Devo dizer que sempre tive uma nunca superada dificuldade em perceber as razões que levaram alguns amigos meus a pertencer à Maçonaria. Mas nunca lhes perguntei nada sobre isso, porque entendo que nada tenho a ver com as opções filosóficas ou religiosas de cada um. Não me passa pela cabeça interrogar alguém sobre se é "testemunha de Jeová" ou se acredita no espiritismo.
Dito isto, não deixo de considerar algo "salazarento" o estranho movimento de opinião que, em Portugal, tenta forçar - por lei? - o "outing" de quantos se reunem para celebrar o "grande arquiteto universal". Posso estar enganado, mas deteto neste tropismo, um tanto persecutório, o renascer de um preconceito que, antes do 25 de abril, a ditadura tinha para com as confissões maçónicas, que levou à perseguição de alguns dos seus membros e ao encerramento violento dos seus locais. E, assumindo o risco de agitar a demonologia "talassa", gostava de lembrar o papel muito positivo que devemos à Maçonaria para a implantação da República.
Não é por ser mação, católico ou ateu que um cidadão é pior ou melhor que os outros. Bandidos ou pessoas de bem há-os por aí em todas as confissões, crenças ou "fezadas".
