Na minha terra, em Vila Real, existem duas corporações de bombeiros voluntários. Sei que, nestes dias trágicos, têm andado numa roda-viva, com o fogo a rondar a cidade, como ontem à noite aconteceu. É uma luta contínua, infernal, de risco e coragem. Por um destino que parece que saíu em sorte aos portugueses, essa luta repete-se a cada ano, variando apenas na sua intensidade.
Nos meus tempos de juventude, a cidade "dividia-se" entre os seus bombeiros e eles competiam fortemente entre si (dizem-me que hoje essa rivalidade continua). À época, era-se "adepto" dos "de baixo" ou dos "de cima" (eu era dos "de cima"), por afinidades de vizinhança ou de simpatia. Recordo-me dos sinos tocarem a rebate, em frias madrugadas de inverno, com o número de badaladas a indicar a zona dos incêndios. E de ver passar, em passo rápido, em direção ao seu quartel, os homens que iam combatê-los.
Desde então, ficou-me uma grande admiração por aquela gente simples, orgulhosa nesse seu admirável clubismo solidário. Os nossos bombeiros, "de baixo" ou "de cima", em Vila Real, são hoje um belo símbolo da cidade. E, na primeira semana de cada ano, competem entre si para comemorar, com sirenes e bombos, as datas próximas dos seus dois aniversários, no exercício da sua eterna rivalidade.
Desde então, ficou-me uma grande admiração por aquela gente simples, orgulhosa nesse seu admirável clubismo solidário. Os nossos bombeiros, "de baixo" ou "de cima", em Vila Real, são hoje um belo símbolo da cidade. E, na primeira semana de cada ano, competem entre si para comemorar, com sirenes e bombos, as datas próximas dos seus dois aniversários, no exercício da sua eterna rivalidade.
