segunda-feira, agosto 23, 2010

Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei

Agora estão a levar-me a mim
Mas já é tarde

Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo


Poema de Bertolt Brecht, por amabilidade de Gil

13 comentários:

  1. Obrigado, Senhor Embaixador!... obrigado por manter acesa a chama da nossa humanidade!

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  2. Anónimo21:28

    Há aqui um cheirinho a Ciganos Europeus a saír de Franca, que até tresanda.
    Francisco F. Teixeira

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  3. Bem haja Brecht, bem haja o(s) Tim Tim (no Tibete), bem haja o(s) Francisco Seixas da Costa, bem haja a(s) Ana Paula Fitas, bem haja o(s) Gil bem haja quem ousa denunciar a infâmia!

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  4. Anónimo22:14

    O que mais me fascina na poesia é o impacto imediato e profícuo da mensagem breve.

    Depois há Poemas...
    Autênticas revelações dignos de ser catequese em qualquer religião ou pressuposto de orientação pro vida ...
    Como Este de Brechet.

    Pois Sr. embaixador que boa escolha
    e mote para reflexão.
    Isabel Seixas

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  5. Anónimo22:27

    Grande ideia: Brecht é... Brecht. Este poema, se dúvidas houvesse, matá-las-ia. «Como eu não me importei com ningém, ninguém se importa comigo». Genial.

    PS (Continuo a ser, mas aqui é Post Scriptum) - Qual o melhor imeile/imilio para mandar coisasa a Vossa Insolência.
    De V. Ins
    Mtt. att. vedor e obg

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  6. Anónimo22:57

    É conhecido, mas é sempre actual. Sempre! Grato a Gil e grato ao autor deste magnífico Blogue por recordarem estas palavras.
    P.Rufino

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  7. Anónimo08:43

    Ainda o Poema de Brecht

    Apesar de quem denuncia

    Ser meramente
    Porta voz do eco das tragédias
    Que prosseguem imunes aos dogmas
    Da liberdade...

    Que sabemos só de alguns...
    Nós, comodamente incluídos
    A escrever sentados nas nossas Cadeiras Chipendale...
    Nascidos e crescidos da bonomia
    Herança da boa família e etnia

    Falando à distância
    Das fossas céticas
    Dos aromas a podre
    Em segurança
    Sem esconder a beleza
    Do medo da suscetibilidade
    A predadores
    Da delinquência licita do poder...

    É tão fácil
    O sussurro da indignação
    Que ronda a brejeirice do vulgar
    Pela inocuidade de resultados

    Mas há quem nem isso faça
    E tendo o Poder do Poder o use
    Para subverter gritos de desespero
    Em oportunidades de amordaçar
    Para ostentar virilidades
    Impotentes de segurança ridicula

    É homens contra homens
    Diferenças contra diferenças
    Sepultemos o amor
    Em nome da proliferação
    Ervas daninhas identificadas
    Que corroem sem ser julgadas...

    Isabel Seixas

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  8. Anónimo08:43

    Monsieur l'ambassadeur,
    Pardonnez mon insolence mais comme j'ai trouvé ce poème magnifique j'ai voulu en savoir un peu plus et dans mes recherches j'ai trouvé la source ci-dessous peut-être fausse.
    Mais, a la limite, je dirais peu importe l'auteur seule la "terrible beauté" de ce poème compte.
    Très respectueusement
    M.De Jésus

    (21) Poem by Martin Niemöller that was said to have been written in 1946.

    First they came for the communists, and I did not speak out - because I was not a communist;

    Then they came for the socialists, and I did not speak out - because I was not a socialist;

    Then they came for the trade unionists, and I did not speak out - because I was not a trade unionist;

    Then they came for the Jews, and I did not speak out - because I was not a Jew;

    Then they came for me - and there was no one left to speak out for me.

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  9. Esclarecendo a dúvida levantada por M. De Jésus:

    Na verdade, tanto o poema de M. Niemöller como o de B. Brecht são práfrases de um outro, anterior a ambos, da autoria de Maiakovski e que diz

    “ Na primeira noite, eles se aproximam
    e colhem uma flor de nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem,
    pisam as flores, matam nosso cão.
    E não dizemos nada.
    Até que um dia, o mais frágil deles, entra
    sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
    e, conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E porque não dissemos nada,
    já não podemos dizer nada.”

    Este poema de Maiakovski é, evidentemente, um lamento contra o ambiente repressivo na URSS post-Lenine.

    Brecht, que era comunista, parafraseou-o (em “É preciso agir”) e o seu texto é muitas vezes incluído em encenações das suas peças (até da “òpera dos três vinténs” – em francês creio que se chama “L'ópera des Quat’sous”). Como se pode notar, Brecht, comunista, re-adapta a ideia ao nazismo, sem referir a caça aos comunistas, ao contrário de Martin Niemöller, pastor luterano mas igualmente anti-nazi, que refere expressamente os camaradas de B. Brecht.

    Houve, ainda, outras paráfrases do texto de Maiakovski.
    A título de exemplo, a do jornalista e escritor brasileiro Cláudio Humberto;

    “Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
    Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
    Depois fecharam ruas, onde não moro;
    Fecharam então o portão da favela, que não habito;
    Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...”

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  10. Saudável "rappel" - de acrescida importância, tendo em conta a atividade do autor...

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  11. Ora bem, está esclarecido que o poema em causa não é de Brecht?
    Então, posso me ir embora...

    Faz-me lembrar o dito célebre de "Só a verdade é revolucionária", sempre atribuído pela nossa querida imprensa a Lenine e que pertence a... Gramsci.

    Mas, por falar em Lenine, como esquecer mais uma vez a querida imprensa, nos idos de 1975 (upa, upa), falando a cada passo da táctica leninista de "um passo atrás, dois passos em frente", treslendo o título célebre de "Um
    passo em frente, dois passos atrás".

    Para fechar, pessoalmente: "embaixador em França", diz a epígrafe do blogue.
    Em França? Ou em Paris... (que diabo, se V. fosse um embaixador político!...).

    Abc

    A.M.

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  12. Caro AM - Quanto ao poema, depois de tudo o que se escreveu, cada um que tire as suas conclusões.

    Quanto ao ao embaixador ou à Embaixada, tudo é possível:

    1. o embaixador é-o em França, como parece óbvio. É o país perante o qual está acreditado;

    2. na velha tradição, costuma dizer-se embaixador em Roma, em Londres, em Paris, por ser a capital, mas é uma expressão apenas costumeira;

    3. Embaixada de Portugal em Paris designa a cidade onde a chancelaria está instalada;

    4. Embaixada de Portugal em França é mais rigoroso quanto à territorialidade coberta pelo trabalho da representação diplomática.

    Assim, "à vous de choisir".

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  13. Anónimo15:27

    O poema atribuído por Gil a Maiakovski é na verdade do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa, e é um excerto dum poema chamado No caminho com Maiakovski.

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