Não pode deixar de saudar-se a vontade manifestada por Ângela Merkel de dar corpo a uma maior expressão autónoma europeia em matéria de segurança e defesa.
A perspetiva do Brexit, somada às "lessons learned" dos seus traumáticos encontros com Trump, tê-la-ão convertido a uma doutrina em que, no passado, o empenhamento alemão foi sempre muito discutível e, em especial, demasiado limitado na prática para a importância do país.
Vamos agora esperar para ver se, àquelas palavras, vão corresponder atos concretos.
Desde logo, o urgente reequipamento das forças armadas alemãs, das quais há sinais preocupantes em matéria de estado de prontidão.
Mas, essencialmente, interessará testar este voluntarismo retórico nas futuras ações de estabilização político-militar, tuteladas por mandatos internacionais, em que a Berlim for pedida uma contribuição à altura da importância dos outros interesses que a Europa projeta em seu nome.
Esperemos que Angela Merkel não venha a revelar-se como aquele capelão militar do RI 13, lá de Vila Real, que, um dia, à partida de tropas para a guerra colonial em África, teve esta "infamouse" tirada: "Rapazes! Preparemo-nos para a guerra! Ide!"