quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sampaio da Nóvoa

Sem surpresas. O lançamento da candidatura de Sampaio da Nóvoa correu bem e não trouxe a menor surpresa. O que é bom e é mau.

O candidato projeta serenidade e seriedade. Com facilidade, sabe-se ao que vem. Pressente-se aquilo a que, se for eleito, será sensível e atento. Fica evidente que, com ele, o país terá em Belém uma referência ética. Sampaio da Nóvoa é, por ora, o candidato de um país ultrajado com o descaso da governação que a (falta de) sorte nos trouxe em rifa. Pretende reconciliar o país com a política, embora para isso percorra a linha muito fina e arriscada do distanciamento dos partidos, que historicamente foi pasto para algumas derivas menos felizes. Mas é um homem que, não sendo ainda íntimo do país, oferece confiança. Falo por mim.

Do que não gostei no lançamento da candidatura? Dos presentes. Ter uma sala cheia de cabelos brancos ou coloridos, de reservistas da política, de "has-been", daqueles a quem as reformas foram cortadas, dos que sofrem as agruras das quebras do Serviço Nacional de Saúde, dos que se escandalizam e penam com as discricionaridades na justiça e no fisco, dos que assistem indignados ao caos na educação, dos que têm familiares desempregados ou emigrados, enfim, dos indignados com as "trapalhadas" - isso é demasiado fácil e não faz (ainda) uma candidatura. Estava ali muito do anti-cavaquismo, da revolta contra as manigâncias dos que se deliciaram para além da "troika", mas isso não chega. Gostava que o lançamento desta candidatura tivesse mobilizado gente mais nova, quadros em faixas etárias ativas, de uma sociedade civil que vá muito para além do (óbvio) serviço público. Enfim, gostava de ter visto Sampaio da Nóvoa mais ao lado do futuro do que de um presente indignado. Como é o meu caso.

Ah! E faltou Eanes, claro. Não é general para essas guerras. Estão lá Soares e Sampaio? Ele não, reservar-se-á para outros momentos. O único ex-presidente que o candidato escolheu como referente moral só emprestará as suas cinco estrelas a ocasiões especiais, onde o palco seja só seu. Mandatário nacional? Patético, mas também sem surpresas.

19 comentários:

murphy V. disse...

Curiosa a preocupação de o autor deixar no ar a ideia que Ramalho Eanes é apoiante de S. da Nóvoa... será mesmo assim?!

O que é que o Nóvoa tem?
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2015/04/o-que-e-que-o-novoa-tem.html

Anónimo disse...

Lamento,mas o que vimos? O Sr. embaixador anda um pouco distraído, move-se num mundo irreal, em que o amenizam.Para este peditório, já dei. Eu frequento restaurantes baratos, frequento as frutarias de bairro... com fruta não calibrada. O que eu ouço, não tem nada a ver com o que aqui perpassa.

Anónimo disse...

Tem graça; posso concordar quase inteiramente com esta análise: não deve ter estado, ou vir a aderir, um único português que pense no futuro do país para além das suas agruras diárias. Já passaram duas, senão três gerações pós conquistas de Abril e o discurso desta gente é exactamente o mesmo: é o que se chama conservadorismo imobilizante!
João Vieira

São disse...

Eanes não me desiludiu !

Não o acho muito melhor que o reformado de Boliqueime...

Os meus respeitos

Antonio Cristovao disse...

Tem razão é triste ver que mobiliza a Brigada das Colheres a volta do tacho público. O que precisamos é mais de renovação dos velhos habitos palacianos.

Francisco Seixas da Costa disse...

Volto a informar que este lugar não serve para "pendurar" links. Essa prática preguiçosa aqui não tem acolhimento. Quem quiser dar a sua opinião, é convidado a escrevê-la.

Anónimo disse...

O candidato é herdeiro das sequelas do 25 de Abril, que em seguida rumaram ao comunismo com o "nobel"(?)Saramago no DN a sanear 22 jornalistas que não eram da cor e por aí adiante.
E aqui chegámos, porque existiu o 25 de Novembro em 1975 que travou os delírios.

Hoje esta democracia ,"arrasta-se",porque os palhaços existem mas falta o dinheiro para lhes pagar, gasto naquilo que toda gente sabe.

Os novos delírios virão da fornada de esquerda pseudo intelectual que por aí gravita em redor dos partidos sempre a servir qualquer candidato que lhe
garanta pelo menos a compra diária dos "jornais a que têm direito".

Não vale a pena dizer quais são....

Anónimo disse...

Eanes não apoiou Cavaco nas presidenciais? O novel candidato não se revê em Eanes? Como dizem em França "cherchez l'erreur", neste caso "les erreurs".

JPGarcia

Anónimo disse...

Só um pormenor, que não afeta o essencial do texto. O mais alto posto do Exército é, como é sabido, General e ostenta quatro, e não cinco estrelas.

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao Anónimo das 22.12. Não quis deixar o general alcainense atrás do brandy Macieira

Anónimo disse...

Eu detestei os mandatos do atual titular de Belem no que representaram de paroquialusmo e exercício do poder privilegiando uma facção. Sobre as inconveniências que disse sobre a crise grega nem vale a pena falar. Mas não posso votar no candidato Nóvoa, por muito simpático que seja não sei se está preparado para gerir uma crise. Neto, justiceiro, é para esquecer. O voto nulo não é melhor escolha que o voto em nulos.

Pedro Barbosa Pinto disse...

Pois é, dos grandes indignados, à excepção de Sócrates por razões óbvias, só lá faltou o ex-DDT... será que o Granadeiro levava carta de representação?

Anónimo disse...

Já estamos habituados a votar num "Sampaio da Nóvoa" e sai-nos sempre um "Sampaio da Nódoa"

Francisco Seixas da Costa disse...

Se o comentador das 13.31 já está "habituado", não se esforce, não mude a rotina e continue a votar Sampaio. Mas eu desconfio que a "nódoa" em que não vai poder votar tem outro nome

Manuel Silva disse...

Caro Senhor Embaixador:
Disse: «O único ex-presidente que o candidato escolheu como referente moral só emprestará as suas cinco estrelas a ocasiões especiais, onde o palco seja só seu. Mandatário nacional? Patético, mas também sem surpresas.»
Não é correcto, António Nóvoa disse que encontra referências nos 3 ex-presidentes: «Em Eanes, a dimensão ética; em Soares, a dimensão dos afectos no contacto com as pessoas; em Jorge Sampaio, a dimensão das causas (referiu o cargo de alto representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações)».
É incrível como os «media» deturpam quase tudo ao ponto de até contaminarem pessoas que não têm a deturpação como objectivo, como é o seu caso.
Veja isto:
«no jobs for the boys» deu «jobs for the boys»
«Há mais vida para além do orçamento» deu «Há mais vida para além do défice»
«Tenho 3 referências; Eanes, Soares e Jorge Sampaio» deu «Sampaio da Nóvoa tem como referência Eanes».
Em que mundo louco vivemos?
Andamo-nos a enganar uns aos outros em nome de quê?
P.S. Reafirmo que considero que o senhor não «se deixou levar» com intenções malévolas, que isso fique bem claro.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Manuel Silva. Tenho a maior consideração, pessoal e política pelo professor Sampaio da Nóvoa. Mas preocupa-me isto:
http://www.jn.pt/live/Entrevistas/default.aspx?content_id=4491158 . Mas, como diria Mao Tse Tung, trata-se de "contradições não antagónicas. Nada de grave

Manuel Silva disse...

Caro Senhor Embaixador:
O que diz é verdade.
E o que eu disse também.
Porquê então ficar-se pelo particular num determinado momento, usado para ilustrar uma dada explicação, e esquecer o geral, o que caracteriza o candidato no seu todo, no caso, as 3 referências do candidato.
Às tantas é o estereótipo que o passa a caracterizar.
Não acha?

Anónimo disse...

Eu cá ainda estou à espera de novos candidatos. Venham mais.

Manuel Silva disse...

Caro Senhor Embaixador:
Acabei de ler a entrevista do candidato ao jornal «i».
Volta à referência aos 3 ex-presidentes.
Como vê, não invento nada.