sábado, 17 de setembro de 2011

A Mônica e Portugal

Há uma regular comentadora brasileira deste blogue, de seu nome Mônica (no Brasil usa-se o acento circunflexo no nome), cuja candura chega, algumas vezes, a baralhar a nossa lógica. A Mônica gosta de Portugal e assume, face a realidades que por aqui reflito, sentimentos simples e ternurentos.

Ontem, como poderão ler, a propósito do euro, a Mônica dizia-me: "Tenha um bom fim de tarde sem pensar em Portugal. Pode? Porque acho que está certo, mas fazer o quê?".

Eu agradeço imenso à Mônica o seu cuidado. Mas tenho de responder-lhe: não posso, Mônica, provavelmente o defeito é meu, talvez eu devesse "desligar", mas não consigo. Cada vez menos.

Para melhor nos tentar perceber - as pessoas como eu -, a Mônica tem de ler um grande poeta português que, infelizmente (e bem tentei!), não está ainda editado no Brasil. Chama-se Alexandre O'Neill e escreveu, por exemplo, isto*:

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

De qualquer forma, e com sinceridade, muito obrigado, Mônica!

* Já um dia por aqui publiquei isto. Mas nunca é demais.

10 comentários:

Julia Macias-Valet disse...

Isto é o que se pode chamar um post COM CARINHO (p'ra) MÔNICA !

Anónimo disse...

tenho a certeza que faz o que julga ser o melhor para nos.
se no meio destes ventos alguma coisa correr menos bem (lagarto lagarto) nao sera com certeza sua culpa.
bom trabalho

bh

Helena Oneto disse...

Ah meu caro Embaixador, como eu o compreendo...
"meu remorso de todos nós"
Quem que não seja português poderá compreender este lamento?

Helena Sacadura Cabral disse...

Ai! Senhor Embaixador
Bem haja! Primeiro pelo carinho demonstrado pela "nossa" comentadora Mônica. No princípio, confesso, surpreendeu-me. Depois...há sempre, felizmente, um depois, comecei a ficar tocada por tanta singeleza. De tão simples conseguiu cativar-me. E de caminho, mostrar-me que um Embaixador também é sensível a estas pequenas coisas.
Parabéns, pois, à Mônica!
Segundo porque conheci o Alexandre e sei quanto, a seu modo, ele gostava de Portugal. Nem sempre se ama de maneira que todos entendam. Esse é, aliás, o grande mistério do amor...
Terceiro porque felizmente há pessoas que não conseguem "desligar". À direita, à esquerda, ao centro, tanto faz, o país precisa delas!

paulcarrasco disse...

A Mônica também vai à Travessa e os comentários que deixa ali são, por vezes, enigmáticos. Já tem dito que não me percebe, mas gosta...

É uma querida, a Mônica com acento circunflexo. Mas, algumas vezes sou eu que não a entendo.

EGR disse...

Também eu Senhor Embaixador,para quem a linha do horizonte já não estará,provavelmente,muito longe,não consigo "desligar"
Traquiliza-me pensar que alguém como V. Exa, não "desliga"
Será do contributo de pessoas como o Senhor Embaixador que no futuro a nossa amiga Mónica deixará de ter motivo para formular esses votos.
EGR

Margarida disse...

Nota-se no seu semblante; hoje, em Paris além do débito de não sei quê do actual primeiro, a notória gravidade da sua expressão não augurava nada de muito bom...

A Mônica é uma querida presença e este registo é muito justo e a retribuição do carinho atento é o reflexo de uma nobre sensibilidade.

Bem-haja.

Isabel Seixas disse...

Simplesmente subscrevo.
Que perda para "quem" não tem acesso ao Alexandre O'Neill...Não se pode ter tudo.

A foto como sempre é linda,no contexto bem ternurenta como quem diz "Môniqueista" adoro o tapete de entrada e a possibilidade de estar à porta e à janela.

Anónimo disse...

ratherstA guiolhotina apenas é bonita nas janelas!!!!

Anónimo disse...

Em Mónica não é til. É acento circunflexo (o famoso chapeuzinho da escola primária).
Alexandra Nobre