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domingo, janeiro 29, 2012

Comentários

O tema da liberdade de expressão e da utilização das caixas de comentários, ligadas às edições informáticas dos jornais, é hoje abordado no "Diário de Notícias" por Ferreira Fernandes, de um modo em que me revejo.

Valeria a pena fazer um estudo sócio-psicológico do que se escreve nesses espaços da nossa imprensa, sob nomes falsos, em moldes muitas vezes insultuosos, dando curso a rumores e a insídias que esses escribas nunca teriam a coragem de colocar, se houvesse lugar a uma clara identificação do autor. Com grande irresponsabilidade, esses sítios informáticos abrem as suas colunas a energúmenos que, sob um cobarde anonimato, dizem o que lhes vem à cabeça, como quem escreve numa parede de um WC público, embora neste caso haja a atenuante do nível que o lugar inspira.

Às vezes, salta por aí uma frase desesperada: "não foi para isto que se fez o 25 de abril!". É verdade. A liberdade da Revolução dos cravos não foi criada para abrir caminho à impunidade. A liberdade de expressão é um bem suficientemente sagrado para não ser colocado em causa por quem dela se aproveita para a expressão vulgar dos seus ódios e fantasmas pessoais. É que, pouco a pouco, o surgimento de uma reação legítima contra esses abusos pode vir a criar um ambiente propício ao apelo a certos tipo de censura. A solução? Muito simples: acabar com os anonimatos e pseudónimos e só aceitar comentários sob o nome registado e público de quem os escreve. Podem crer que a "coragem" se esvairia.

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...