quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sensatez

De acordo com a imprensa de hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros terá ontem afirmado, em frente do seu colega de Londres, que Portugal não considera oportuno rever os tratados europeus à medida dos interesses britânicos. É uma posição sensata. O Reino Unido, que tem da União Europeia uma visão instrumental e um interesse basicamente apoiado nas vantagens do mercado interno, tem anunciado a intenção de propor um conjunto de recuos no âmbito do projeto comum, que teriam como consequência um progressivo desmembrar do mesmo. Para Londres, a Europa parece não ser essencial, mas para nós é. O governo português - e nunca esperei outra coisa da "boa escola" do MNE nesta matéria - não favorece a estratégia dos conservadores britânicos, que pretenderiam utilizar algumas "vitórias" na frente europeia como forma de adubarem as suas hipóteses nas próximas eleições legislativas, assim retirando terreno à sua direita, ao UKIP. Portugal não "fez o jeito" ao governo britânico. E fez bem. Dirão alguns que Lisboa diz isto porque sabe que Berlim concorda. É indiferente: disse a coisa certa, mesmo se traduzida do alemão. E a oposição portuguesa responsável deveria aproveitar para apludir o governo. É tão raro, de há uns anos para cá, ouvir o executivo português dizer qualquer coisa de construtivo em matéria europeia que o país deve aproveitar para "deitar foguetes" quando isso acontece.

4 comentários:

Anónimo disse...

Senhor Embaixador, "cadê" a homenagem à Vila-realense Professora Luísa Dacosta?...
Meus cumprimentos,
MT

Majo disse...

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~ Pessoalmente, não noto nenhum motivo para a oposição aplaudir o governo que tem dado provas de cumprir não só esta, mas todas as normas dos senhores do euro - quaisquer que sejam os sacrifícios impostos aos portugueses - para daí conseguirem benefícios eleitorais. ~
~ ~ ~

Anónimo disse...

Não é indiferente que seja traduzida do alemão. Se assim for, trata-se apenas de substituir o favorecimento da estratégia dos britânicos, pelo favorecimento da estratégia dos alemães. Espero, sinceramente, que isto não se aprenda na "boa escola" do MNE. A boa escola, exigiria, por exemplo, defender um maior equilibrio entre os estados membros, nas decisões tomadas na união europeia. "correto", se quer utilizar a expressão, é isso.

Anónimo disse...

O governo português sofreu hoje uma estrondosa derrota com as hábeis declarações de Juncker dizendo que gregos, portugueses e irlandeses não foram tratados com dignidade pela troika. Antes de Juncker já Elisa Ferreira o havia dito. Altura de o governo português meter as mãos os pés e sair no apeadeiro mais próximo.