sábado, 25 de maio de 2013

Almoçar por almoçar

A frieza anglo-saxónica consagrou a frase "there is no such a thing as a free lunch" para significar que um convite para uma refeição, por princípio, tem sempre de trazer "água no bico", isto é, nunca será totalmente "grátis". Lembrei-me disto, há umas semanas, quando convidei para almoçar um conhecido com quem tenho uma relação de simpatia e que já não via há alguns anos. A certo ponto da conversa, talvez surpreendido por eu não lhe ter pedido nada, comentou: "E então? Necessita de alguma coisa de mim?"

Há pessoas que não entendem que uma ocasião como um almoço pode não ser mais do que isso e que nem todos são como eles, que vivem na ansiedade de aproveitar o instante "entre la poire et le fromage" (nunca percebi por que diabo os franceses trocam, na expressão, a ordem natural dos pratos dentro da refeição) para avançarem com um qualquer pedido.

No que me toca - gabando-me, com prazer, de nunca ter convidado alguém para almoçar para lhe "meter uma cunha" -, cada vez mais aprecio almoços "sem agenda", de pura e grave "conversa fiada"...

15 comentários:

Valdemar Iglésias disse...

E se essa gente achasse que a vida se mede pelo poder que detêm ou lhes chegou a passar pela mão,

mais do que pelos prazeres simples da vida, como um almoço com um amigo...?

Anónimo disse...

Diz-se que um certo despacho proferido por um certo ministro, a propósito de um certo concurso e em particular a propósito de candidatos repescados foi emitido no mesmo dia que um almoço bem regado.

Lá está são dizeres...

António Pedro Pereira disse...

Senhor Embaixador:
Este seu post e outros que tenho lido desde que diariamente venho a este espaço de diálogo descomprometido e de prazer, explica a razão porque o senhor foi apenas secretário de Estado, quando tanto desavergonhado e oportunista ocupou (e ocupa) cargos de Estado muito mais elevados.
Elogio na cara do elogiado costuma dizer-se ser lisonja, mas fique descansado, não nos conhecemos nem conto jamais convidá-lo para almoçar.

Anónimo disse...

Au XVIIe siècle, le fromage se mangeait après les fruits, dont les poires et les pommes étaient des exemples types.
A l'origine, l'expression signifiait donc "vers la fin du repas", à un moment où l'on commence à être repu et détendu, instant plus convivial et propice aux discussions.
Puis elle s'est généralisée pour indiquer "à un moment libre entre deux évènements", la poire et le fromage n'étant plus que des marques temporelles.

Isabel Seixas disse...

Nunca!?...É tanto.

De qualquer forma sinto exatamente o mesmo, é super agradável.

Tenho o privilégio de fazer isso diariamente até de forma ocasional no refeitório da instituição onde exerço funções, "conhecendo" uma das dimensões mais interessantes das pessoas...

Anónimo disse...

Por peras e macas, ja agora

Ontem fui ao Barbican rever o filme da producao de Patrice Chereau/Pierre Boulez do "Ouro do Reno" de Wagner. La estavam os deuses amofinados porque ha uns tempos que nao ia ao pomar da Freia apanhar e ferrar o dente nas macas douradas que ela cultivava e lhes mantinha a eterna juventude. Coisas de deuses, semi deuses, Valquirias,gigantes e anoes, ouro, cobica, fruta proibida ou nao...

Hoje, se Wotan me permitir vou voltar para a "Valquiria", amanha para "Siegfrid" e segunda feira para o "Crepusculo".

Bom fim de semana.

Saudades de Londres

F. Crabtree

Anónimo disse...

Ja agora por peras e macas....

Ontem dediquei a tarde a Wagner no Barbican onde estao a mostrar em 4 dias consecutivos o filme da producao do "Anel" - Patrice Chereau/Pierre Boulez,filmada em 1982. Para minha surpresa o filme aguenta-se lindamente em ecran, sem HD e quejandos que a altura ainda nao havia, claro. La estava a Freia, coitadinha, sequestrada pelos gigantes e os deuses e semi deuses numa aflicao que ha muito nao iam ao pomar da Freia, apanhar macas douradas para lhes ferrarem o dente e conservarem assim a eterna juventude...

Se Wotan mo permitir irei hoje a Valquiria, amanha ao Siegfrid e segunda feira ao Crepusculo. Como vera e um fim de semana entre deuses, semi deuses, gigantones, anoes, ouro, cobica, etc, etc.
Wagner cada vez mais actual...

Bom fim de semana

Saudades de Londres

F. Crabtree

Guilherme Sanches disse...

Vem mesmo a propósito...
Um abraço

Anónimo disse...

Nunca aceitei uma refeição de negócios. Digo sempre que não consigo apreciar uma refeiçãO e negociar ao mesmo tempo. Mas enfim.... há quem julgue que porque partilhou uma refeição com outra pessoa pode estar mais próximo dela... são códigos sociais recentes penso eu....
O esclarecimento do anónimo das 08.46 é de uma categoria excepcional e é a isto que se pode chamar verdadeira cultura geral.

Anónimo disse...

Nestas refeições armadas, a comida pode ser indigesta, em vez de peras e maças, podemos engolir alguns sapos!

Helena Sacadura Cabral disse...

É por isso que "não há almoços gratis"!

Defreitas disse...

Mas, que diabo, não se convida ninguém para almoçar ( no mundo dos negócios !) se não se espera daquele que se convida, uma boa "disposição" para o negocio que se pretende "ganhar"! Os puristas dirão que se trata de corrupção. Então, da China, à Índia, passando pelo Japão , a Rússia, o Brasil, e os Estados Unidos, e "ailleurs", o mundo dos negócios , seria paralisado, se esta "alavanca" não existisse! A corrupção começa no tal "jeitinho" inocente com o agente do parking e acaba nas fragatas de Taywan!

Isabel Seixas disse...

Então Sr. Embaixador se achar por bem para degustar as suas conversas descomprometidas e para quem quiser,

vamos à fava...

Arroz "malandro" primavera de favas com pataniscas de bacalhau.

1 cebola pequena picada
1 dente de alho
200gr de favas descascadas
100gr de feijão verde cortado fininho
1 cenoura cortada às rodelas
1 tomate maduro picadinho e sem pele nem grainhas
1 chávena grande de arroz agulha
sal qb
azeite qb

Faz-se o estrujido com a cebola o alho e salteiam-se os legumes,
adiciona-se o arroz e 4 chávenas de água já a ferver, adiciona-se o sal e deixa-se cozer em lume inicialmente alto e a seguir brando.

Pataniscas
1 posta de bacalhau de aproximadamente 200gr.
1 cebola picada
2 gemas
2 claras batidas em castelo
2 colheres de sopa de farinha
sal qb
2 chávenas de leite
salsa picada

Coloca-se a posta de bacalhau em água a levantar fervura deixando cozer durante 10 minutos sem o fogo ligado.limpa-se o bacalhau de peles , espinhas e desfaz-se em lascas. Faz-se o polme com mexendo a farinha com as gemas o leite o sal(se ficarem grumos desfazem-se com a varinha). Junta-se o bacalhau a cebola picada e as claras em castelo envolve-se com cuidado, a mistura tem que ficar espessa.
Fazem-se pataniscas deitando-se 2 colheres de sopa da mistura em óleo a ferver em fogo médio/alto, retirando-se quando douradas de ambos os lados.

Servem-se com o arroz primavera de favas, boa disposição, companhia agradável, um bom vinho...

Ah, coloca-se no fogo a ferver 1/2 litro de água com 2 colheres de canela, ou com alecrim e louro aromas que neutralizam o cheiro a fritos e recriam um ambiente agradável.

Guilherme Sanches disse...

Só uma sugestão para Isabel Seixas:
Para fazer arroz "malandro", experimente substituir o arroz agulha por carolino do Mondego.
Mais duro, mais cremoso, e com um sabor que o arroz agulha não tem.
A boa companhia e o bom vinho pode manter...

Isabel Seixas disse...

Caro Comentador Guilherme Sanches
Faz todo o sentido a sua sugestão, costumo usar o arroz carolino no arroz de tomate e arroz doce, claro que vou seguir a sugestão, muito obrigada por me lembrar.