Como aqui já referi, o modo mais vulgar de comunicações entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e os postos diplomáticos e consulares são os chamados “telegramas”. O nome advém do facto de, no passado, ser utilizada a via telegráfica para a expedição dessas mensagens. Nos dias de hoje, não obstante a via ser diferente, a designação manteve-se.
Todas as carreiras diplomáticas estão cheias de histórias em torno de famosos telegramas, que ficaram na respetiva memória coletiva, cujo estilo de escrita foi variando ao longo dos tempos, mas que sempre marcam muito o próprio retrato de quem os subscreve.
Todas as carreiras diplomáticas estão cheias de histórias em torno de famosos telegramas, que ficaram na respetiva memória coletiva, cujo estilo de escrita foi variando ao longo dos tempos, mas que sempre marcam muito o próprio retrato de quem os subscreve.
Os telegramas que saem de Lisboa para os postos são sempre assinados “Nestrangeiros”, como acrónimo de “Negócios Estrangeiros”. Os diplomatas em posto, quando responsáveis pelas missões (em titularidade ou por substituição), usam uma forma abreviada do seu próprio nome, assente no apelido. Quando há diplomatas com o mesmo apelido (imaginemos, Silva), têm de se diferenciar adicionando um nome próprio (Carlos Silva ou José Silva) ou um outro apelido (Cruz Silva). O que nunca deve acontecer é alguém subscrever correspondência exclusivamente com nomes próprios (Carlos Manuel, por exemplo).
Um dia, uma jovem e azougada diplomata chegou ao seu primeiro posto e, num arroubo de independência e modernidade, modelou assim o telegrama em que deu conta da sua chegada: “Assumi gerência. Isabel”. O Ministério, que não costuma achar muita graça a estas familiaridades, respondeu-lhe, de imediato: “Isabel quê? Nestrangeiros”.