quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Las dos Españas"

Não, não me estou a referir àquelas que ontem se defrontaram e que foram tituladas por dois estrangeiros geniais: Messi e Cristiano Ronaldo.

As "duas Espanhas" de que quero aqui falar são as do poema de António Machado e que dão mostras de se manterem na profundidade da alma espanhola: a Espanha tradicionalista, católica, absolutizadora dos valores da ordem e a Espanha progressista, laica e disposta a forçar roturas de modernidade.

Os confrontos religiosos que ontem tiveram lugar em Madrid são um sinal pouco agradável de que sobrevivem, na sociedade vizinha, tensões radicais que, não obstante enquadradas por uma sólida democracia, testada por duras provas nas últimas décadas, se situam agora já fora do terreno das ideologias políticas e começam a ancorar no reino menos racional e muito mais emotivo das crenças. Esperemos que o bom senso prevaleça e que esta polarização, somada à crise económica e ao tempo eleitoral que aí virá, se resolva sem grandes feridas no tecido desse grande país que é a Espanha, cuja estabilidade faz mais parte da nossa do que alguns inocentes inúteis pensam.

9 comentários:

Anónimo disse...

Oh Se subscrevo.
Isabel Seixas

Alcipe disse...

Ya hay un español que quiere
vivir y a vivir empieza,
entre una España que muere
y otra España que bosteza.
Españolito que vienes
al mundo, te guarde Dios.
Una de las dos Españas
ha de helarte el corazón.


Antonio Machado

Anónimo disse...

Talvez ganhássemos todos se V.Exa se dignasse explicar esse seu pendor iberista. Sempre seria melhor do que a tosca carimbadela de "inocentes inúteis" com que despacha aqueles que acreditam que o interesse dos nossos vizinhos não coincide com o nosso. Há cura para o seu mal, no entanto: umas boas leituras de História...

Quando V. Exa estava em Angola, também se afirmava contra a autodeterminação dos povos?

Quanto à comentadora Isabel Seixas, meia dúzia de textos aqui lidos são suficientes para que se perca toda a esperança: é daquelas pessoas que faz gala de dizer que torce pela outra equipa. Não perde uma oportunidade: seja contra o Acordo Ortográfico, seja na defesa dos estrangeirismos na linguagem, seja no elogio ao país vizinho... É como os escoteiros: está sempre alerta!

Saudações cordiais.

Fernando Pedrosa

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Fernando Pedrosa: publicar o seu comentário deu-me imenso prazer, pode crer. Raramente sou lido tão ao contrário daquilo que escrevo. Parabéns!

PS - Se tiver tempo, leia isto:http://ou-quatro-coisas.blogspot.com/2008/12/independencia-de-portugal-hoje.html. Se não tiver, não tem importância.

Anónimo disse...

"Para que se perca toda a esperança"(...)

Exmo Fernando

Obrigada, pela deferência, respondo-lhe com todo respeito e nostalgia se eventualmente lhe suscitei alguma espectativa que a seguir gorei...Temos pena

Reservo-me o direito de admissão das minhas opções normalmente respondo por elas

Sou e sempre fui que fique claro assumidamente "a favor"(não contra como Diz) do acordo ortográfico, acho-o facilitador em termos de comunicaçóa efectiva.

Há precisamente quarenta anos que vivo ao lado dos Espanhois são mesmo os meus segundos hermanos.

Os estrangeirismos na linguagem é só para me armar, neste contexto claro, que sei são do dominio dos leitores,só para mostrar que percebi o sentido... Dou-Lhe razão

AGORA PORQUE NÃO TRANSFORMA A PERDA EM GANHO...

Oh, faça como entender
Cumprimento pessoal
Isabel Seixas

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Em Madrid, um bando de tolerantes resolveu mostrar - mais uma vez - a sua intolerância em relação ao Papa e em relação aos católicos em geral. Com atitudes, vá, pouco educadas, os tolerantes provocaram deliberadamente os jovens católicos que invadiram Madrid. Faz sentido, sim senhora: estes jovens devem estar a preparar, às escondidas, uma nova Armada Invencível destinada a espalhar a inquisição pelos quatro cantos do mundo.

Os nossos queridos tolerantes dizem que as suas provocações (eles usam um eufemismo: manifs) estão a defender a laicidade. Perdão? A laicidade não legitima manifestações públicas de intolerância, de ódio puro e visceral (aquela raiva até pinga). A laicidade não é esta demonstração de desprezo pelos padrecos e beatas. Laicidade é uma questão institucional, é viver num Estado não-religioso, é viver num país cujo governo é imune a um Ayatollah ou a um Richelieu. Ou seja, a laicidade remete para o Estado, e não para a sociedade. Problema? Os nossos tolerantes têm dificuldades em separar estes dois conceitos. É por isso que não aceitam que, na sociedade, os grupos religiosos têm o direito a intervir, têm o direito a fazer as suas demonstrações públicas de fé. No fundo, a coisa tem uma explicação mui simples: os nossos tolerantes-que-não-tomam-banho-durante-uma-semana-porque-isso-é-cool-e-bom-para-o-ambiente não aceitam a mera existência de demonstrações públicas de católicos. Na sua visão do mundo, os católicos deviam ser uma tribo clandestina, com o direito a missas em garagens ou assim . E, já agora, o argumento do dinheiro público é patético. A sério? Uma visita do Papa custa dinheiro, sobretudo no lado da segurança? A sério? Bom, sendo assim, a Espanha também não pode receber o Obama, não pode receber o Sarkozy, não pode receber o Dalai Lama, não pode receber uma cimeira da UE, porque tudo isso implica gastar dinheiro público. É mais honesto dizer "eu não gosto destes católicos nojentos, e não os quero na minha cidade".

Para terminar, convém reparar nas indignações selectivas destes tolerantes. Durante todo o ano, chegam notícias preocupantes das comunidades muçulmanas. A homofobia e a misoginia é fortíssima entre os muçulmanos europeus, mas estes tolerantes não abrem a boca sobre este assunto. Conclusão? Esta gente não está preocupada com a laicidade ou com a tolerância. Estes tolerantes são apenas os bons e velhos jacobinos, e odiar o catolicismo é a sua virtude. Viva os tolerantes.

In : http://aeiou.expresso.pt/ai-sei-la-e-tao-fixe-bater-no-papa=f668775#ixzz1VSoiCxrg

patricio branco disse...

Com todas as suas diversidades, regiões, tensões, sucessos, espanha é hoje um dos grandes países europeus e mundiais.
O fenómeno da plaza del sol é uma curiosidade e só em infima percentagem define a espanha.
E a iberia inclui portugal, como o benelux os 3 paises que o formam (embora o termo tenha hoje pouco sentido em termos internacionais).

Anónimo disse...

Anónimo, serei inútil, inocente é que não sou. Assustam-me os 'católicos', em Espanha e não só, que condenam como provocação manifestações de desacordo e até de amor em público, e não as cargas da polícia contra os manifestantes ('que-não-tomam-banho'!!!). 'Amai-vos uns aos outros' alguém disse - quem diria? E, por favor, haja algum respeito pela Santa Inquisição que não consta ter estado ao serviço da 'intolerância em relação ao Papa e em relação aos católicos em geral'.

Para si, cara Isabel Seixas, a velha senhora ditou:

isabelinha querida
minha jovem meu amor
não seja tão decidida
não responda por favor
a quem não a saiba ler
não lhe dê esse prazer

não sei também porque se há-de
ser contra nuestros hermanos
co'os nossos séculos de idade
não lhes tememos os danos
eles é que estão frustrados
de nós castrados coitados

ah e o acordo com certeza
com quantos mais a gente ama
português falando à mesa
melhor ainda na cama
língua é viva não em vão
oh que amor de perdição.

Anónimo disse...

Agradeça com carinho e consideração à minha amiga,obrigada pelo cuidado.
Vou pensar seriamente em seguir o conselho.

É... Talvez a resposta seja não responder...
Isabel Seixas