em diversas noites. E funcionam! Dê um beijo meu à sua irmã.

Anónimo disse...

Nunca fui ao Procópio tendo durante muitos anos frequentado a noite dde Lisboa. Sempre tive receio de ser fuzilado no Alto de S. Francisco por nunca ter sido politizado.

patricio branco disse...

como teria nascido o nome que faz lembrar o do le procope, lendario/centenário café frequentado por voltaire e companhia, tem este tambem uma historia bem recheada e contavel, e assim é, etc...

Anónimo disse...

Namorar no Procopio? Sob os olhares mordazes da mesa dois? Sujeitos a ser criticamente arrasados pelas mentes mais perversas de Lisboa? Bom... Acaba ate por parecer um desafio!

a) Henrique de Menezes Vasconcellos (Vinhais)

Carlos Fonseca disse...

Vá lá, confesse, sr. embaixador, era mesmo seleto que tinha em mente, porque só por seletividade(*), se reservam mesas de forma "vitalícia".

Além disso, se as informações que me chegam de quem frequenta o Procópio são correctas, os fregueses da mesa 2 constituem uma espécie de "primus inter pares".


(*) Por uma vez, sem exemplo, segui a sua ortografia.

Isabel Seixas disse...

Pela foto o ambiente parece acolhedor...

Ambiente propício para namorar!!!?, Só se for para namorados que gostem mais de namorar às escondidas e às escuras(nada que não possa ser interessante no contexto, até como critério de inclusão aos mais inibidos) porque às claras talvez um bar com mais luz natural,não?

Anónimo disse...

Seleto é a palavra portuguesa correta! Claro que os lisboetas são cool, não são seletos, que coisa horrível!...
Eu gosto mais de ser seleto! Selecionado!

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Patrício
Antes de haver Procópio, o então casal Pinto Coelho teve uma outra casa que deu brado na Lisboa do meu tempo, que muito frequentei e se chamava "A outra face da lua". Julgo não mentir que o nome nasceu quando aquela e o casal se desfez.
A Alice criou o Procópio - que manteve a tradição de atribuir o prémio com o seu nome- e o Luis fez o Pavilhão Chinês. Os amigos, esses, ou se dividiram ou frequentavam os dois.
Mas, como diz o nosso anfitrião, a casa da Alice e a sua dona, serão sempre especiais!

Helena Oneto disse...

Tenho muitas boas recordações do Procopio dos anos setenta onde se namorava e/ou conspirava num ambiente mas restrito e menos “seleto” e sem mesas cativas. Voltei vinte anos depois, com o mesmo namorado que gostava de ter “sede da sede”. Mas a Alicinha da “Outra Face da Lua” tinha, entretanto, copiado a irritante moda anglo-saxonica, trocado os filmes do Charlot pela televisão a cores.
Passados outros vinte anos, voltei, num fim de tarde de Verão, e vi um bar quase vazio excepto na mesa dois onde um grupo de “rastaquouères” “arrulhava” cervejas em “conversa fiada”. Não me lembro que dia era da semana, mas certamente não era nem quarta nem sexta-feira, hélas!.

patricio branco disse...

cara hsc, obrigado pela informação, há de facto gente vocacionada para isto ou aquilo, bares ou pubs, cafés, p ex, e que o fazem com alma e coração, com gosto, a decoração, o ambiente, o serviço, o profissionalismo, e optimo que assim seja, hoje pode dizer se que são locais classificados,ícones duma cidade, de gerações, etc.

Anónimo disse...

Vê-se bem que os "Eusébiozinhos" qderiram ao "Acordo Ortográfico!,diz-se selecto !


Alexandre

Anónimo disse...

Bom dia,

Para namorar em paz, "cool" romantico, porque nao no banco do jardim do Principe Real, junto ao cedro, olhando a lua, talvez a chuva de cometas neste "querido mes de Agosto"? Com sorte o quiosque do Oliveira ainda estara aberto a aviar imperiais e tremocos...

Saudades de Londres

F. Crabtree

Anónimo disse...

Quem faz e fez a mitificação da Mesa 2? Quem teve e tem acesso a determinado tipo de imprensa.Assim se promovem, assim se enganam, todas as quartas e sextas-feiras, "brigadeiros" quase reumáticos,ou hipocondríacos, voltando sempre a mais do mesmo.Podem continuar a, electivamente, ocupar a Mesa 2, mas não façam ruído social.Os anónimos das mesas da vizinhança agradecem, em nome da sanidade mental, social e política.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 17.09: pegue num tubo de Voltaren, desarrolhe, coloque uma gota do gel no dedo indicador, espalhe bem na zona, até o gel secar. Poucos minutos depois, a dor passará. O seu cotovelo ficará como novo, vai ver. Depois, no futuro, é só evitar inclinar-se muito psra ouvir as conversas da mesa dois. Vão ser noites um pouco mais tristas, mas deixa de ter inchaços. Até psicológicos, como os que a sua escrita revela. As melhoras!