Há uns meses, levei uns amigos brasileiros a um passeio pela zona do Douro. À chegada à Régua, expliquei-lhes que uma das coisas mais típicas da cidade, para além da mais pequena barbearia do mundo, eram os seus rebuçados.
Essa doçaria é uma coisa muito simples: é praticamente açúcar em ponto, deixado arrefecer, embrulhado em papel branco. A graça está em quem o vende, umas senhoras de avental ou bata branca, com umas cestas de verga, sentadas sob as árvores junto à estação do caminho de ferro. No passado eram senhoras muito idosas, nos últimos anos a venda estava já rejuvenescida.
Chegados nesse dia ao largo da estação, nada de vendedoras! Fiquei desiludido e perguntei pelas "senhoras dos rebuçados" a um dos taxistas no local. Foi-me dito que já não apareciam com tanta frequência, mas lá se conseguiu comprar rebuçados numa tabacaria próxima. Mas, confesso!, saí da Régua "de orelha murcha". A Régua sem rebuçados era como Vila Real sem covilhetes!
Hoje, durante uma função oficial, jantei ao lado do edil-mor da Régua e, como antes se dizia, "lavrei o meu protesto". E não é que fui informado que as senhoras dos rebuçados continuam, que nesse dia deviam ter ido "para os barcos", que a Câmara até providencia os aventais/batas brancas e tudo?!
Assim sim, porque eu sou daqueles que não gostam que lhes troquem as voltas e mudem aquilo a que se habituaram a ter como cenário confortável de vida. O nome para pessoas assim é "reacionário", não é?