sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Natália Correia

Artur Bual
Hoje, se fosse viva, Natália Correia faria 90 anos. Às vezes, ouço dizer de alguém que é uma pessoa "intensa". Não conheci muito bem Natália Correia (sobre quem ontem vi que foi publicado um livro de Fernando Dacosta), mas, pelo que acompanhei da sua vida e perfil humano, acho que o epíteto se lhe aplica muito bem.

Conheci-a pessoalmente, uma noite, no final dos anos sessenta, num bar, situado numa cave, perto do mercado de Campo de Ourique, julgo que frente à igreja, um local que nunca mais consegui localizar. Nele tocava então Denis Cintra, filho de Lindley Cintra, no tempo em que as baladas "de protesto" estavam na moda. Natália entrou, com Ary dos Santos e um pequeno séquito, juntando-se à nossa mesa, onde havia amigos comuns, por pouco mais de uma hora, partindo depois para outras noites.

Anos mais tarde, já pós-abril, voltei a falar com ela algumas (muito poucas) vezes no Botequim, o bar na Graça de que era proprietária e que se tornou num dos locais icónicos para a classe política da época. Basta dizer que foi Natália Correia quem apresentou Snu Abecasis a Sá Carneiro, de quem se tornaria feroz apaniguada, o que a levou a uma passagem pelo parlamento, que abalou com a sua verbe e a sua graça.

Não sou um fã da sua escrita, como o não fui das suas opções políticas, mas reconheço-lhe uma "intensidade" única e uma presença ímpar na sociedade portuguesa, onde sempre dizia em voz bem alta o que pensava. É um lugar comum, mas apetece-me dizer que fazem-nos hoje falta figuras como Natália Correia. Quase que imagino o que ela por aí hoje diria...

10 comentários:

Isabel Seixas disse...

Oh...Diria Abrenúncio, claro...


Balada para um Homem na Multidão

Este homem que entre a multidão
enternece por vezes destacar
é sempre o mesmo aqui ou no japão
a diferença é ele ignorar.

Muitos mortos foram necessários
para formar seus dentes um cabelo
vai movido por pés involuntários
e endoidece ser eu a percebê-lo.

Sentam-no à mesa de um café
num andaime ou sob um pinheiro
tanto faz desde que se esqueça
que é homem à espera que cresça
a árvore que dá dinheiro.

Alimentam-no do ar proibido
de um sonho que não é dele
não tem mais que esse frasco de vidro
para fechar a estrela do norte.
E só o seu corpo abolido
lhe pertence na hora da morte.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

patricio branco disse...

um grande poeta, prosador ou ficcionista nem tanto, uma personalidade de mulher que marcou tudo, as artes, o protesto, a liberdade de viver e pensarmos como queremos e somos, a politica,a sexualidade, a vida boémia, etc
a sua contraparte masculina é sem duvida ary dos santos, tambem aqui citado, outro grande poeta livre e bem que faziam dueto e curioso que fossem do circulo caseiro e intimo de fernanda de castro, em tempos casada com antónio ferro, o amigo de salazar, mas essa relação de personalidades politicas e artisticas diferentes é um exemplo de convivencia e coexistencia baseadas na arte, nos gostos, nos estilos, em coisas comuns fortes.
sim, um poeta a natalia correia que entusiasma ler, sim saiu o livro com evocações dela de fernando dacosta, a ver se folheio na livraria, espero que conte episódios saborosos e caracteristicos, uma mulher livre artisticamente, politicamente, etc

Anónimo disse...

caro patricio branco

nao sera poetisa que querera dizer?

cumprimentos

Anónimo disse...

Se calhar concordava, com isto que "corre" por aÍ:

"Lei de Reforma do Assembleia (proposta de emenda à Constituição)

1. O deputado será assalariado somente durante o mandato. Não haverá ‘reforma pelo tempo de deputado’, mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS referente ao seu trabalho como cidadão normal.


2 A Assembleia (deputados e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo actual de reforma da Assembleia passará para o regime do INSS imediatamente. Os senhores deputados participarão dos benefícios dentro do regime do INSS, exactamente como todos outros portugueses. O fundo de reforma não pode ser usado para qualquer outra finalidade.

3. Os senhores deputados e assessores devem pagar os seus planos de reforma, assim como todos os outros portugueses.

4 Aos deputados fica vedado aumentar os seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral, no mesmo período.

5. Os deputados e seus agregados perdem os seus actuais seguros de saúde, pagos pelos contribuintes, e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo português.

6. A Assembleia deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo português, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna da Assembleia.

7. Exercer um mandato na Assembleia é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não uma carreira. Os deputados não devem "servir" mais de duas legislaturas consecutivas.

8. É vedada a actividade de lobista ou de ‘consultor’ quando o objecto tiver qualquer laço com a causa pública. "

Alexandre

Rui Graça disse...

Creio que o bar era o Antiquarius, na 4 de Infantaria, de que era co-proprietário o pintor Nikias Skapinakis.

patricio branco disse...

a poetisa natalia correia, etc...

Anónimo disse...

Sr. Embaixador: um dia, mostrar-lhe-ei onde era o Bar em Campo de Ourique. Será que se chamava CANDEEIRO? Será que andava por lá um dito Samuel? Será que era na Rua Padre Francisco? Será que fomos lá juntos?

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro/a Anónimo/a das 18.41: era isso mesmo - o "Candeeiro"! E agora interrogo-me: seria o Denis Cintra ou, como diz, o Samuel. Fico com grande dúvida!

Anónimo disse...


o que escreve o Alexandre 13:10
já ouvi dizer que o TC chumbou porque viola artigos da constituição

Anónimo disse...

Também pelo Candeeiro andava o Cintra.