domingo, 25 de dezembro de 2016

George Michael


Em julho de 1990, assumi funções na embaixada em Londres. Fui sem família, por dois meses. Tinha um Mini e deu-me para passear imenso, nos fins de semana. Ouvia então muita música. Dei-me conta de que estava bastante desatualizado e comprei algumas coisas que estavam então em moda. Uma delas era um disco de George Michael. Não gostei excessivamente, mas também não desgostei. Era uma música "levezinha", sem grande criatividade, que se ouvia bem, mas não deslumbrava. A voz, contudo, era manifestamente boa. Ao fim de algum tempo, deixei de ouvir o disco mas mantive-o no carro. Um dia, dei boleia a um colega - era o Duarte Ramalho Ortigão, cônsul-geral em Londres (não sei se ele ainda se lembra da cena). Quando olhou os meus discos, saiu-lhe: "O George Michael?! Que possidónio? Nem a minha filha gosta!" Fiquei sem saber o que dizer. Eu estava ainda dividido quanto à qualidade daquela música, mas não me apetecia deixar-me "conduzir" por aquela avaliação tão radical e definitiva. (Já me tem sucedido o mesmo face a um vinho, um livro ou um filme). Decidi ouvir o disco todo outra vez. E comprei mesmo outro disco do cantor. Fiquei absolutamente na mesma, sem uma opinião firme. Desde então, quando ouço George Michael, coloco-me na mesma posição "impressionista". E, invariavelmente, "saio" de forma idêntica: nem entusiasmado nem numa atitude mínima de rejeição. A única coisa que julgo ter percebido é a razão do sucesso do cantor, da construção do seu sucesso, o que não é a mesma coisa que partilhar essas razões. 

Lembrei-me disto há pouco, ao ouvir que George Michael morreu. Vou escutá-lo outra vez.

8 comentários:

Anónimo disse...

Na fase pós-Wham foi um artista de uma enorme elegância. "Listen without prejudice - vol. 1", "Older" e "Songs from the last century" são obras maiores.

Infelizmente, o que lhe sobrava em talento faltava-lhe em cabeça. Era drogado e sexualmente promíscuo e isso estragou-o.

Reaça disse...

Já foi tarde, porque se há-de endeusar gente que devia ser diabolizada pelo péssimo exemplo de vida para milhões de jovens em formação.

É tão mortífero gente desta como jovens suicidas dentro de um colete de granadas.

Isolá-los e demarcá-los e quem se queira imiscuir que o faça... para bem longe.

ignatz disse...

o marcelo tamém ripou o michael, mas teve a preocupação de mencionar o bowie e o prince para não ferir susceptibilidades e não correr riscos. empatas há muitos, mas poucos sabem pôr o x no sítio certo.
http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/presidente-da-republica-lamenta-morte-george-michael-103953?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter

Anónimo disse...

Caro anonimo das 09h43

Felizmente (?) ha muitos drogados sexualmente para contradizer a sua afirmaçao final. O problema foi o que enunciou primeiro: nao tinha cabeça.

Anónimo disse...

"26 de dezembro de 2016 às 23:51" escreve qualquer coisa que não se percebe bem o que é. Talvez estivesse sob o efeito de algo.

Majo Dutra disse...

Gostei.
~~~

Ana Vasconcelos disse...

Tínhamos visto Last Christmas, no Britain's Favourite Christmas Songs, programa habitual no dia de Natal, umas duas a três horas antes, quando a notícia da sua morte veio na rádio. Continua a parecer inacreditável que George Michael tenha morrido no dia que a que é talvez a sua canção mais conhecida celebra.

Anónimo disse...

Mais um mariconço....