Com os anos, aprendi que uma das maiores provas de maturidade é fugir à tentação fácil, no primeiro dia de cada ano, de começar a fazer dieta, de organizar estantes e papelada, de escrevinhar com cuidado a nova agenda e lista telefónica, de procurar preparar, a tempo e horas, a vida lúdica (espetáculos, férias) para os meses que aí vêm e outras coisas assim ditadas pelas regras de uma efémera previdência, na lógica sergiana (não de António Sérgio, mas de Sérgio Godinho), de que "hoje é o primeiro dia do resto da tua vida". Se o Natal é quando um homem quiser, o ano novo também deve ser. Mudar de vida porque se muda de ano é entregar a nossa existência ao calendário. E isso é muito triste, a menos que ele seja da "Pirelli"
A grande sabedoria é ter coragem para continuar a fazer, no "ano novo", exatamente o que se fez no "ano velho". Nem mais nem ontem. Se há coisa a que é preciso resistir é ao "agora é que é!"