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quarta-feira, julho 04, 2012

Verbos irregulares

Há quase dez anos, naquela que era então uma das duas livraria inglesas de Viena (hoje mesmo, em visita à cidade, constatei que já só há uma), deparei com um livro intitulado "Portuguese irregular verbs". A minha vocação para um conhecimento renascentista do mundo não vai ao ponto de me levar a interessar por um tema tão gramaticalmente especializado como aquele que o título indiciava. Mas a curiosidade de bibliófilo foi mais forte. E dou hoje graças por isso.

O livro, de Alexander McCall Smith, relata a divertida história (conto de memória) de um filólogo alemão que, com um zelo notável, terá empreendido um estudo aprofundado sobre tão escaldante temática. Segundo a novela, a edição do livro, em que espelhava toda a sua sabedoria sobre o assunto, não se terá consagrado num êxito estrondoso, se nisso descontarmos a satisfação proporcionada ao seu próprio ego. O estimado professor lusófilo, de que o volume acolhe pormenores deliciosos de um seminário passado na Índia, e cujo grande objetivo de vida era ser agraciado com uma condecoração portuguesa, tinha como hábito procurar saber do destino das escassas centenas de exemplares da edição da sua obra-prima. E, por essa razão, sempre que se deslocava a casa de um amigo, procurava perceber o destaque dado nas respetivas estantes ao seu monumental e volumoso estudo, incontroverso referencial sobre a matéria no mundo gramatical da lusofonia. E algumas desilusões teve. Complexa foi, porém, a sua relação com uma namorada, dentista de profissão, a quem, como era natural, oferecera um exemplar dedicado da sua tão estimada obra. O único imponderável foi, contudo, o facto desse laço afetivo se ter entretanto desfeito, com a antiga afeição, por vingança, a decidir destinar a utilização do volume como apoio para o seu pé, no arranque de dentes aos clientes.

Será que este divertido livro teve uma edição portuguesa? Não faço a mínima ideia.

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