quarta-feira, 8 de junho de 2011

Semprún

Hoje, como membro do júri do "Prix des Ambassadeurs" (um prémio literário anual sobre história política, atribuído por um júri constituído por 20 embaixadores acreditados em Paris, escolhidos sob a égide da Académie Française), apresentei um parecer sobre "Le Bolchevisme à la française", de Stéphane Courtois, um livro que é um "pavé" de cerca de 600 páginas, sobre o comunismo em França (já agora: não aconselho o livro). 

Nesse texto, citei, a certo passo, Jorge Semprún, o escritor e político hispano-francês que efetuou um processo de afastamento do PC espanhol e que, a esse propósito, escreveu, entre outros, um livro muito curioso -  "Autobiografia de Federico Sanchez".

No termo da minha intervenção, um colega revelou que Semprún morrera, ontem, aqui em Paris.

Foi por recomendação do António Massano que conheci, nos anos 70, essa obra, creio que editada pela Moraes. A "Autobiografia" foi apenas o primeiro dos vários livros de Semprún que fui lendo ao longo dos anos - sobre o seu tempo de prisioneiro dos nazis, a sua vida no universo clandestino comunista, o seu regresso à Espanha democrática e vários outros temas e pretextos. Se tivesse de recomendar uma única obra de Semprún, eu optaria por "Le mort qu'il faut" (não faço ideia se há tradução portuguesa), sobre a experiência no campo de concentração de Buchenwald.

Pela riqueza da sua vida, Semprún fazia parte daquelas pessoas que eu gostaria de ter conhecido pessoalmente.

4 comentários:

Anónimo disse...

Grande homem, grande escritor

Julia Macias-Valet disse...

"(já agora: não aconselho)."

O comunismo em França ?...ou o "pavé" ? ; )
...ou ambos ? : )))

Helena Oneto disse...

Também eu gostaria de o ter conhecido pessoalmente!

margarida disse...

Não sei se ele escreveu outras obras sobre o assunto e portanto não posso afirmar com toda a certeza, mas o único livro que já li deste escritor (e que adorei, apesar de ter chorado em várias partes...) chama-se "A escrita ou a vida" e é sobre o tempo passado em Buchenwald, portanto poderá ser a tradução portuguesa do livro que refere.