quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Quem destruiu a PT?

Este é um país em que a culpa morre geralmente solteira e triste, mas a nossa imprensa investigativa, que às vezes tanto se assanha (e faz bem!) pelos estranhos circuitos de alguns milhares de euros, deveria aprofundar sobre quem é verdadeiramente responsável pela destruição de uma empresa, que já foi prestigiada e forte, como a PT. Pela porta pequena, saiu há semanas Henrique Granadeiro. Hoje, sai o "golden boy" Zeinal Bava, "corrido" pela brasileira OI e pela desconfiança dos mercados.
 
Que raio de "corporate governance" era seguida na empresa, que permitiu que a conseguissem desvalorizar desta forma? Das trapalhadas da sua ligação ao Brasil às cumplicidades com o universo BES, é muito triste ver uma das marcas mais fortes de Portugal no exterior ser hoje arrastada pelas ruas da amargura e da desqualificação.
 
E que tristeza é constatar que o que nos resta de Estado - depois da operação cirúrgica da sua descapitalização económica, funcional e humana, ideologicamente levada a cabo, com método, no último triénio - não é sequer capaz de entender que o futuro de um ativo estratégico como é a nossa maior empresa de comunicações não deveria estar hoje à mercê de um negócio que já nem passa por Lisboa. Não há vergonha? Não há.

17 comentários:

Anónimo disse...

No último triénio? Com mais ou menos intensidade nas últimas décadas! A alvura do seu texto tem essa “pequena” mácula…
Se isto são bons gestores que dirão de mim (e tantos outros) que geri o meu orçamento no limite do montante mensal toda a vida sem me (nos) envergonhar! Devia(-mos) ter um prémio de ciências económicas, já que o ordenado é um “pouquito” inferior ao desses gestores.
antonio pa

Francisco Seixas da Costa disse...

Nao há "mácula" nenhuma! Quando saí do Brasil, em 2009, a PT era uma empresa florescente, que dominava uma das grandes operadoras brasileiras. A destruição deliberada do aparelho do Estado português foi levada a cabo - e só! - por este governo. E mais nenhum, convém que fique claro, para não alimentar o "são todos os mesmos". Não são!

Anónimo disse...

Subscrevo as palavras do comentário resposta de FSC. E achei muito oportuno o seu Post. Alguém deveria reflectir sobre tudo isto. Lamentável! E ainda temos mais um ano de destruição sistemática e planeada pela frente. Não sei que outras "jóias da coroa" irão restar, quando um novo governo (liderado, ao que tudo indica, por A.Costa) vier a tomar posse!
P.

Anónimo disse...

Persistentemente o embaixador esquece-se de um pequeno pormenor: o ESTADO FALIU e quando se vai à falência vende-se o que resta.
A pergunta é: quem fez falir o Estado? Quem governou Portugal durante DEZ anos até à falência?
Concordo em que não são todos os mesmos. Sempre existiram patifes e aldrabões em todos os lados.

Haja paciência!
João Vieira

Anónimo disse...

Gostei da respsta de FSC ao primeiro anónimo. Era assim que o defunto Seguro deveria responder quando acossado por esta "maioria" mas em vez de o fazer, concordava com a narrativa!
Espero que as coisas mudem a partir de agora, não sei é se vamos a tempo!...
PCoelho

Tiago Cabral disse...

A destruição de uma empresa como a PT mostra-nos como alguns gerem empresas em Portugal. Não se tratou de incompetência, não se tratou de um erro. Foi tão só uma decisão tomada numa roda de amigos, onde o que imperou foi o jeito, o desenrascanço a alguém. O uso de uma empresa da dimensão da PT para socorrer um amigo em dificuldades foi para Granadeiro e Bava uma operação normal, talvez mesmo usual.

Guerra disse...

Viva Sr. Embaixador,
Li o seu texto e estou plenamente de acordo.
Veio-me á memória um escrito do Sr. Rentes de Carvalho que li já há bastante tempo que era mais ou menos assim se a minha memoria não me atraiçoar: “No teatro da política e dos grandes negócios nunca os actores são o que parecem nem o enredo é como se vê."
Cumprimentos cá da Bila

Anónimo disse...

Oh Vieira,
A sua matemática intriga-me. Dez anos? Você esqueceu os anos anteriores de gastos loucos do Cavaquismo, anos de cimento armado, de gastos de fundos comunitários, de gente do piorio no Poder de então, alguns hoje a braços com a Justiça.
Quanto a essa treta da falência meu caro Vieira, de novo essa sua matemática falha. Sócrates (que, sem duvida, não era nenhum santo) deixou a Pátria com uma dívida pública de 89% do PIB, esta malta infama e incompetente fez “melhor”: em apenas 3 anos aumentou-a para 134%! É obra Vieira!
Mais, Sócrates nunca teria permitido que uma PT ou EDP, para só falar nestas empresas, fossem cair nas mãos onde estão e que o Estado deixasse de ter uma palavra a dizer sobre as mesmas.
Estas criaturas (o governo), meu caro Vieira, são do mais destrutivo do ponto de vista económico-social que se possa imaginar. Nem o “velho de Santa Comba” tratou as “joias da coroa” desta forma.
Esta malta é com o ébola. Infecta e destrói tudo à volta. Ou como o eucalipto, se quiser, secando tudo em redor. O país – agora – é que está falido, meu caro. Porque não sei como vai ser possível pagar a destruição, ou seja, o endividamento externo, que deixaram, ou vão deixar, até ao final da legislatura. Que pode muito bem atingir ainda os 140% do PIB, se continuarem a “caprichar” impunemente e irresponsavelmente como até agora.
Haja paciência!
JB

Anónimo disse...

Concordo inteiramente consigo, caro Francisco.
JPGarcia

Anónimo disse...

E alguma coisa vai acontecer a Granadeiro ou a Bava pela gestão que tiveram???

Joaquim De Freitas disse...


Mas não, não há vergonha! Penso antes que é altamente provável que entramos num sistema ainda pior que o capitalismo, uma espécie de economia do roubo, mais próxima do modo de funcionamento dos carteis do narcotráfico que o das empresas, que conhecemos na maior parte do XX° século.
Provável igualmente que isso não tivesse sido previsto pela classe dirigente e que não é mais que o resultado da pesquisa excessiva do beneficio no exercício da acumulação pela des-possessão, o que deu nascença a uma geração de abutres/lobos incapazes de produzir o que quer que seja doutro que a morte e a destruição à volta deles.



Joaquim De Freitas disse...

Após ter envidado o meu comentário precedente, gostaria de acrescentar que este "affaire" do PT se inscreve num ambiente de crise, a qual continua a revelar tudo o que estava oculto em tempo normal.

Que inclui projectos estratégicos da classe no topo do sistema, a sua maneira de ver o mundo, a principal aposta que eles fazem para permanecer uma classe dominante.

Digamos, que é o seu objectivo principal, o que subordina todo o resto, incluindo os modos de produção capitalistas na economia.

Porque todos sabemos hoje que a crise não é justo uma parêntese após a qual tudo voltará mais ou menos como antes. Nada disso. A crise não é somente um revelador mas antes o reflexo daqueles do topo que remodelam o mundo. Porque a crise é, em grande parte, provocada por eles para afastar ou fazer desaparecer tudo o que limita os seus poderes.

O que acontece com a PT, vi-o ontem com a BSN, com Vivendi, com France Telecom, com Alcatel, etc, em França.

O que podemos estar certos é que estes movimentos de capitais, não visam uma melhor distribuição da riqueza, mas a sua acumulação.

Anónimo disse...

Subscrevo o comentário do embaixador Seixas da Costa.

O mito - consstruído pelos nossos media, pela "Europa" e por este governo - de que a situação actual é o resultado de décadas de "vivermos acima dos nosso meios" não passa disso mesmo: um mito.

Em 2008, a nossa dívida pública encontrava-se pouco acima dos 60% (bem abaixo da dívida pública alemã hoje). O que fez disparar a nossa dívida pública (hoje acima dos 130%) foram essencialmente duas coisas:

1) A queda do PIB resultante da crise financeira de 2008 e da falta de flexibilidade derivada de uma moeda sobrevalorizada (para a produtividade do nosso tecido empresarial);
2) As políticas estúpidas prosseguidas pela troika e pelo governo que agravaram a recessão e aprofundaram ainda mais a dívida.

opjj disse...

O mal começou quando os que lá estavam afastaram Belmiro de Azevedo. Aliás foi hipótese que considerei. Aquilo sempre foi um ninho dos bem-abençoados.
PIOR cego é o que não quer ver.
Cumps.

Fernando Correia de Oliveira disse...

Absolutamente de acordo. O que se passou com a PT é uma vergonha, digna destes neo-liberais de trazer por casa.

Anónimo disse...

"- e só! - por este governo. E mais nenhum, convém que fique claro, para não alimentar o "são todos os mesmos". Não são!".....só contaram pra você !!!!!!!!!!

Anónimo disse...

Exmo. Senhor
Embaixador Seixas da Costa

Se bem me recordo há poucos anos houve uma verdadeira ebulição na opinião pública portuguesa a atingir quase a histeria, quando o Engº Belmiro de Azevedo quis avançar com uma OPA à PT. Os costumeiros das negociatas de sempre, do governo (através da G.Share com a CGD) ao Dr. Ricardo Salgado uniram-se para barrar a OPA que permitira à SONAE vir a ser um dos grandes operadores de telecomunicações PORTUGUÊS que hoje já tem o gigante NOS. Inventaram interesses estratégicos, inventaram 30 por uma linha e impediram que o negócio se fizesse. Houve quem chamasse a atenção na altura, que isto ia acontecer, dentro de poucos anos a OI ia despachar a PT. Mas achvam todos que o Engº Técnico que geria o País pensava no País e não nos interesses. Recordo-me mesmo que esse momento da dita OPA da SONAE levou à demissão do Director do Jornal Público. Quem não se recorda disso? E mais tarde, o que tivémos a PT a ser usada para montar um esquema para o estado via PT vir a controlar um canal privado de TV (ver processo Face Oculta). QUem não se recorda também do COmendador Berardo junto com os trabalhadores , qual sindicalista, em manifestações contra a OPA da SONAE que ia prejudicar os trabalhadores. Chegados a 2014 o que temos? Uma PT que não vale nada, uma OI que despediu o "Grande Gestor" Zeinal Bava, o suprasumo da gestão europeia como diziam, e os trabalhadores agora sim com grandes razões para estarem preocupados. Ainda não sabe quem é que teve a culpa da derrocada da PT? Para mim não é dificil de ver, mas neste País continuam a branquear um passado recente que nos conduziu a esta lamentavel situação.
Só falta agora virem culpar, como vi ontém no parlamento, o PS de António Costa, de que o actual governo é o responsável pela queda da PT, porque dizem, vendeu a Golden Share (a dita Golden Share que o mesmo PS considerou vender no Memorando de Entendimento). É bom que nos recordemos o que se passou há bem poucos anos e não tentemos branquear o que não é possível branquear. Aqui está mais uma prova da desastrosa governação socialista, daqueles que acham que agora podem voltar ao poder e fazer as tropelias que fizeram durante 6 anos. Valha-nos Deus!