segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A opinião do "Público"

O "Público" decidiu mudar alguns dos seus colunistas, o que é sempre saudável e refrescante num órgão de comunicação social. E assume que o faz para garantir a "necessidade de respeitar o equilíbrio e pluralidade das várias sensibilidades e tendências de opinião na sociedade portuguesa". Como jornal privado, o "Público" está no pleníssimo direito de convidar quem quiser para nele escrever. Até podia, se assim apetecesse a quem o dirige, escolher apenas colaboradores de uma única lateralização ideológica. O "Público", apesar do nome, não tem o dever de se sujeitar às regras de pluralismo do "serviço público". Mas fá-lo e isso é louvável.

A liberdade, que não o direito, que assumo pela minha qualidade de leitor e admirador do jornal desde a primeira hora (embora já nele tenha havido bem melhores dias, devo confessar), que sou e continuarei a ser, leva-me a dizer que a continuação da insistência na presença, como "colunistas", de figuras no exercicio ativo de funções político-partidárias (algumas das quais meus amigos, outras pessoas que muito respeito, pelo que estou mais à vontade para dizer o que digo) é um fator que, não só pouco acrescenta ao jornal, como é mesmo um pouco redutor, independentemente da indiscutível qualidade pessoal, intelectual e de escrita, dos eleitos. É óbvio que muitas dessas pessoas não são, nem serão, meros "porta-vozes" partidários, que algumas delas até podem não estar em consonância constante com as direções das forças políticas a que pertencem, mas, na minha opinião, que não é, pelos vistos, a opinião do "Público", estaremos sempre perante perfeitamente dispensáveis "tempos de antena" partidários. Ainda por cima, pagos.

E, de passagem, num outro contexto similar, permitam-me que lembre o que escrevi aqui.

17 comentários:

Anónimo disse...

"O Público" jornal que leio, deveria fazer um esforço em relação aos seus editoriais mais do que em relação aos que publicam opiniões assinadas. Últimamente os editoriais não tem a menor importância por serem manifestamente enviesados, o que não faria mal se fossem assinados. Igualmente deveria fazer um esforço em relação à edição das notícias, mesmo as assinadas, para que não fossem publicados tantos "desejos que acontecesse", e não factos.
João Vieira
PS. Concordo pois com a opinião do Emb. que o jornal já conheceu melhores dias (não sei se pelas messmas razões)

Anónimo disse...

Como referiu num post abaixo de forma bem-humorada, nada como um pouco de política para despoletar os comentários. Pois bem: concordo consigo no que diz sobre o Público, mas saliento que no que toca a "tempos de antena" a mudança nada traz de novo, pois não me parece que o tratar-se de pessoas no exercício activo de funções político-partidárias, ou não, mude o que quer que seja. Alguns dos colunistas, agora de saída, consistente e coerentemente veiculavam as respectivas ideologias sócio-políticas, de tal forma que ao lê-los dava a impressão de a crónica já estar escrita de antemão, sujeita apenas a alterações de forma para melhor se ajustar ao "tema do dia". Não concorda? Quer-me parecer que é essa previsibilidade que reduz o interesse do jornal para os leitores em busca de pluralidade de opiniões, muito mais do que o exercício de funções de alguns cronistas. Assim sendo, continuarei a ser leitor de edição impressa (isto é, enquanto os cortes o permitirem) sabendo que (sim) o Público já viu melhores dias, que (sim) os cronistas são "enviesados", além de que o suplemento P2 não tem pés nem cabeça e que a crítica musical do "Ípsilon" (assim mesmo, por extenso) é escrita num jargão incompreensível. Mas, que fazer, é o que há.

DL

patricio branco disse...

O mesmo acontece na televisão, mesmo nas independentes ou privadas. Alem dos comentadores profissionais, grande parte dos debates incluem um representante de cada um dos partidos representados na a r, podem ser dos 5 ou 4 ou 3 ou 2 partidos, que é o mesmo. Vivemos assim num clima de permanente campanha eleitoral, com os participantes falando cada um pelo seu partido, repetindo a biblia do clube a que pertencem. É cansativo, farta e nem sequer é bom para o esclarecimento de quem ouve que já sabe a conversa.

Verdade, "o publico" já teve melhores dias, hoje lê-se em 10 minutos e ao fim do dia dá-se mais uma passagem pelas folhas, que nada traz de novo. Mas bom que introduza a novidade de novos colaboradores, concordo que pode ser refrescante, esperemos que sim.

patricio branco disse...

a fotografia com uma pilha de jornais lembra-me algo que vi já há uns 30 anos, uma sala dum apartamento de habitação coberta e cheia de alto abaixo de pilhas do monde, não havia mobilias, só essas muitas pilhas que cobriam o chão e tinham a altura de 2 metros pelo menos. Uma decada do jornal, calculo.

Anónimo disse...

o Publico foi um projeto que poderia ser,interessante.Agora é mais um,desinteressante(para não ser hostil)Sempre me pareceu suspeito o Sr.Belmiro mostrar interesse por este negócio e ser capaz de respeitá-lo.

Helena Sacadura Cabral disse...

Acabei de pôr um comentário na notícia, lamentando a partidarização da opinião.
De facto começa a tornar-se um cansaço ouvi-los nos telejornais, vê-los nos frente a frente e lê-los nos jornais!
Até nisto estamos deficitários!

Anónimo disse...

Lapidar que está hoje a velha senhora! Disse:

'o público' foi
agora só doi.

Helena Sacadura Cabral disse...

Valha-nos a velha Senhora que sabe sempre o que dizer!
Onde terá ela aprendido tanto? Na poesia, de certo!

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

O «Público» foi ideal para os cavalheiros trazerem dobrado debaixo do braço (tal como «Expresso»), enquanto iam subindo e descendo a Rua Nova do Almada e se sentavam pelos cafés do Chiado.

Ainda se liam jornais quando o «Público» apareceu tentando abater o «Diário de Notícias» de que então era o chefe da Redacção. Nunca o conseguiu, mas deu muita luta.

Apresentou-se sempre como o jornal dos bem pensantes, dos cultos, das elites, da proeminência e foi uma iniciativa da responsabilidade de Belmiro de Azevedo que não acertou na mouche.

Quis apresentar-se como sendo do contra o Poder qualquer ele que fosse. Também não chegou lá. O Poder, seja ele económico ou financeiro (e daí político) nunca gostou, não gosta e não gostará de quem não... está com ele.

Por isso prefere os yess men, naturalmente dizendo que não: faz o seu papel. É difícil mudar, ainda que o povo diga que só os burros é que não mudam. E eu acrescento: depende da palha que se lhes dá e de quem lha dá.

Aprendi quando comecei a tentar fazer jornais que há sempre que fazer uma distinção: notícia é notícia, opinião é opinião. Quando se misturam - o que acontece infelizmente cada vez mais e, até, quotidianamente - está o caldo entornado.

Com as mesmas pessoas, ou com pessoas diferentes. O descrédito é uma rampa inclinada - a descer.

(Peço desculpa ao meu caríssimo Amigo Francisco pelo tamanho deste comentário, quiçá emulo da espada do Dom Afonso Henriques..., pelo espaço que lhe roubei)

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Henrique: Vocência não rouba, apenas utiliza o que é devido à livre expressão das ideias que assume, neste espaço que a Google, por um mistério da natureza, nos faculta de borla. Aliás, sobre a gratuitidades dos blogues, e-mails e coisas virtuais que vamos tendo à mão de semear, tenho em casa uma pessoa, deliberadamente infoexcluída, que ainda acha que, um dia, nos vai chegar ainda uma conta calada para pagar tudo isto. Eu acho que não: já paguei! No tempo que isto me rouba!

Fernando B. disse...

Agora um pouco de má lingua... O Publico está muito, muito fraco, e vai-se safando pois é oferecido aos clientes do Continente, em todas as lojas (o valor é creditado no cartão, e fica disponivel no dia seguinte), durante o 2º semestre de 2011. Notabilizou-se pela luta contra Sócrates, no que chegou a ser obsessivo, com o antigo Director " a atingir as raias do paradoxismo", como diria o meu Pai.
Se calhar isto anda tudo ligado!
O patrão, esse mesmo BA, chegou a surgir numa arruada do principal adversário do dito Socrates!!! Só que o disparate da redução da TSU, não passou...

Abro uma excepção ao Inimigo Publico... diverte-me!

Cunha Ribeiro disse...

Concordo com a refrescagem opinativa. Só acho, muito sincera e humildemente, que agora era a minha vez...

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Antunes Ferreira
Sempre me lembro de crescer e ver o meu Pai ler o DN. Trabalhei nele quase 5 anos e tenho uma imensa saudade desse tempo, eu que não sou saudosista.
Continuo a contar com muito bons amigos lá no Jornal. Mas o DN de hoje, tem pouco a ver com o que eu conheci...

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Fernando B
Estou consigo: divirto-me com o IP

Anónimo disse...

A velha senhora apreciou o comentário da Drª. Helena Sacadura Cabral e prometeu responder-lhe.
Li-lhe o resto dos comentários a bater no Público. Achou pouco, exaltou-se em palavrões que aqui não passam e rimalhou:

que corropio
que grande coro
co'o ip rio
co'o resto choro.

Anónimo disse...

Corrijo o segundo verso do poema de Fernando Pessoa:

'(Se ela estivesse deitada)'

Sorry.

ié-ié disse...

Os blogues só são gratis até determinado plafond, a partir do qual se paga 20 dólares por ano (quase gratis, na verdade...).

O plafond é medido pelo espaço que ocupa.

LPA