quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Privacidade

Num país em que as caras dos detidos preventivamente podem ser livremente expostas na comunicação social, assumidos como criminosos perante a opinião pública, mesmo que depois venham a ser absolvidos;

Num país em que escutas telefónicas privadas são publicadas impunemente na imprensa, não obstante estarem sujeitas a segredo de justiça;

Num país em que os "paparazzi" fotografam sem limitações, do exterior, cenas em residências particulares de figuras públicas, sem autorização.

Nesse país, a Comissão Nacional de Proteção de Dados decide proibir que a Google Street Views filme as ruas das cidades, como se o conceito de privacidade fosse pior cuidado em outras metrópoles (onde se assume que esses direitos não estão a ser respeitados) como Nova Iorque, Londres, Berlim ou Paris.

9 comentários:

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Nos dias que correm a privacidade dos cidadãos está exposta quer nos jornais, televisão, arquivada nas memórias das câmaras de vídeo a focarem, os passos dos bons, dos maus e dos feios, na via pública, nos estabelecimentos, nos aeroportos etc.etc.
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Em suma em todos os cantos, no mundo actual, há uma câmara, em lugar escondido a focar-nos.
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Nunca sabemos de quando falamos ao telefone se a nossa conversa, inocente, está a ser gravada.
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Bem os “paparazzi” existem e vão ganhando a vida a fotografar as celebridades, mas a culpa não é deles, mas dos que inventaram as lentes de longo alcance que metem o “nariz” em todos os cantos discretos e indiscretos.
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É me difícil entender a Comissão Nacional de Protecção de Dados como decidiu proibir a Google Street Views filmar as ruas de Portugal se até, raramente, se reconhecem as pessoas que caminhan (paradas na via pública) no monitor do computador.
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A privacidade do cidadão terminou e não sei (ja se aventa) se no futuro vai gramar, à nascença, com um chip/GPS no “pelo” que até não necessita de ser filmado ou fotografado para saberem por onde segue.
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Isto da privacidade é muito complicado e, talvez, desajustada à sociedade actual, a divulgação e um bem necessário, em certos aspectos, que tem evitado males que reverteriam em mais uma tragédia como outras acontecidas as de terrorismo.
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Saudações de Banguecoque
José Martins

patricio branco disse...

orrecto, não só as caras de suspeitos, tambem de crianças, matriculas de carros, numeros de rua das portas, caras dos policias, etc.
por outro lado, em nome da "privacidade" não se poem câmaras de vigilancia em sitios publicos onde deveriam estar, serviços e repartições publicos, paragens de autocarros, estações de c f, quarteis, esquadras, consulados, embaixadas, panoramicas de ruas, etc.
Em espanha, os atentados da eta e outras organizações são todos filmados por câmaras que já lá estavam o que facilita aidentificação dos autores. E quantos milhões de câmaras exteriores não há em inglaterra?
se o hotel donde desapareceu maddie mc cann tivesse um minimo de câmaras, para segurança dos hóspedes, talvez se pudesse ter percibido o que se passou.

Anónimo disse...

Sem Palavras...
Simplesmente... Tem Razão...


Estamos então a falar do verdadeiro conceito de operacionalização da Noção do ridículo...
Ou
Tem que haver exceções à regra...

Se calhar é por isso...
Isabel Seixas

Anda quase tudo e todos cheios de medo do medo...
"Contagioso"?... Que medo
Bem talvez só se atinja a privacidade com o anonimato, O puro.

Jose Martins disse...

Um pequeno comentário ao sr. Patrício Branco
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Nas embaixadas e consulados foi um bem a colocação de câmaras a captar imagens em vários ângulos....
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Só que em algumas missões o guarda, deveria estar mais atento, desligar as câmara, quando o chefe-de-missão desse uma escapada nocturna e ligá-las quando regressasse.
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Eu conheço um caso em que o gerente da missão chegou à três e tais da "matina"; o guarda passava pelas brasas, não ouviu o toque da campainha e saltou, atleticamente, o portão de uma altura razoável da rua para dentro do terreno da missão.
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Ao outro dia pela manhã todo o pessoal da chancelaria estava na casa do guarda apreciar, no monitor das câmaras, o estilo de bom atleta, em salto, o chefe de missão.
José Martins

Gil disse...

Vivemos, de facto, num país em que quotidianamente se viola o direito, sublinho, o direito à privacidade, um direito pessoal e inalienável. Mas essas violações, mesmo que fiquem impunes, não são menos condenáveis.
Considero, por isso, salutar que a Comissão Nacional de Protecção de Dados tenha tomado essa decisão, tanto mais que não me parece que ela promova ou autorize os atentados a que se refere a primeira parte do post.
Já que mais não seja, por profilaxia; há, hoje, muito presente, difusamente, nas populações das grandes urbes uma intensa sensação de insegurança que as faz clamar por restrições de direitos que, ingenuamente, julgam que não os atingirão mais tarde ou mais cedo.
Esses não conhecem, ou não se recordam, ou não concordam com aquele poema de B. Brecht que começa "Primeiro foram os comunistas, mas eu não me importei porque eu não era comunista" (não garanto a literalidade da citação).
A verdade é que todos os grandes atentados contra a Liberdade começam por pequenos attentados contra a Liberdade.
Começa-se por achar normal que uma empresa qualquer se possa permitir, ainda que sem más intenções, filmar-me na rua sem que saiba ou o autorize e pode acabar-se a ser identificado nesses filmes por pessoas ou organizações que têm fins inconfessáveis: começa-se por achar "gira" uma tecnologia como o Google Steet Views e acaba-se, a pretexto de segurança, a filmar indiscriminadamente quem entra e quem sai dos lugares mais conspícuos.
E, por fim, o senhor Embaixador perdoar-me-á mas Nova Iorque, Londres, Berlim ou Paris não são modelos muito bons no que se refere à defesa da privacidade.

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
Não podia ser mais oportuno este seu post. Agora veja o que acaba de me acontecer. Na R. Castilho tomei um táxi para casa, porque vinha derreada de uma gravação.
Entro, dou a morada. Pergunto se sabe onde é.Responde-me o taxista: não é na rua onde mora a mãe do Dr Paulo Portas? Não faço a mínima ideia, respondi.
Chegados ao destino pedi para parar em frente da garagem. Paguei e saí. Quando puz o pé no chão e comandei a abertura do portão,ainda o ouvi dizer:"olhe que é aqui que ela mora"...
Esclareço que tenho passe e carro, pelo que raramente uso táxis, que considero estupidamente caros.
Que dizer?!

A.R. disse...

De acordo. Quando a privacidade se torna monopólio de uma instituição e razão da sua sobrevivência, os interesses dos cidadãos ficam indefesos.

Helena Oneto disse...

Se os media cada vez que pizam o risco fossem processados e condenados a pagar multas consequentes, haveria muito menos "caras" a dar trabalho os paparazzi. Para bem de todos.

patricio branco disse...

em muitas embaixadas e consulados, de paises da ue ou usa, canadá, japão, etc, não só há câmaras de vigilancia como oficiais de segurança, aparelhos de rx e detecção de metais como num aeroporto, etc.
num serviço de finanças em espanha que conheço, temos de passar pela máquina e por a pasta ou carteira na passadeira do rx. claro que esse serviço, apesas da vigilancia, é mais eficiente e rápido e organizado que qualquer português, para não falar da segurança.
Quanto ao embaixador que sai à noite, isso é com ele, e se desligar a câmara mas a responsabilidade é dele, se acontecer alguma coisa entretanto