sábado, dezembro 19, 2009

Europa



 

O dos Castelos

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando


O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.


Fita, com olhar esfígico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.


O rosto com que fita é Portugal.


Fernando Pessoa (in "Mensagem")

5 comentários:

  1. Anónimo03:53

    Grande reaca, este Pessoa.

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  2. Anónimo08:42

    Europa

    Caminhando
    Num ordenamento
    Territorial
    Aos remendos
    Qual manta de retalhos
    Na procura
    Da sofisticada uniformidade
    Escorrega-lhe
    Dos meandros da indivisível Liberdade
    Da circunstância libertina
    Alheia ao poder do poder
    Que teima teimosamente na esgrima
    De uma união desagregada do Ser
    Os arquétipos
    Orgulhosos e avaros de um espaço
    Iludidos e Cegos
    No excesso de auto estima
    Esquecem o regaço
    Ostentam a soberba Num Laço
    Onde Ids,Egos E superegos
    Enlaçam ócios
    Ávidos de posse e obsessão do Ter
    E caminha velada
    Como se enganasse Alguém
    Portugal
    Na estratégica sacada
    Dorme e acorda sem insónia terminal
    E cada célula
    Cada órgão, mostram arrebatamento
    Onde Evas
    Insidiosas mordiscam
    As autorizadas maças dos outros
    Os espaços emigrantes
    Esses por preencher
    Já são por inerência pertences
    De Quem nasceu sem os Ter
    E o livre arbítrio
    Não existe
    Impedido pelo Alegre
    No mais justo Não coexiste
    O maior recanto da Europa
    Portugal Encapotado em Casebre
    Num Esperto Neurónio aberta a Porta
    Isabel Seixas


    Dos outros

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  3. Anónimo08:54

    Claro Pessoa...
    Está no meu pedestal do Inatingível
    Na minha inveja aliciante ao respeito
    Na minha única e impotente rendição
    A impossibilidade de chegar Lá
    Sequer ao Limiar do ténue Parapeito Da competência de ver esse invisível
    Que Ele escreve sem pudor como um Olá
    Isabel Seixas

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  4. Anónimo09:07

    Tenho-o...
    Em casa, nos mais recônditos recantos
    Amante, inócuo aos olhos dos Outros
    Depositário dos inóspitos segredos
    Das liberdades indivisíveis de doutos
    Conceptor de fêmeas emoções/enredos
    Imaginário onde se transcendem Antros
    Isabel Seixas

    PS Tenho a sorte de o meu marido não fazer blogoterapia.

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  5. Anónimo09:48

    Cubro de beijos
    Os teus espaços sombrios
    E são jóias sem preço
    Ardentes cálidas desvarios
    Reféns de Ti...
    Do teu Impacto, e os Beijos
    Num beijar cadente, são os brios
    De um Amar Assim
    À distancia
    Tão cheio de sem importância
    Sem tocar... sem presença
    Sem conspurcar... a ausência
    Da fria implacável vivência
    Da agrura que conduz a convivência
    Daquilo que não importa
    Que nos encerra nessa Ténue Europa
    De resíduos emocionais
    Tóxicos à margem e semelhança
    Do essencial dos ensejos,os Beijos
    Murmúrio de amores em lugarejos
    Escondidos em Mulheres atrás Porta
    Da ira de ciúmes vãos Nessa Europa
    Isabel Seixas

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