quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Um adeus


Uma instituição que, por muitos anos, reforçou as relações entre diversificados setores da sociedade portuguesa e membros de comunidades originárias, em especial, da Europa de Leste e do Brasil, terá cessado agora a sua atividade, ao que me dizem. As relações externas portuguesas sofrerão assim uma perda de tomo - e isso é relevante para uma vertente, embora algo paralela, da nossa diplomacia. Embora nunca tivesse tido o ensejo de conhecer pessoalmente o espaço em causa, inclino-me perante a melancolia que sei que atravessa quantos nele, ou a partir dele, cultivaram laços que agora ficam mais fragilizados.

15 comentários:

Anónimo disse...

O EB fechou? Nunca lá fui, mas ouvi grandes histórias entre a prata da casa e gente graúda dos futebóis lisboetas. Aquele rapaz do seu clube, o Dias Ferreira, deve estar a morrer de desgosto.

Rui C. Marques disse...

Texto magnífico.

Joaquim de Freitas disse...

Je ne sais pas si votre post c'est du lard ou du cochon, Monsieur l'Ambassador...Porque em La Havana, casas como esta haviam 145 no dia da entrada de Fidel Castro na Cidade. E "O" três meses mais tarde...

Anónimo disse...

É o tipo de casa e de convívio que me provocam repulsa física e ética.

Anónimo disse...

«(...) A fachada do Casino flamejava. Um grupo de gente pobre
estacionava à porta, com olhares de urna inveja triste para as janelas
alumiadas e sonoras, para as máscaras apressadas. Os dominós de paninho mostravam à extremidade das mangas mãos grossas de operários e por baixo, pedaços de calças pelintras sobre botas cambadas; sons de instrumentos de metal sobressaíam em cima, vagamente, no brouhaha contínuo e no rumor do soalho batido.
No bengaleiro encontraram Carvalhosa, com o jovial deputado Abreu, de fala algarvia, que depositavam as badines.
— Vem-se à Saturnal — disse pretensiosamente o Carvalhosa.
— Às cancanistas! — exclamou Melchior, já excitado pelo ruído do
baile (...)».
— Perneemos! Perneemos! — ganiu aflautadamente e de um modo espremido o ilustre Abreu, da maioria, que parecia avinhado (...)».

Eça de Queirós, A Capital (edição online)

Anónimo disse...

O Freitas tem razão. Depois do Fidel, a coisa ficou mais democratizada. As prostitutas deixaram os salões e sairam às ruas. Consta que por um mísero dólar já se conseguia dar uma voltinha com uma adolescente "libertada". A grande alegria das mulheres cubanas levadas a vender o corpo aos turistas é que, se apanhassem alguma doença, tinham um "magnífico" sistema de saúde para as tratar...

Anónimo disse...

As maravilhas do turismo sexual na Cuba "libertada":

"How Cuba became the newest hotbed for tourists craving sex with minors"
http://www.miamiherald.com/latest-news/article1948284.html



Joaquim de Freitas disse...

Um anónimo corajoso que nos dà uma informação digna de crédito : Ela vem-nos de Miami, o “Miami Herald” , paraíso da Máfia cubana , terra do banditismo , Miami onde encontrou asilo um assassino que fez explodir em voo há anos, um avião civil cubano – 70- mortos, Miami donde partiram os mercenários que desembarcaram na Baia dos Porcos, e foram destroçados por Castro, Miami, terra da democracia, que nem soube contar os votos de Al Gore contra Bush, Miami onde se aglutinou a fina flor dos exploradores de casinos, bares, e casas de prostituição do grande bordel que foi La Havana nos tempos felizes de Batista.
Vale a pena ler o texto que amavelmente nos trouxe o anónimo de serviço, onde se vê que os diplomatas Americanos se preocupam da prostituição em Cuba. ..Se eles se preocupassem do centro de tortura de Guantanamo seria normal, mas talvez nem saibam que os seus compatriotas torturam em Cuba.

“Cuba’s government “made no known efforts to reduce the demand for commercial sex,” noted the 2012 version of the U.S. State Department’s annual report on global Trafficking in Persons (TIP).


• The 2003 version noted that some officials of Cuban state enterprises such as restaurants and hotels “turn a blind eye to this [child] exploitation because such activity helps to win hard currency.”

• A dispatch by U.S. diplomats in Havana in 2009 noted that “some Cuban children are reportedly pushed into prostitution by their families, exchanging sex for money, food or gifts,” but gave no overall numbers.”


Enquanto que os diplomatas americanos se preocupam com as prostitutas de Cuba, a policia americana assassina alegremente dezenas de cidadãos Negros americanos nas cidades dos EUA. Mas que importa…são Negros, como uma grande parte dos Cubanos.

Não há duvida nenhuma que merecem Trump…

Anónimo disse...

Mas em cuba é mais igualitario.
ha as duas versoes.
para eles e para elas....

Anónimo disse...

o miami herald deve ser o jornal mais independente a dar noticias sobre cuba...

Joaquim de Freitas disse...

Os jornais nos EUA são todos independentes!!! A América é livre. Foi por isso que a maioria dos jornalistas e dos jornais américanos ajudaram tudo o que puderam em favor de Hillary Clinton. Sabe-se bem porquê. Ou nao?

Anónimo disse...

Do EB ao Miami Herald... O mundo é de facto uma aldeia global.

JPGarcia

Anónimo disse...

Francisco Seixas da Costa está a deixar os comentários ao seu blog tornarem-se numa palhaçada que a maior parte de nós dispensaria.

Este texto (engraçado, como tantos) era sobre o encerramento de uma casa de alterne em Lisboa e - pela mão do suspeito do costume -, imediatamente foi transformado num ataque aos EUA (como???!!!) e aproveitado para propaganda comunista. Isto já perdeu a graça (se é que algum dia a teve) e ganha rapidamente contornos doentios.

É pena que FSC seja, por vezes, tão assertivo a impor limites a algumas opiniões e, depois, permita este descontrolo...

soudocontra disse...

Mas afinal o que cessou a actividade? Sou mesmo ignorante destas coisas que só as pessoas que se julgam importantes, sabem!!!

Joaquim de Freitas disse...

Entre os séculos XV e XVII a Europa estava infestada de bruxas. Disfarçadas e infiltradas entre os bons cristãos, elas adoravam o Diabo em segredo, promoviam rituais malignos e lançavam feitiços e maldições com a ajuda do chefe dos demónios.

Hoje são os blogues que são atacados pelos feiticeiros.

Nas noites de sexta-feira, as adoradoras de Satanás montavam em vassouras ou cadeiras enfeitiçadas e voavam para o "shabat" - na superstição medieval, uma espécie de missa satânica realizada em montanhas ou florestas desertas. Nessa noitada diabólica, as bruxas se entregava a uma maratona de pecados e blasfémias. Empanturravam-se em banquetes canibalescos, cujo cardápio incluía corações de crianças e carne de homens enforcados. Engatavam orgias onde todas as perversões sexuais imagináveis eram permitidas e encorajadas. Às vezes, o coisa-ruim em pessoa entrava na farra, dançando e amando as suas servas na forma de bode preto, gato gigante ou homem-monstro, com sete chifres na cabeça e um enorme pénis erecto, todo coberto de espinhos.

Eram os precursores do EB lisboeta…

A caça às bruxas, até então esporádica, foi oficializada em 1484, quando o papa Inocêncio VIII publicou uma bula transformando em hereges todos aqueles que "realizam encantamentos, sortilégios, conjurações de espíritos e outras abominações do género". A sabedoria popular sem respaldo da Igreja passou a ser coisa do Diabo. As bruxas de Salém, (cidade que visitei por curiosidade!!!) pagaram caro em seu tempo.

Embalados pelo frenesi da Inquisição, muitos países incluíram a bruxaria na lista de crimes contra o Estado.

Duvidar de sua existência é uma grave heresia contra a Santa Igreja", afirmavam o monge alemão Heinrich Kraemer e o padre suíço James Sprenger, autores de 'Martelo das Feiticeiras'.

Na época de Kraemer e Sprenger, a crença na bruxaria era tão forte que desencadeou uma das perseguições mais brutais que o Ocidente já viu

Será possível entender racionalmente esta superstição? Há algumas explicações, nenhuma delas plenamente satisfatória.

A mais tradicional vem da psicologia, que classifica a perseguição às bruxas como um período de histeria colectiva, doença caracterizada pela falta de controlo sobre actos e emoções. Parece algo muito esquisito? Sim, mas pode existir até nas sociedades mais liberais.

Alguns estudiosos defendem que foi justamente isso o que aconteceu nos EUA da década de 1950, época da paranóia anticomunista – não por acaso, também chamada de "caça às bruxas".

"O medo dos comunistas era tão grande que qualquer intelectual virava suspeito de espionar para a União Soviética", diz o historiador inglês Nigel Cawthorne em seu livro 'Witch Hunt ("Caça às Bruxas"), Charlie Chaplin foi uma das vítimas ilustres dessa doença, onde a delação era de regra. Como em certos blogues.

Imaginemos a hecatombe se os blogues tivessem existido nesses tempos…