segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ainda o consenso

Os apelos ao consenso político, como por aqui já se notou, têm estado no centro do debate público dos dias que correm. A necessidade de tentar alargar a base de apoio, político e social, para a execução de novas medidas de austeridade levou o executivo a procurar chamar a um novo modelo de consenso o principal partido da oposição e os parceiros sociais. O tempo e o modo de surgimento destes apelos foram bem percebidos por esses destinatários e, naturalmente, não deixaram de determinar a forma como por eles foram recebidos. 

Porém, as últimas horas vieram confirmar que, afinal, continua ainda por obter um outro consenso, a ser feito a montante das próprias declarações do governo. Uma vez mais, ficou claro que a falta de consenso político começa por se verificar, desde logo, no âmbito da maioria que suporta o executivo. E não escapa a ninguém que isso condiciona fortemente a credibilidade do discurso deste último.

Se, como tudo indica, esta coreografia declaratória, aliás desenvolvida por todos os lados do espetro político, é, nos dias de hoje, essencialmente "para alemão ver", imagino a perplexidade que deve existir nas mentes geometricamente formatadas de Berlim quanto ao que por aqui se passa. Por isso, confesso que teria uma imensa curiosidade em ler o teor do telegrama que o embaixador alemão vai, daí a poucas horas, mandar para a sua capital. Pior: temo mesmo poder antecipar o que ele vai dizer. 

10 comentários:

Anónimo disse...

Sie spielen, wir fuhren

a) Bortschafter


Via Serviços Secretos Portugueses, Going on, coming soon

freitas pereira disse...

Mas, Sr. Embaixador : O consenso democrático exige a justificação da sua legitimidade! Aqui é que está o problema. Procura-se o consenso político quando a dificuldade de governar é tal, que se procura alargar a base para assim fazer passar as leis que uma maioria parlamentar não consegue impor.
Decide-se, fazem-se as leis em função das diferentes partes. Mede-se pela força do voto esta força consensual. O papel dos políticos é então de garantir o respeito do processo de consenso e não de impor o seu sistema de valores pessoais. A consulta politica deixa de ser um match de futebol ou mesmo de boxe, com um vencedor e um vencido. Já não será como numa democracia arcaica brutal e sem nuances que permite de mudar de chefe todo-poderoso e os seus subchefes por outros chefes tão preocupados como os outros da sua sede de poder e tão pouco do interesse colectivo.
Creio que estamos habituados a que uma maioria legítima imponha as suas opiniões a uma minoria por vezes importante e que resistirà às decisões tomadas.

Contudo, o risco do compromisso não será que no fim não satisfaça totalmente, verdadeiramente ninguém, pois que cada um deverá por definição conceder uma parte das suas ideias iniciais? E ainda para mais, isto necessita muito tempo, o que frequentemente se opõe a uma tomada de decisão rápida.

Na democracia electiva escolhe-se um indivíduo capaz de representar o melhor possível um sistema de valor. Mas na verdade, é quase impossível, o que permite ao feliz eleito de fazer o que quer, importando-se pouco pelo interesse colectivo. Este sistema desenvolve o desinteresse e o desgosto da coisa pública.

E os partidos políticos , infelizmente, põem sempre o interesse partidário acima do interesse colectivo.

Anónimo disse...

Como estamos nos festejos do Senhor Santo Cristo dos Milagres...

Anónimo disse...

sr embaixador

nao se preocupe.
com a frança como esta, vao la estar os boches a reparar em portugal..

bh

Anónimo disse...

Quem paga manda, quem deve paga !




Alexandre

Anónimo disse...

Penso que se tem de entrar em concenso sim com os credores mais do que entre os partidos na Assembleia da República. A situação é muito mais grave do que nos dizem. Veremos.....

Anónimo disse...

A 'velha senhora' comenta o primeiro comentário acima, assinado por a)… - e tantos outros com o mesmo a)… como assinatura - e comenta também o(s) 'consenso(s)' tão na moda do dia:

deliciada ouço ou leio os
comentários do bom a)
poeta que é cria sem freios
quantos nomes se/nos dá
sempre - ou quase - de humor cheios
parabéns! tem alvará?

do consenso aqui direi
que um consenso com sentido
(e por todos consentido)
é comum hoje na grei:
já devia ter caído
um governo contra a lei
que o país nos tem f…lixado

EGR disse...

Senhor Embaixador: quem estiver neste momento a assistir ao "Prós e Contras" podera ver a nova vedeta do governo-o substituto do Dr. Relvas-a discorrer sobre o consenso e sobre o "não há alternativa"
Uma maravilha !

Helena Oneto disse...

Acordo perfeito do texto com a ilustração, e vice versa. Aqui sim! Aqui há consenso!

Isabel Seixas disse...

"para alemão ver",
(...)

"deve existir nas mentes
geometricamente formatadas"
In FSC
Muito bem visto Sr. Embaixador

Ó cara velha amiga entreguemos tudo isto à compreensão psicanalítca de Freud...

Paradoxalmente isto é um problema de discussão de sexo dos demónios...