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segunda-feira, março 14, 2016

Na morte do Senhor Contente


Ia escrever que conhecia mal Nicolau Breyner. Mas parei. Nicolau Breyner faz parte daquelas pessoas que todos conhecemos, praticamente, desde sempre. E que, por isso, nos vai fazer falta.

A primeira memória que dele tenho, como ator ao vivo, foi numa revista que vi no Sá da Bandeira, no Porto, creio que em 1967 ou 1968. Depois, com os anos, para além de outras presenças no Parque Mayer e noutros locais, a televisão tornou-o "one of us". Logo após o 25 de abril, vim a cruzar-me com ele nas "guerras" do período pós-Revolução, cujo entusiasmo partilhou por algum tempo, para depois se aproximar de áreas mais conservadoras. Sempre prevalecia nele o sorriso, a alegria, a graça espontânea. E, também, a delicadeza, a inteligência, a cultura, que, por vezes, não eram suficientemente relevadas, na frequente "ligeireza" de alguns papéis que lhe era dado representar. Recordo-me de como, em outras ocasiões, deu mostras de estar muito para além disso, por exemplo na personagem de natureza muito diferente que lhe coube fazer na telenovela "Vila Faia", em peças de teatro e no cinema. Nicolau Breyner era um excelente ator. Mas era também um criador cultural de grande mérito.

Descobrimos um dia que éramos vizinhos. Às vezes falávamos, por uns minutos, no meio da rua, com ele a passear o cão. Era público que tinha passado por problemas de saúde, mas não o sabia doente. 

Nicolau Breyner deu-nos muitas horas de alegria. Devemos-lhe agora um momento de tristeza.

Humor castanho