quarta-feira, 8 de maio de 2013

Honra

Achei muito estranha a reação surgida em alguns setores quanto ao pedido feito às crianças que ontem fizeram exames do 4º ano de subscreverem uma declaração segundo a qual não levavam telemóveis para a sala onde faziam a prova.

Quem é que tem medo que as crianças comecem a entender, desde cedo, o conceito de verdade e de honrar a palavra?

14 comentários:

Manuel Leonardo disse...

" Honra "
Eu acho muito bem ja' que os bons exemplos veem de cima .
Manuel Joaquim leonardo
Peniche Vancouver Canada

Anónimo disse...

Ó Senhor Embaixador, essa conversa de prezar a verdade e honrar a sua palavra não é para este nosso mundo de empreendedores, desculpe lá, mas Vexa ainda não percebeu destas mercearias.

a) Feliciano da Mata, negociador de fundos soberanos

Anónimo disse...

Acho estranho o Sr. Embaixador achar estranho.
Ainda bem. Gosto de ver que, por vezes, raramente, coincido com as suas ideias politicas.
Assim, também me vou sentindo mais seguro ao ver os “consensos” que por aí vão, por ex., na sic, entre Drª Manuela Canavilhas e o Prof. Fausto Quadros… Este tem uma opinião e aquela a contrária…

Mas, devem ser “erros” de paralaxe…

São disse...

Se calhar há duas hipóteses:

- a bem intencionada, que pensará ser um acto pedagógico errado

- a mal intencionda, que é que quem não tem honra não ache boa ideia começar a ensinar as crianças a ter esse conceito.

Os meus respeitos

Luis Filipe Gomes disse...

O conceito de Honra, de compretimento com a palavra dada e de cumprimento do compromisso assumido são apreendidos na mais tenra idade. Creio mesmo que em fase anterior a este período inicial de escolaridade de 4 anos.
Mas há quem também pense que entre pessoas leais, os príncipios elementares de honestidade não carecem de contrato escrito.
O desempenho justo é um percurso que não se pode confundir com um acto simbólico isolado.

Anónimo disse...

Concordo em absoluto com o seu pos!

"De pequenino é que se torce o pepino."



Alexandre

Anónimo disse...

"É em pequenino que se torce o pepino". Assim dizia a minha avó, em relação aos netos, nos anos 40.
Não é nada demais essa exigência... quando os pais não querem ou não ou não sabem ensinar bons princípios.

Anónimo disse...

Se assinares o papel e não cumprires eu...? a) currículo manchado impeditivo de entrada nos melhores colégios; b) vedado o futuro acesso ao funcionalismo público; c) Coima a ser posteriormente deduzida (atualizada à taxa de inflação); d) Chumbo na 4ª classe?
Haja paciência.

António Nunes

Anónimo disse...

Por acaso, até concordei com a medida de prevenção dos telemóveis ficarem de fora porque muitos pais estão mais interessados em ensinarem os filhos a enganar o próximo para se "safarem" na vida... A "honra" está em vias de extinção, para mal da sã convivência em sociedade.

Isabel BP

papoila disse...

Concordo em absoluto com o seu post, foi bem explicado às crianças qual o significado da assinatura e como eles são seres simples e inteligentes aceitaram sem complicações e felizes!
Sem dramas, sem traumas!!!!
Maria

Anónimo disse...

...Precisamente em nome da construção de uma boa noção de compromisso, é que me parece que a sua aplicação não deve ser banalizada, como me parece ser o caso. Além disso esta questão suscita-me uma outra que me parece que está a passar por entre o ruido: a insistência na inversão do ónus da prova!Voltamos à tese do pecado original: todos somos potenciais meliantes; e para expiar essa culpa temos de fazer prova diária de honestidade! A coisa é de tal forma que até uma empresa privada ( Vodafone) me exige uma factura da EDP para comprovar que a morada que declaro ao contracto é a correcta. O compromisso agora inventado agora para vem ajudar a percepcionar como "normais" este tipo de atentados quotidianos ao direito de cada um à sua honra, isso sim !

MRocha

João Pedro disse...

O que não percebo é como é que crianças da 4ª classe têm telemóvel. Depois queixamo-nos que a vida está muito dispendiosa.

Anónimo disse...

Aqui em Londres ouvi ontem falar nessa historia dos telemoveis- sala de exames- quarta classe, mesmo antes de abrir o seu blog. Comecei por ficar algo confusa. Nao me passou sequer pela cabeca que alunos - seja da primaria, secundaria ou mais alem possam levar telemovel para o exame. O facto de criancas tao jovens usarem telemovel tem muitas vertentes e muito que se lhe diga. Depende da crianca, do agregado familiar, onde vivem, etc, etc. Tambem e certo que toda a vida- com exito, risco e punicao se recorreu a cabula. Aproximando-me dos 70 anos lembro os varios tipos de cabulas que circulavam no meu tempo, de acordo com a necessidade,imaginacao ou ingenuidade do malandro. Era certamente necessario tempo e alguma aplicacao: papel fino mas resistente,enrolado com pericia, de comprimento inferior ao da palma da mao ou entao dobrado em harmonio ou "laporello" agora tanto em moda, lapis fino mas nao duro. Muitas vezes trabalho de equipa de 2,3, ssei la,a consumir laranjada "Bucaco" ou "Orangina", pasteis de nata ou bolos de arroz, as variants eram inumeras. Requeria paciencia, determinacao, espirito de equipa, trabalho aplicado e,por vezes, grande surpresa, depois desse esforco nem era preciso consultar a cabula, ja estava memorisado o essencial.

Isto para chegar aos telemoveis- ou sao basicos, sem internet, google ou quejandos e o "artista" tem que mandar sms ao dedicado protector (familiar ou amigo)de service em casa no terreiro ou entao entra nas sofisticacoes dos blackberries, iphones ou la como se chamam, perdem um tempo precioso e ainda tem que saber analisar o que o google quer dizer. Estamos numa sociedaxde de "google it"!

Eu reconheco ser radical nesta materia mas tenho ganas de ir com uma sacola no inicio de concertos, filmes, exposicoes e dizer "Metam os telemovis no saco, sff, a saida tirem o dito do saco e talvez tenham a surpresa de um upgrade...". Sera velhice, mau feitio, nao e certamente embirracao com as novas tecnologias - quem me dera saber mais...

Bem, calma, boas provas, bons resultados, durmam bem "good night and good luck", aqui de Londres

F. Crabtree

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, que falta me faz os seus textos, que tão bem exprimem a sua análise ao nosso quotidiano social, assim como quando disserta pelos tempos atrás da sua vida, ou das pessoas que conheceu por esse mundo... A isto em português chamamos saudades. Faço votos para que nada de menos bom lhe tenha acontecido. Isso seria bem pior do que o "resto" a que já nos vamos habituando!