terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O Tião


Naquelas revisões de fotografias antigas que os encontros de família estimulam, no dia de Natal deste ano dei com uma imagem de mim a falar, em frente à Gomes, com um antigo colega de escola primária, o Tião.

O Tião, Sebastião de seu nome, um pouco mais velho do que eu. Foi jogador do Sport Clube de Vila Real, atuando na ala esquerda. Um dia, o Sporting veio jogar à cidade, não sei se no quadro do negócio da ida do Amaral para Alvalade, numa tarde em que me recordo que o campo do Calvário rebentava pelas costuras. O Tião fez um jogo fantástico, deixando de rastos o Pedro Gomes, lateral-direito leonino. Várias vezes falei com ele sobre essa prestação, que era uma marca de merecida glória pessoal.

Nesse tempo em que o futebol, na província, não dava para viver sem outro emprego, o Tião era funcionário dos Serviços Municipalizados - um pouso profissional muito comum para os jogadores do Sport Clube, uma ajuda indireta da Câmara Municipal ao clube. O Tião já morreu, como constatei, há dois ou três anos, ao abrir a secção de necrologia de "A Voz de Trás-os-Montes", que semanalmente me reporta a cidade de Vila Real que vou perdendo.

Pouco tempo decorrido depois de ter lido a notícia da morte do Tião, na Feira do Livro de Lisboa, numa barraca para editores independentes, vi Pedro Gomes a assinar a sua biografia. Ao seu lado, de pé, um fulano explicava os méritos desportivos do antigo jogador. Fingia que falava para outro amigo que estava perto, mas, na realidade, expressava-se em voz excessivamente alta para ser ouvido pela plateia. E, a certo passo, saiu-lhe: "Nunca vi um extremo esquerdo ultrapassar o Pedro Gomes, que desarmava sempre quem lhe aparecesse pela frente". Não era verdade, claro, e pareceu-me que o próprio Pedro Gomes estava algo constrangido com o exagero gongórico do espontâneo.

Tive então uma tentação não concretizada, que era lançar-lhe à cara: "Ai não?! E o Tião, lá em Vila Real?" Mas pensei: o homem não deve saber nada de futebol, às tantas nem sequer ouviu falar do Tião...

2 comentários:

Anónimo disse...

João Soares não prometeu um enxerto a um jornalista e Santos Silva não comparou, sem desprimor para o gado vacum, a concertação a uma feira. Hipóteses para a sucessão: Alfano transita do Interior para as Necessidades.

Anónimo disse...

Ó Embaixador, se está a falar do Sebastião que eu estou a pensar, ele já morreu tem para ai uns 12 ou 13 anos. Penso que se estará a referir ao Sebastião que era sobrinho do Chico cereja e do Mário Cereja. Quando morreu era funcionário da EDP(fazia as contagens da Luz). Bom Homem. Morou alguns anos na Rua Camilo Castelo Branco(Rua do Agarês dentista). Ultimamente morava na Nossa Senhora da Conceição perto do Café Viena. Foi fulminado por um ataque cardiaco nas escadas do prédio onde morava.Já agora o Sporting jogou 3 vezes em Vila Real, a primeira na época 61-62, onde venceu por 7-2, voltou novamente na época 67-68, onde venceu 4-0 e por fim na época 2001-02 a contar para os Quartos de Final da Taça de Portugal, onde venceu novamente por 4-0. São os meus dois clubes de Sempre e para Sempre.