sexta-feira, 24 de abril de 2015

Questões incómodas


É dos livros que o comentador dá a sua opinião, na esperança de convencer o leitor. Não é o caso deste texto. Tenho apenas duas questões. Aliás, incómodas.

Nos últimos dias, todos fomos abalados pela tragédia humanitária no Mediterrâneo. Assistimos aos esforços dos dirigentes europeus para montarem uma operação que, simultaneamente, abra as portas da Europa a um número limitado de migrantes que lhe chegam do norte de África, somada a medidas restritivas ao tráfico de pessoas que, praticamente todas as noites e desde há anos, tentam dar às costas do eldorado continental em que vivemos, para atravessar a fronteira da miséria.

De certo modo, é uma decisão “envergonhada”: procura evitar-se a repetição das tragédias mas, no fundo, o que se tenta é pôr cobro à entrada desses migrantes. Como “compensação”, cria-se uma espécie de quota, que sossega as consciências. É esta a solução possível? Haveria outra? Deixar entrar toda a gente? Não sei.

Se olharmos bem para a origem geográfica destas migrações, facilmente concluiremos que é a permissividade da costa da Líbia que hoje as favorece. Naquele país não existe algo a que possamos chamar um Estado, pelo que os cidadãos da África subsaariana que o atravessam têm bem melhores condições do que as que existiam no tempo de Kadhafi para se entregarem às mãos dos traficantes, para as suas sinistras jornadas marítimas. Recordo que fomos “nós”, a Europa, quem liquidou Khadafi.

Daqui decorre a segunda questão, a que também não sei responder.

A rejeição das barbáries de Saddam Hussein sobre o seu povo estiveram por detrás da justificação do seu derrube. Desaparecido o ditador, o Iraque e a região caíram num caos e, centenas de milhares de mortos depois, ali se abriram as portas para o sinistro Estado Islâmico.

No Egito, todos olhámos com esperança para a “primavera árabe” que emergiu da praça Tahrir, que derrubou Mubarak e possibilitou eleições. Depois, foi o que se viu: a experiência democrática levou os radicais islâmicos ao poder, os quais, de imediato, tentaram hegemonizá-lo. Regressaram os militares e o mundo ocidental parece hoje aceitar, embora de sobrolho democrático cerrado, o novo regime ditatorial.

Quem é que quer responder a esta questão? É preferível conviver com um ditador, por mais sinistro que seja, que preserve uma estabilidade nacional e regional pela força ou, por um proselitismo democrático, devemos arriscar abrir as portas ao caos?

Temo que, um destes dias, venhamos a ser tentados a repetir a frase de Franklin D. Roosevelt sobre o ditador nicaraguense Somoza: “Ele pode ser um filho da puta. Mas é o nosso filho da puta”.

(Artigo que hoje publico no "Jornal de Notícias")

22 comentários:

Anónimo disse...

"Son of a bitch" é mais "filho da mãe".

"Filho da puta" seria "mother fucker".

Joaquim de Freitas disse...

O Senhor Embaixador tem razão : Que o Ocidente limpe a porcaria que semeou na Líbia, no Iraque , na Síria e por todo o lado onde os interesses americanos se impuseram.

Não, o Senhor Embaixador não tem razão quando escreve : " A rejeição das barbáries de Saddam Hussein sobre o seu povo estiveram por detrás da justificação do seu derrube."

Se não houvesse petróleo no Iraque, os Americanos não teriam derrubado Saddam, como não derrubaram até hoje o ditador da Coreia do Norte, e outros ditadores no mundo.

E o ditador de Riyadh, que decapita os prisioneiros, lapida as mulheres adúlteras, não é derrubado porque o comércio das armas e o petróleo passam antes dos direitos do homem.

Era vital para os EUA controlar o petróleo iraquiano, porque o do Irão lhe escapou! E que o da Arábia Saudita está ameaçado pela guerra entre Chitas e Sunitas. Se a maior base militar americana na região não estivesse implantada na Arábia Saudita, já há muito que também esse lhe tivesse escapado.

Quanto à Líbia, a ameaça de fome, a derrocada da economia e a probabilidade de desintegração nacional são as realidades de hoje após a "lição de democracia" do Ocidente!

Não sei se ainda existe uma "chance "de repor este país na via da paz, após 30 000 ataques aéreos que reduziram em ruínas 11 cidades do país, que o Ocidente tinha prometido reconstruir com a promessa de 10 000 milhões de $, mas que continuam no caos.

Os emigrantes são a preocupação dos humanistas mas não dos políticos , que sabem que a solução reside unicamente numa política de desenvolvimento dos países em causa. Mas se estes países não têm nada para oferecer à gula do Ocidente, os povos podem morrer tranquilamente à sombra dos baobabs... ou no Mediterrâneo.

Anónimo disse...

Ó Freitas, e não se pode enviar esta gente para Cuba ou para a Rússia? Esta última é tão grande que cabiam lá mil Malis.

Anónimo disse...

Perante a sua tese, bem se pode aplicar aquele ditado: "ter sido pior a emenda do que o soneto"... em relação às políticas do passado.

Zuricher disse...

Só são questões incómodas para quem não tem as suas prioridades bem definidas e, nomeadamente, não tem a vida humana como valor supremo, subordinando-o a ideiais e utopias políticas.

Evidentemente que entre o caos e um ditador é preferivel o ditador. Com uma agravante, particularmente no caso Libio. A sociedade Líbia era a que tinha melhores condições de vida em toda África. Com a derrocada de Khadaffi tudo isso caiu por terra e destruiram-se um país e uma sociedade até então prósperos. Mas, claro, tudo a bem das utopias sonhadoras e dos princípios democráticos.

Vidas humanas? Bem estar? Expansão do islamismo? Que se dane tudo isso a bem dos princípios, é o que parecem pensar alguns. Muitos, demasiados, infelizmente.

Luís Lavoura disse...

É preferível conviver com um ditador ou, por um proselitismo democrático, devemos arriscar abrir as portas ao caos?

A minha resposta é simples: não devemos ter qualquer espécie de proselitismo! Devemos conviver (e fazer negócios) com toda a gente. Não nos devemos ingerir nos assuntos internos de outros países! Nem fazer quaisquer boicotes económicos ou financeiros.

(O único boicote que eu admito, de bom grado, é à venda de armas.)

Anónimo disse...

O cinismo europeu é de bradar aos céus!!!

No caso português já fomos invadidos por angolanos, moçambicanos, cabo verdianos, santomenses, guineenses, numa primeira fase e que foram ficando por cá. Depois vieram os ucranianos, moldavos, bielorrussos, georgianos, e foram ficando por cá. Agora temos a ideia de receber líbios, sudaneses, ganeses, e....que vão ficando por cá.

Tudo isto depois do 25 de Abril, pois antes disso, António e Américo jamais permitiriam.

Entretanto os portugueses vão ficando cada vez mais depauperados e desempregados.

E que tal a UE, os EUA,.....deixarem de fornecer armamento a todos esses Países?

Anónimo disse...

Como o Joaquim de Freitas escreve bem. Pena que nenhum político o leia ou o queira ler!

Digamos que não interessa...

Retornado disse...

Esta desgraça mediterrânica começou com o meu retorno.

Europa acobardou-se e ficámos só nós a colonizar orgulhosamente sós.

Agora os africanos vêm pedir responsabilidades sobre a catástrofe que é aquele continente.

Não se pode viver mais em certas cidades africanas.

Amanhã é dia de ir em romaria a Santa Comba.

Ele bem avisava que aquele continente não se podia abandonar.

Anónimo disse...

o espírito CIA/tea party anda em todo o lado, até no "24 de abril de 2015 às 11:51"

Carlos Fonseca disse...

Anónimo das 19:00,

O espírito a que se refere inundou esta caixa de comentários.

A aplicar a política do António e do Américo, tão exaltada por um dos comentadores, o autor do blogue, teria, provavelmente, usado o lápis azul.

patricio branco disse...

a italia, espanha e grécia são os heróis desta triste historia, estão na linha da frente e têm assumido as suas responsabilidades. mereciam quase o nobel da paz. que mais podem fazer?
falta é solidariedade dos países do norte, que acabam por apanhar a onda na mesma mais cedo ou mais tarde.
se isto assim continua, e vai continuar, há de tudo nesses barcos, desde infiltrados jiadistas, agentes das mafias angariadoras, verdadeiros aspirantes a emigrar para uma vida melhor e mais decente.
mas como fazer? criar hinterlands para os alojar? Abrir os braços e deixar entrar milhões?

Antonio Cristovao disse...

Continuo sem entender porque os beneficiarios e mentores dos ataques ao petroleo do Kadafi e da politica na Siria não são confrontados pelos restantes dirgentes dos países europeus que nunca concordaram com esses roubos,para assumirem a maior cota parte nas responsabilidades da desgraça que se instalou.
A UE só pode ter uma posição, se for a UE que eu me orgulho de viver. Proteger as pessoas da guerra, dos bandidos e da fome. Todo o paleio de diplomata que queira esconder isso deve ser denunciado pelos cidadãos que amam ser livres.
Nunca se revoltou com a invasão do Iraque? mas olhe que fez e faz mal; e não é preciso ver muito bem para se aperceber da desgraça que se tornou o roubo do petroleo iraquiano.

Joaquim de Freitas disse...

Gostei do comentário do Senhor Carlos Fonseca :
"Anónimo das 19:00,
O espírito a que se refere ( CIA/Tea Party) inundou esta caixa de comentários.
A aplicar a política do António e do Américo, tão exaltada por um dos comentadores, o autor do blogue, teria, provavelmente, usado o lápis azul.
24 de abril de 2015 às 19:30"

Gostei porque é lúcido. Vêm-se alguns por aqui que estão prontos para atacar aquele caminhante que vem avisar que o lobo circula nas paragens ... A maior parte do tempo colocam-se em emboscada na obscuridade do pseudónimo . Acompanhá-los nos seus combates ou seguir os conselhos do ouriço cacheiro para atravessar a estrada é igual!
Estes "ersatz" de anarco-fascistas têm um polícia na cabeça ! Dizem-se livres, libertários, livres pensadores, soldados da liberdade e da renovação da Pátria , contra a censura, mas amordaçarão tudo o que passar ao seu lado.

Como para Sara Palin, as armas são a primeira liberdade, mesmo para matar os ursos do glaciar, por desporto! Mas também para assassinar os Negros na rua.

Se pudessem seriam "kapos" da Internet e de todos os medias. Neste momento começam a rastejar. Pesam pela sua maleficência anónima. Cuidado com eles.

Melhor que a cegarrega do leproso, eles anunciam-se pelo ruído das algemas suspensas no cinto.
Polivalentes, serão policias, juízes e grumos , tudo duma vez. Quando o tempo virá, poderão ser carrascos e torturadores se necessário. Reinventar a PIDE será fácil. Por isso há aqui alguns que sonham do regresso do António. Amanhã, 25 de Abril, muitos ainda vão escumar. De Raiva!

Isabel Seixas disse...

Apenas aplicar com rigor e como lei universal a Declaração Universal dos Direitos Humanos, criminalizando quem não cumpre...


Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana
e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no
mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a actos de
barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres
humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais
alta inspiração do Homem;
Considerando que é essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito,
para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos
fundamentais do Homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos
homens e das mulheres e se declaram resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar
melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a
Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos do Homem e das
liberdades fundamentais;
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância
para dar plena satisfação a tal compromisso:
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal
dos Direitos Humanos
como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e
todos os orgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela
educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas
progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos
tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios
colocados sob a sua jurisdição.

Isabel Seixas disse...

Sr. Embaixador
já agora se me permite, só para lembrar

Deveria ser obrigatório decorá-los mais que a tabuada, ou o Pai nosso,
mais que o Credo ou as Avé Marias

e tanto ou mais que a trova do vento que passa


Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de
consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Artigo 2°
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente
Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de
opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer
outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico
ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território
independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Artigo 3°
Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4°
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob
todas as formas, são proibidos.
Artigo 5°
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Artigo 6°
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade
jurídica.
Artigo 7°
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm
direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra
qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8°
Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os
actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
Artigo 9°
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 10°
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente
julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das
razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.
Artigo 11°
1.Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade
fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias
de defesa lhe sejam asseguradas.
2.Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não
constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será
infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi
cometido.
Artigo 12°
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na
sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques
toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
Artigo 13°
1.Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um
Estado.
2.Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito
de regressar ao seu país.

Artigo 14°
1.Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros
países.
2.Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de
direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 15°
1.Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
2.Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de
nacionalidade.

Isabel Seixas disse...

Artigo 16°
1.A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem
restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua
dissolução, ambos têm direitos iguais.
2.O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
3.A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do
Estado.
Artigo 17°
1.Toda a pessoa, individual ou colectiva, tem direito à propriedade.
2.Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito
implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a
religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela
prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não
ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de
fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.
Artigo 20°
1.Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
2.Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo 21°
1.Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios, públicos do seu país, quer
directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2.Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
3.A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se
através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto
secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
Artigo 22°
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente
exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço
nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
Artigo 23°
1.Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e
satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
2.Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
3.Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua
família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os
outros meios de protecção social.
4.Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos
para defesa dos seus interesses.
Artigo 24°
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da
duração do trabalho e as férias periódicas pagas.

Isabel Seixas disse...

Artigo 25°
1.Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e
o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência
médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego,
na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência
por circunstâncias independentes da sua vontade.
2.A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas
dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma protecção social.
Artigo 26°
1.Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente
ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional
dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena
igualdade, em função do seu mérito.


2.A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do
Homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade
entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das
actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
3.Aos pais pertence a prioridade do direito de escholher o género de educação a dar aos filhos.

Artigo 27°
1.Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as
artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
2.Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção
científica, literária ou artística da sua autoria.
Artigo 28°
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de
tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.
Artigo 29°
1.O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno
desenvolvimento da sua personalidade.
2.No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações
estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos
direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública
e do bem-estar numa sociedade democrática.
3.Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente e aos fins e aos
princípios das Nações Unidas.
Artigo 30°
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para
qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de
praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

Catinga disse...

Concordo com a referência à Rússia. Se pensarmos no que foi a ação perniciosa da União Soviética, o seu colonialismo em África e a desgraça que a Guerra Fria (da qual era parte essencial) alimentou, podemos, de facto, pedir que o maior país do mundo também participe na solução para os problemas que ajudou a criar.

7ze disse...

Caro senhor embaixador

Ouso esboçar respostas às suas perguntas.

1) Deixe-se entrar e sair toda a gente. A livre circulação é como o livre comércio, beneficia a todos. A Europa é um continente envelhecido. As aldeias portuguesas morrem de abandono, muitas casas e terrenos sem dono, na cidade e no campo. Repovoem-se de sírios, líbios, guineenses, indianos, quem quiser alinhar num novo melting pot. Combater a xenofobia faz-se nas mentes. A imigração é uma coisa boa. Dinamiza os países em crescimento. Por isso os portugueses emigraram para a Europa, com o Plano Marshall, tal como os tios tinham emigrado para o Brasil. Os imigrantes não nos vêm tirar o pão, vêm ensinar-nos a cozê-lo de maneira diferente, abrir-nos horizontes, partilhar outras vivências, ajudar-nos a fazer a ponte, por comparação, com outras culturas e com o mundo, modesto contributo cosmopolitano para contrariar o provincianismo endémico. Venham as united colors, reatemos novas relações de confiança e menos hipocrisia com as outras nações, saibamos criar o nosso lugar identitário e universalista na Nova Ordem Mundial tripolar que se anuncia. Pessoalmente, julgo que o Senhor Embaixador optaria por esta solução, não fosse o pernicioso pragmatismo, deformação profissional contraída por muitos anos de exercício da profissão ao serviço de incompetentes.

2) Parece-me redutor entrar em maniqueísmos: «ou eu ou o caos» é uma proposta de triste memória... O caos já temos. Ou, como diplomata (o médico do mundo) acha que este anda bem? Talvez esteja na altura de mexer a um outro nível, de maior consistência. Não me parece correcto presumir entropia na opção adversa. Há muitas maneiras de perguntar. Não será preciso ensinar o padre nosso ao cura: «Vai votar no Presidente, não vai?» é muito diferente de «Não vai votar no Presidente, pois não?». Tendo descartado o facciosismo na declaração de consciência inicial, e tratando-se de simples questões desapaixonadas, a sua formulação parece-me no entanto claramente tendenciosa, contendo uma subtil alusão moralista em relação a Angola. Mesmo compreendendo o seu parti pris, bem como a abordagem «diplomática» (decerto estudou os mestres, como Tayllerand), vou tentar, assumindo-me como propagandista, convencê-lo a não fechar quaisquer portas. Em Angola, o ditador não é apenas sanguinário, é totalitário de uma forma que Kadafi não foi. Kadafi apostava na educação das pessoas, muitas vezes no exterior. Apostava no africanismo. No entanto, na Líbia, não se assistiu à consolidação dessas novas elites, com o peso da hierarquia tradicional e com a sociedade refém da subversão com origem no exterior. Já em Angola, apesar do que clama o ditador, a «metaversão» (prefiro usar esse termo a subversão, porque isso é o que faz o ditador, atropelando Lei e Direito) é apenas e exclusivamente de origem interna. Depois de tantos anos de organização clandestina ou semi-clandestina, Angola gerou uma fornada de jovens promissores, uma geração de luxo, treinada na resistência à mentira e que aprenderam a pensar pela sua própria cabeça. Portugal só tem a ganhar em acabar com as ineficiências (para evitar outros nomes menos diplomáticos) perdulárias do regime angolano. Claro que o modelo terá de mudar: as coisas terão de ser feitas na base do respeito e de uma verdadeira partilha e não na base da autoridade e arbitrariedade.

Esperando que não tome por inconveniente o presente comentário, renovo a manifestação da elevada estima por Vossa Excelência

Joaquim de Freitas disse...

Comentando Isabel Seixas, com os meus cumprimentos.

Toda ideia, tão legítima seja ela, como os direitos do Homem, corre o risco de ser transformada em ideologia e ser utilizada pelos poderes públicos " en place" para fins que lhe são próprios.
Exactamente o que acontece com os direitos do Homem quando ela se transforma em legitimação da ingerência militar unilateral e que apoia a rejeição do direito internacional.

Durante o período colonial, a dominação ocidental sobre o mundo foi justificada pelo cristianismo ou pela "missão civilizadora" do Ocidente. Depois da descolonização e o fim da guerra do Vietname, foi um certo discurso sobre os direitos do Homem, misturado a uma representação particular da Segunda Guerra Mundial, que desempenhou este papel.

Esta ideologia conseguiu mistificar e enfraquecer os movimentos progressistas ou pacifistas que procuravam opor-se às agressões ocidentais e às estratégias de dominação. Foi uma espécie de cavalo de Tróia ideológico do intervencionismo ocidental no seio dos movimentos que lhe são em princípio opostos.

Exemplos : Nenhuma ou quase nenhuma oposição à guerra de Jugoslávia, "guerra humanitária" por excelência. O que permitiu de criar o Kosovo e de "passar "a Eslovénia à Alemanha ,gratuitamente ...

Quem não conhece Guernica ? Fallujah, no Iraque, cidade de 300 000 habitantes completamente destruída, privada de água, viveres e electricidade, foi Guernica sem Picasso. Quantos editoriais nos media do mundo ?

Os direitos do Homem tinham passado por perdas e benefícios!

Hoje, os direitos do Homem chamam-se " Direitos do Homem Business". "O Grande Mercado dos Direitos do Homem"

Anónimo disse...

Não foi o Franklin, foi o primo, o Theodore