sexta-feira, 10 de junho de 2011

Fado em Paris

Dificilmente será possível juntar em Portugal, num único espetáculo, o conjunto de fadistas que a Câmara Municipal de Lisboa trará, hoje à noite, às 20.30 h, ao Théâtre de la Ville, em Paris.

Carlos do Carmo, Cristina Branco, Camané, Carminho e Ricardo Ribeiro, pertencendo todos ao núcleo dos maiores intérpretes contemporâneos do fado, representam como que três gerações da canção portuguesa. Hoje em dia, o fado "está bem e recomenda-se", como o prova a multiplicidade de intérpretes que têm vindo a afirmar-se nos últimos anos.

Dentro de alguns meses, o fado deverá ser consagrado como "património imaterial da humanidade", no âmbito da UNESCO, se tudo correr como esperamos. E é justo que isso aconteça em Paris, cidade do mundo onde o fado é acarinhado como em nenhum outro lugar.

Neste "Dia de Portugal", em que o fado, com o simpático apoio de Emmanuel Démarcy-Mota, sobe ao palco do prestigiado Théâtre de la Ville, julgo de justiça deixar aqui uma palavra a uma intérpetre a quem a a divulgação da canção portuguesa em França muito deve e que a comunidade portuguesa não esquece e acarinha, como sempre fica evidenciado nos seus regressos a Paris: Mísia.

8 comentários:

Anónimo disse...

Depois de ter andado
Até lindas horas no Fado
vem mostrar-se acordado...

Depois incita a água na boca
Indelével a fazer de conta
Fado em Paris...Será afronta?

Depois fique sabendo vossa Ex.a
Camões ainda levanta a inocência
Do fado ou fadista sua preferência

Depois chega mostarda ao nariz
Dor de cotovelo como aqui se diz Fado e em Camões estão em Paris

Isabel Seixas

Anónimo disse...

De fato, senhor Embaixador, falta Misia no cartaz, sobretudo pela importância que ela tem sem dùvida em Paris. A sua ausência da lista deve-se, se calhar, ao fato das relações, entre a gente do fado também não serem sempre fàceis. Mas ela merecia figurar neste concerto, tal como Mariza, que esteve prevista, mas que não pode estar presente por razões pessoais.

Daniel Ribeiro

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Daniel Ribeiro: uma nota para lembrar que a palavra "facto" - contrariamente ao que se possa julgar - não sofre nenhuma mudança com o acordo ortográfico, pelo que, em nenhuma circunstância, perde o "c".

Quanto a Mísia, do meu post não se pode inferir qualquer juízo de valor sobre a sua integração ou não no espetáculo desta noite. Isso não me compete, tanto mais que, se entrássemos pelo caminho de quem mais poderia estar nele presente, essa iria ser uma discussão sem fim.

Neste Dia de Portugal, saudemos o espetáculo e não procuremos, muito "à portuguesa", suscitar conflitos artificiais que possam diminuir a sua importância. Ninguém ganha nada com isso.

Anónimo disse...

É típico dos portugueses criticarem tudo... Se foi é porque foi, se não foi é porque não foi!

Claro que a Mísia tem a sua importância (ninguém lhe tira esse estatuto!), mas já é de louvar levar um leque tão vasto de excelentes fadistas e o espectáculo realizar-se no Théâtre de la Ville, dirigido pelo Emmanuel Démarcy-Mota (um luso-descendente).

Vai ser um enorme acontecimento e erguer bem alto o nome de Portugal em terras gaulesas.

Isabel BP

Anónimo disse...

Quando tentou vestir o fato do acordo faço alguns erros, de facto... obrigado pela correçao... Mau, senhor embaixador, sobre o fado e outras coisas nao entro nessas guerras portuguesas das quais vivo afastado desde hà muitos anos... apenas dei uma opiniao depois de o ter lido a lembrar a
Misia, bem a proposito, aliàs, no seu Post.
aliàs, ontem, escrevi isto, sobre o assunto:
http://aeiou.expresso.pt/antonio-costa-vai-aos-fados-em-paris=f654715

Cumprimentos.
daniel ribeiro

mpereiradecastro disse...

Aparecer em palco na companhia de músicos não faz de Mísia uma cantora. Aquele fio de voz, falso, é de fugir. Mas que ela é « acarinhada » pelo público francês, é verdade.
Tal como é verdade que os Franceses gostam de beber Porto em copos largos cheios de pedaços de gelo! Agora, se esse feitio - refinado na ideia deles?- chama-se « saber apreciar » o nosso néctar...
E o que se ouvia ao ver Portugueses por o mesmo numa « coupe/flute de champagne »?...
mpereiradecastro

Anónimo disse...

Li à minha velha, que não fala desde a noite de domingo (constipação ou ressaca, receitou-se antibióticos que toma com verde branco), os tercetos da cara I. Seixas. Olhou-me de soslaio e rabiscou:

ó minha menina
vá não tenha INVEJA
pecado maior
do nosso país
é camões que o diz
neste pormenor
de ser palavrão
com que ele termina
a grande epopeia
não fazia ideia
cara isabel veja
que eu velha não
não vejo um c…..

e que viva o fado
cá e em todo o lado!

Anónimo disse...

Posso Sr. Embaixador?
Obrigada
É a consideração que me move

Que eu saiba por exemplo, Canhão/Cristão em Portugal não é vernáculo...


O verde branco potencia o «verdágua»,bem selecionada a
mistura que sem ser explosiva pode ser que amaine/amenize o turbilhão de ambivalências como neutraliza o antibiótico...Ai...

Então veja lá se Camões ajuda

Podeis-vos embarcar,que tendes vento
E mar tranquilo pera a pátria amada.»
Assi lhe disse; e logo movimento
Fazem da Ilha alegre e namorada.
Levam refresco e nobre mantimento;
Levam a companhia desejada
Das Ninfas, que hão-de ter eternamente,
Por mais tempo que o Sol o mundo aquente.

Parece Encorajador de rosa...
A velha amiga gosta?!
Isabel Seixas