sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel


"Condenem-me, não me importo. A História me absolverá". Passaram 63 anos sobre esta frase célebre de Fidel de Castro, no tribunal em que regime de Fulgencio Baptista julgava a sua revolta.

Fidel morreu hoje. Não é possível deixar de ligar a imagem deste homem a um sonho bonito, a uma revolta romântica que adubou as esperanças de quantos, um pouco por todo o mundo, pensavam que estavam aí, quase ao virar da esquina, "os amanhãs que cantam".

Ele foi a bandeira de uma América Latina que pretendia deixar de ser o "quintal" dos Estados Unidos. Uma revolução de cores e emoções quentes, que o tempo foi desgastando. O "internacionalismo" do seu projeto  - "um, dois, muitos Vietnams", dizia Guevara - não obteve um único sucesso, nos países onde procurou projetar-se.

Ao seu povo, Fidel trouxe, sucessivamente, entusiasmo, orgulho, esperança, alegria, saúde & educação, estagnação económica e social, desilusão, pobreza, revolta ou apatia e ausência de liberdade e de democracia - afinal, o objetivo da revolta da dignidade contra o sinistro ditador Fulgêncio Baptista, que Fidel protagonizou. 

Agora, a muitos, a hora da morte de Fidel convocará com certeza saudade, sentimento com que, quase sempre, se absolvem os mortos que um dia foram amados. A História absolvê-lo-á também?

24 comentários:

Anónimo disse...

Outro canalha, do género Pinochet, Estaline, Hitler, Suharto, etc, etc,"democratas até ao tutano".

Que repouse em boa paz comunista.

Joaquim de Freitas disse...

Poderia acrescentar outros "democratas": Salazar, Franco, Mussolini,Bush, etc, etc

Anónimo disse...

Começo por dizer que sou de Esquerda.Mas sem partido defenido. Digamos que para melhor ilustrar isto me situo algures entre a facção mais esquerdista do PS e outras opções de Esquerda. Por exemplo nunca votei PS no tempo de Sócrates. Votei Bloco e até mesmo CDU nessa época. Efetivamente Fidel já está na História Imortal da Humanidade, quanto mais não seja porque para alguns será um herói para outros um bandido. Com ele Cuba deixou de ser um prostibulo dos Estados Unidos e das Máfias dos casinos, libertou também Cuba da ignorância que viveu desde tempos imemoriais ao jugo de ditaduras fachistas. Tornou Cuba numa referência em cuidados de saude, é um dos melhores Países no que á mortalidade infantil diz respeito, fazendo corar de vergonha Países com muito mais recursos, mas que obviamente são roubados por gestores ligados a partidos burgueses e capitalistas. Tem uma população com boa escolaridade. Mas tem também uma História de repressão de oposicionistas, não escamoteio isso. Hoje vi os Cubanos de Maiami a festejar a morte de Fidel,mas lembrei-me que muitos deles só o fazem por terem saudades dos tempos em que as Mães e avós deles eram "substitutas" de americanos endinheirados que passavam fins de semana em Havana a jogarem nos casinos das Máfias. Claro que muita dessa gente continuo essa vida agora em MAiami.Resumindo foi um romãntico, que ficará para sempre na História da Humanidade. No balanço do bom e do mau, para mim tem algum balanço positivo. Ao passo que muitos dos politiqueiros por esses Países burgueses fora, nem como nota de rodapé servirão um dia.

Anónimo disse...

Fidel Castro (1927-2016): A morte muito antes do sonho! Tirou uma ditadura (1952 - 1959) e implantou outra, mais cruel e mais longa (1959 - 2016), morreu mais rico que Fulgencio. Agora os dois vermes estão juntos no colo do capeta.

Anónimo disse...

anonimo da 12:27.

Faltou o verme Luis Inácio Lula da Silva e a toda a escumalha do PT.

Reaça disse...

Foi muito bonito o que Fidel fez em Cuba e aos cubanos.
Mas trazer aquele sonho para o Alentejo, como sonhavam alguns, era muito chato.
Pior ainda em Trás-os-Montes ou alem de Rio Maior.
Nem os Angolanos nem Guineenses quiseram tal sonho.

Luís Lavoura disse...

A História absolvê-lo-á também?

A História é escrita pelos vencedores, sejam eles quais forem. Não há uma História verdadeira que possa, de qualquer forma objetiva, absolver seja quem fôr.

Anónimo disse...

Uma ditadura, que se se tivesse tornado democracia teria sido derrubada e transformada numa mais sinistra ditadura (a la falcões americanos).
Ainda assim, para quem conhece um pouco da América Latina, sobretudo da América Central, a miséria cubana (tão bem publicitada por todos e mais alguns) ficava a léguas da miséria de muitos dos seus vizinhos, sobretudo evidente nas classes mais baixas.
Tive pena que a abertura do regime não tivesse sido feita mais cedo e que a Europa não tivesse sido mais interventiva nesse processo.

Dalma disse...

A Yelena, minha amiga cubana, que hoje vive no Canadá e com quem convivi durante um ano, que conseguiu fugir de Havana pese o " bom" lugar de recepcionista num hotel, o que ela me contou!! Felizes dos que conseguiram atingir Key West e que hoje festejam o acontecimento!

Anónimo disse...

Ao anonimo das 12:27

Meter tudo no mesmo saco nao e boa ideia.Veja la nao apanhe gambozinos!!!

Bom fim de semana

F. Crabtree

Anónimo disse...

"12:27" esqueceu-se de todos os canalhas que mandavam para lá da cortina de ferro, no paraíso comunista. Também se esqueceu de todos os patifes que destruiram, destroiem e destruirão África, nomeadamente em nome das mesmas loucuras do camarada Fidel.

Mas, é claro, não nos podemos lembrar de todos. São tantos os canalhas.

Por falar em cubanos: eles alguma vez pagaram as fábricas que desmontaram em Angola e levaram para Cuba?

Joaquim de Freitas disse...

Para medir a dimensão do personagem, é preciso contextualizar. Cuba é uma pequena ilha, não é um pedaço do ex-império soviético que teima a sobreviver sob os trópicos.
Os Estados Unidos intervieram mais de 190 vezes na América do Sul, uma única expedição fracassou, a de 1961 em Cuba.
A invasão mercenária da Baia dos Porcos, para tentar de derrubar Fidel Castro.
Os arquivos da CIA atestam mais de 600 tentativas de assassinato da parte dos Estados Unidos . Durante 50 anos, e ele resistiu-lhes.
Fidel foi o libertador, o emancipador, o federador, permitiu a afirmação duma Nação, que antes era um bordel, um bar imenso da Máfia, e dos Americanos em geral. Como foi Saigão, que conheci, como foi Manila, que conheci, como foi Banguecoque, que conheci, e tantos mais.
O Castrismo nasceu duma reivindicação de independência nacional, a Revolução foi o fruto duma historia nacional. Fidel duma certa maneira inventou Cuba. Foi historicamente o fundador, o cimento, porta uma legitimidade histórica que ninguém lhe contesta. Como Mandela, que era seu Amigo.
Houve em Cuba, é verdade, uma forte personalização do poder, resultado do carisma deste homem excepcional e do papel que desempenhou no processo histórico, da sua relação directa com o povo, da agressão permanente dos Estados Unidos.
Imaginemos o que teria sido Cuba se tivesse podido viver em paz com o vizinho.
A História notará que foi um dos gigantes políticos do XX° século, e que a fauna de todos os anti castristas é bem pequena ao lado deste colosso. O seu combate permitiu a eclosão duma nova América Latina, que perde hoje uma legenda.

Anónimo disse...

uma rumba para quem a quiser ouvir

https://www.youtube.com/watch?v=SEvWOs8AWAA

Anónimo disse...

a festa que não deve estar em casa dos silva pais deste pais!....

http://www.rtp.pt/noticias/pais/familia-do-pide-silva-pais-perde-processo_n463520

Anónimo disse...

Será que a maioria destes comentadores anti-Fidel, na juventude chegaram a graduados da Mocidade Portuguesa?

Anónimo disse...

"26 de novembro de 2016 às 22:21" - os ventos de mudança não lhe tiram a areia dos olhos, pobre coitado.

Anónimo disse...

Cito Pedro Marques Lopes no DN:

"(...) assistir a pessoas que, na mesma semana, se mostram amedrontadas com populistas miseráveis como o Trump, o Farage ou a Le Pen e defendem um torcionário como o Fidel diz tudo sobre a consistência dos seus valores ou, pior ainda, faz duvidar se verdadeiramente defendem os mesmos que qualquer democrata."


Na mosca! Já sabemos de que são feitas as preocupações dos comunistas...

iseixas disse...

Uma excelente reflexão.
Não consigo discernir se Fidel teve outra alternativa, não consigo discernir se Fidel conseguiria implementar um modelo de saúde e educação para todos sem recurso a medidas totalitárias e conseguindo através de plasticidade incrementar os direitos humanos do ser individual e igual a si próprio sem aprisionar a liberdade do outro ser social...

também não sei se a amiga de tivesse nascido na casta dos desiguais dos que nascem pobres até de de fi ciências físicas financeiras dos azares, se continuariam a advocacia do nascer à mercê da liberdade do quem tem unhas toca viola sem unhas e sem viola...

Não sei, que o Fidel era um chato do caraças naquela teimosia do arrogar-se o direito de fazer discursos para além do bocejo do ultimo vespertino, ó se era... era um seca, só queria falar ele.

Agora contra factos não vale a pena esgrimir argumentos, rendo-me à lucidez do seu post dos comentários do meu amigo que sempre tenho em consideração os comentários pelo conhecimento intrínseco Joaquim de Freitas e do anónimo que se diz de esquerda com quem me identifico.

Anónimo disse...

Canalha, pulha, ditador, revolucionário, sonhador, idealista, e mais dezenas de adjetivos ... chamem-lhe todos os nomes que quiserem (ele nunca os ouviu e agora muito menos ...). Não me importo. Não me melindro. Não me alegro. Uma coisa digo: Fidel faz parte da minha história.
Estou aqui a escrever estas linhas insignificantes e a ele devo. Salvou-me a pele, permitiu-me a vida. Por isso, o meu agradecimento eterno a Castro.

Hasta siempre, Comandante!

Anónimo disse...

"(...) não consigo discernir se Fidel conseguiria implementar um modelo de saúde e educação para todos sem recurso a medidas totalitárias"

Se qualquer pessoa de cabeça sã não fica assustada com isto...

Joaquim de Freitas disse...

27 de novembro de 2016 às 23:01

Basta ver como o sonho de Obama foi torpedeado pela direita pura e dura dos Republicanos, no Congresso americano, para implementar uma espécie de Segurança Social “à la française”. Hillary Clinton tinha feito uma visita em França para a estudar de perto e copiar nos EUA eventualmente.

Basta ver o programa do partido da direita francesa, que elegeu ontem François Fillon como candidato à presidência da Republica, em 2017, cujo programa contém nada menos que o desmantelamento do sistema de saúde, com excepção do “cancro e outras doenças graves” sem as explicitar.

O que quer dizer que as outras doenças seriam a cargo de “seguros doença” que os interessados serão obrigados de contratar. Este é o grande bolo que as companhias de seguros esperam, desde há muito.

Parece-me impossível que os Franceses possam em 2017 aceitar o retrocesso, aceitando um plano de austeridade, no momento em que os Americanos elegeram Trump em claro protesto contra aquela que assola a América desde 2007, e os Ingleses votaram no Brexit pelas mesmas razoes. E que provavelmente, os Italianos rejeitem o governo actual ainda pela mesma razão.

Se os EUA e a França restam países onde se resolvem os problemas nas urnas, Castro, em Cuba, face à classe burguesa que tinha todos os privilégios, que foram obrigados a deixar o poder, e que continuavam a receber o apoio dos Americanos, não tinha nenhuma hipótese para implementar uma política social avantajosa para os mais desfavorecidos, sem passar pela forma autoritária.

A democracia é o melhor dos sistemas quando todos a respeitam. Mas a história provou que em toda a América Latina, os regimes democráticos foram abolidos pelos golpes de Estado da classe que possui tudo, sempre com o apoio ou mesmo à iniciativa da CIA.

Anónimo disse...

Quantas viuvinhas chorosas desse lixo humano, com a morte de Castro, agora definitivamente acabou o séc. XX. Castro o último bastião podre do século passado.
As viuvinhas por que não foram morar lá ao lado do estrume no paraíso do comunismo para o povo, para ele o melhor do capitalismo.

Joaquim de Freitas disse...


Ao anonimo das 23:01


O problema da saùde é um problema da mais alta importância para a sociedade. Em paises desenvolvidos resta a grande batalha que nunca mais acaba, entre aqueles que a querem transformar em mercadoria, e os outros que compreendem a vulnerabilidade dos humanos na doença, e que nao se podem abandonar aos apetites financeiros.

E quando a politica procura "servir" estes apetites, a revolta impôe-se.

Para o hospital, a medida suprema de François Fillon , que representa bem a Direita, é o regresso às 39 horas por semana, pagas 35… » Toda a gente deve fazer um esforço, trabalhar mais e ganhar menos . Não aceito que se diga outra coisa” diz ele…

Palavras que vão incendiar a França dentro de alguns meses. E o incêndio começará lá onde a França é exemplar, com justa razão, apesar das dificuldades: a SAUDE PUBLICA.

Uma enfermeira escreveu ao futuro candidato da Direita :

Carta para ti, Pobre homem, Bem agasalhado, ao quente, para ter ideias de Merda como esta.
Vem aos hospitais,
Veste a nossa bata branca durante alguns dias,
Põe-te ao nível profissionalmente, humanamente..como nós face aos nossos doentes quotidianamente.

Enfrenta as dores físicas destas pessoas,
Aos seus sofrimentos psicológicos,
Aos falecimentos, por vezes,
Levanta-te às 5:15 como eu,
Trabalha com eles todas as semanas,
Regressado a casa pensa neles,
Luta com a hierarquia como eu para te fazer financiar a formação dos teus sonhos.
Enfrenta a insegurança e a agressividade da nossa profissão (penso na colega selvagemmente assassinada esta noite, paz à sua alma, e penso na colega traumatizada para a vida).
E depois, falaremos da tua ideia de Merda.
Em contrapartida, nota bem que apesar desta ideia estúpida, sem nenhum senso, sem um átimo de humanidade, de empatia, apesar de tudo isso, apesar de toda esta estupidez, nunca me arrependerei da minha profissão, sou profissionalmente da saúde e orgulhosa de o ser.”

Joaquim de Freitas disse...

Ao anonimo das 10:23:

Và à Guatemala ver o que os Cubanos nao quiseram do mundo dito livre e preferiram a "pobreza" de Castro.