sábado, 28 de setembro de 2013

Vitórias

Hoje, dia "de reflexão", não se deve falar de eleições na comunicação social. Nem nas redes sociais, presumo que blogues incluídos, segundo a Comissão Nacional de Eleições. Um país que acreditasse na maturidade dos seus eleitores já teria posto termo a esta ridícula política de "faz-de-conta".

Não é apenas pela permanência no tempo desta iníqua disposição que se constata que a inteligência dos portugueses é tida em limitada consideração pelos partidos políticos, que teimam em manter na lei esta absurda limitação. Na noite de domingo, teremos uma outra prova disso: com a maior "lata", e fazendo dos eleitores parvos, todos os partidos cantarão vitória.

O CDS e o Bloco de Esquerda acenarão com os seus microscópicos números, comparando-os com o "benchmark" temporal que lhes der mais jeito. Confessar a sua insignificância autárquica é que nunca! O PSD, que já pôs em campo a sua máquina de comentadores com vista a almofadar o que vai ser a "vitoriosa" abada que vai levar, recorrerá ao estafado truque de afirmar que os resultados, afinal, não foram tão maus como as previsões apontavam, que as coligações não autorizam leituras "precipitadas" da expressão partidária à escala nacional e que, no fundo, "eleições locais são locais", magnificando um ou outro êxito pontual menos aguardado. Internamente incomodado com o facto da sua natural vitória ficar bem longe da expressão de "landslide" que o profundo mal-estar do país deveria justificar em seu favor, o PS cavalgará as mais estrondosas derrotas do PSD e fará a sua festa, esquecendo Évora, Braga e Matosinhos, e contando votos, mandatos, grandes cidades ou câmaras, como melhor convier ao discurso do seu êxito anunciado. O PCP, através do heterónimo grupinho que renasce nos tempos eleitorais, proclamará a "grande derrota" que a política da "troika" sofreu, dando relevo "ao forte voto de confiança que o nosso povo uma vez mais concedeu aos candidatos da CDU". E, não desiludindo expetativas, conclamará as massas para a exigência de eleições legislativas antecipadas.

Os portugueses, esses, irão deitar-se amanhã com uma sensação de "déjà-vu".

14 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem, muito bem! Era assim que se dizia nos tempos do "estado novo". Com certeza que, no domingo à noite, todos vão dizer: "os nossos resultados são os melhores..." E já agora, hoje dia 28 de Setembro, comemora-se o quê?

opjj disse...

Excelentíssimo, veja se não será intimado pela CNE, é que vai puxando a brasa à sua sardinha!
Penso que a situação está tão perigosa que a factura ainda não fechou.
Olhando para trás, a TROIKA já deveria ter vindo à pelo 8 anos. Está claro que "os de cá" foram incapazes de comandar o barco.
BH

Anónimo disse...

"Os problemas da vitória são mais agradáveis do aqueles da derrota, mas não são menos difíceis."Autor - Churchill.

Não existem problemas em votar, sabe-se sempre, por exclusão de partes, em quem votar !

Alexandre

Anónimo disse...

Contrariamente ao que é habitual , eis um post que considero não me trazer nada de novo. Aconselho até que o Sr Embaixador o guarde para próximas eleições. Estará sempre "acertado".

Anónimo disse...

Pois é, é. A gente já nem sabe a volta que deve dar aos numeros!
Aqui em França os algarismos são postos à prova de um entendimento de arrancar cabelos. E não só em periodo eleitoral para comentar os resultados. As informações que nos vêm do governo sobre o desemprego dizem- nos que "la courbe du chômage s'inverse"...
Pensavamos que o numero de desempregados que há anos a fio não para de aumentar começava agora a diminuir o que era uma excelente noticia...
Afinal não é isso. O numero de desempregados continua a aumentar mas aumenta a um ritmo mais lento!
É verdade que é muito mais bonito dizer que " la courbe s'inverse", mesmo se o numero continua a aumentar, do que dizer: o numero de desempregados ainda continua a aumentar e isto é insuportável.
Porque esta é que é a verdade. É verdadeiramente insuportável e muito angustiante para os milhares (milhôes) de desempregados que não vêm qualquer outro futuro à sua frente que o desemprego e a miséria.
José Barros

patricio branco disse...

uma disposição ou limitação completamente ridicula o dia de reflexão. reflexão em quem votar? mas isso faz se todos os dias até ao minuto de votar, mas sempre temos afinal um descanso nós os cidadãos eleitores das campanhas desinteressantes e enganosas, chatas, hipocritas, etc, porque isso é o que cada vez mais se passa, o cansaço das promessas eleitorais, etc.

Anónimo disse...

Não sei se o PSD não estará na mesma posição que o PS quando foi da demissão do Guterres. As coisas estão-se a repetir muito em Portugal.
O regime está no fim.

Anónimo disse...

O Henrique Monteiro falou disto hoje no Expresso.pt hoje, antes do Senhor Embaixador. Agora a esquerda inspira-se nas ideias da direita? Nāo será assim que saímos desta crise.

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
E na segunda-feira: "vira o disco e toca o mesmo!"
Saudações de Banguecoque

Alcipe disse...

Eu passei o dia a reflectir, 7 horas no aeroporto do Luxemburgo! Nao, nao pedi asilo político ao Grão Duque, foi a TAP que se atrasou... Mas pensei muito!

EGR disse...

Senhor Embaixador: concordo, frase por frase, com o post de hoje.
Não creio, nem obviamente desejo, ao contrario do anonimo das 18 e 12que o regime democrático esteja no fim.
Mas que está a precisar de uma grande "volta" lá isso está.
Correndo o risco de ser qualificado como vaidoso, apetece-me dizer simplesmente que a mediocridade reinante nos protagonistas políticos, jornalistas, e nessa nova categoria profissional chamada de "comentadores" começa a não ser suportável.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 20:44: não tenho acesso ao Expresso on-line (não sou assinante) pelo que, ao contrário de si, não tive acesso ao seguramente interessante texto de Henrique Monteiro. E, já agora, fique a saber que penso pela minha cabeça e, quando me inspiro em alguém, digo-o abertamente. Aqui joga-se com as cartas sobre a mesa.

Anónimo disse...

@EGR
É essa "volta" que eu não vejo este regime ter forma de dar. Tornou-se um regime conservador no pior conceito da palavra.
Mas.... eu nem sou politizado.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro amigo
Nos discursos finais toda a gente vai ganhar. Já se sabe.
Pergunto: nas últimas autárquicas a abstenção de 43% foi, de facto, o maior partido. Será que isso significa que todos eles são preguiçosos? De certo que não. Há muita gente que se não revê nas listas da sua autarquia. Neste caso o que deve fazer? Voto nulo ou abster-se, para provar que o "material" não o serve?