segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Maria Cabral

Era uma morena sardenta, que um dia alguém trouxe para o cinema novo que, por cá e em boa hora, tinha sido aprendido na Cinemateca de Paris, olhando o neorealismo italiano e a "nouvelle vague" francesa, vendo os americanos que importava ver, lendo os Cahiers e discutindo no Vává. Tinha no olhar uma rebeldia melancólica, um "mal de vivre" que ia bem com uma geração em transição, do rock à guerra colonial, pides pelas esquinas, muitos copos e alguma esperança.

Maria Cabral morreu, dizem, com 75 anos. Em Paris, como se deve morrer. Para mim, desculpem lá, ela terá sempre aqueles 20 anos.

3 comentários:

Rui C. Marques disse...

Bonito texto,meu caro Francisco.

Anónimo disse...

Recordar os anos do "Vává", do "Montecarlo", do "Monumental", da "Mexicana"...Como eram diferentes aqueles tempos!...

Anónimo disse...

Lamento o desaparecimento de Maria Cabral. "O Cerco" e outros filmes ficaram-me para sempre na memoria. As sardas, ao que dizem ate eram posticas, mas nao garanto porque que nao estive presente nas filmagens. Viu o filme de Alain Tanner "No man's land" (1985) - co-producao de Channel 4? Maria Cabral era agente de policia francesa e, se nao me engano, aparece no poster de um dos festivais onde o filme foi a concurso.


Cumprimentos

F Crabtree