segunda-feira, 20 de maio de 2013

Dias

Há dias privilegiados. 

Ontem, tive o gosto de estar num almoço de amigos com Eduardo Lourenço, uma voz cuja lucidez cresce com a idade - ele que fará 90 anos dentro de alguns dias. Vale bem a pena ler a entrevista que, também ontem, concedeu ao "Público", excelentemente conduzida por Teresa de Sousa. Eduardo Lourenço é, de certo modo, a nossa consciência nacional, em particular no meio das dúvidas que o presente nos traz.

À noite, "agarrei" uma recém-publicada antologia de Manuel António Pina, figura que nos deixou há pouco tempo. Tem por título "Crónica, saudade da literatura" e recolhe textos publicados entre 1984 e 2012. A mesma lucidez, outras perplexidades e reflexões imperdíveis sobre a difícil arte de ser português. Horas de leitura bem ganhas.

Há dias assim. Ainda bem.

8 comentários:

patricio branco disse...

boas leituras, logo, boas sugestões...

Silvares disse...

Imagino que as personagens referidas nos post anterior não façam a mínima ideia de quem sejam as personagens referidas neste post. Talvez o conhecimento lhes aliviasse os dias do peso esmagador com que o futebol as oprime.

Isabel Seixas disse...

A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.

Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"

Anónimo disse...

Valham-nos estas grandezas para sentirmos orgulho da nossa prtugalidade.
José Barros

Anónimo disse...

Portugueses privilegiados pela providência que se nos disponibilizam com o seu imenso trabalho. Pouco os “aproveitamos”…:
Toda a gente ficou escandalizada quando coloquei a hipótese de os candidatos a bastonário serem limitados ao escol…é tão absurda a regra de todos poderem ser…
O Conselho de Estado devia ser Só Estes Portugueses…

Anónimo disse...

Uma coincidência: dois beirões raianos!


amfernandes

Anónimo disse...

Silvares, a sua "imaginação" tem um nome: preconceoito.

jose reyes disse...

Silvares, a sua "imaginação" tem um nome: preconceito!