quarta-feira, 29 de junho de 2011

Empresas e diplomacia

O ministério dos Negócios Estrangeiros francês - o Quai d'Orsay, no jargão vulgar - proporciona aos embaixadores aqui acreditados, bem como a personalidades parlamentares ligadas às relações externas, encontros matinais, à volta de um café e de um croissant, com dirigentes dos maiores grupos económicos franceses. Estive hoje em mais uma dessas reuniões.

Não somos muitos aqueles que, impreterivelmente, entre as 8.30 e as 9.45 da manhã, comparecemos, com regularidade, a esses encontros. Devo dizer que, sem uma única exceção, saí até hoje dessas palestras, seguidas de perguntas, sempre mais enriquecido com as informações e as análises transmitidas por essas figuras relevantes do tecido empresarial francês. Para além de ficar a conhecer as suas empresas e o modo como elas olham o mundo e o seu futuro, esses encontros também me têm feito entender melhor as razões do êxito dos principais setores da economia francesa.

Uma última nota: nesses encontros, estão sempre presentes os dirigentes de topo desses grupos económicos. Nunca se fazem substituir, por exemplo, devido a "impedimentos de última hora". "À bon entendeur".

6 comentários:

ARPires disse...

Por cá também é assim:
1-Marcar um reunião para as 8H30,não passa pela cabeça de ninguém, pois o resultado era não aparecer vivalma, à hora marcada.
2-Por cá marcam-se reuniões para as 11H30, pois assim tudo fica mais próximo da hora do almoço e já se sabe qual o restaurante XPTO, onde vamos almoçar, tudo à custa do orçamento.
3-Marcam-se reuniões diárias, para discutir coisa nenhuma, sendo a maior parte delas, reuniões sem o mínimo de preparação, inconclusivas, logo totalmente improdutivas.
OBS:
Tenho dito isto muitas vezes, longe ainda desta crise, só acreditar na UE, quando fosse possível em qualquer conselho de administração de uma qualquer empresa portuguesa, composta de cinco elementos, ter a seguinte distribuição; Um teria que ser alemão, outro francês, um outro poderia ser holandês, um quarto elemento até poderia ser nórdico (sueco, dinamarquês, finlandês, etc) e somente para desempatar em caso de necessidade, estar lá um português.
Como isso, não sei se um dia vai ser possível acontecer, continuo céptico.

Anónimo disse...

Em França, as pessoas começam de facto a trabalhar cedo: até os políticos que estão em direto, em longas entrevistas, subilnhe-se, nas diversas rádios entre as 7h30 e as 8h30. Em Portugal ninguém aceita ser entrevistado a essa hora, a não ser, quando muito pelo telefone e, mesmo assim, nem sempre! Costumes...

Daniel Ribeiro

Helena Sacadura Cabral disse...

A bon entendeur...salut!

EGR disse...

Senhor Embaixador: parece-me que também neste dominio,isto é, o da diplomacia económica, e da sua relevante importancia, o decurso do tempo vai ter influencia.
Aguardo, com expectativa,as apreciações laudatórias dos que,há pouco,se referiam aos esforços feitos nessa area usando expressões depreciativas,e algumas até, de puro mau gosto.
De novo me associo as felicitações
que lhe são dirigidas pelo empenho nessa tarefa.
EGR

Cícero Catilinária disse...

Para já não falar, caro embaixador, na simplicidade do trato entre as pessoas, em que fulano é o "monsieur fulano" e sicrano é o "monsieur sicrano", em contraponto à, e perdoe-me a expressão, "cagança" dos portugueses, em que os "títulos", como o Dr. e o Engº., muitas vezes imerecidos e indevidamente usados, têm de vir sempre à cabeça.
Quanto ao (não) cumprimento de horários, posso dar-lhe testemunho, de uma empresa onde trabalhei alguns anos, cujo dono era absolutamente incapaz de comparecer à hora combinada fosse para o que fosse, uma visita a um cliente, um encontro com um fornecedor ou um simples almoço ou jantar, o que exasperava de sobremaneira o delegado comercial de uma empresa francesa representada por nós em Portugal, que nos visitava frequentemente. A "febre" de chegar atrasado era de tal ordem, que nas festas anuais da terra onde nasceu, comprava com grande antecedência bilhetes para a tourada que encerrava as ditas, para a primeira fila, chegando invariavelmente atrasado meia hora ou mais, o que deixava a esposa dele pelos cabelos. Um dia perguntei-lhe, " Mas porque raio é que o sr. tem sempre que chegar à tourada quando ela vai quase a meio?" Resposta dele: "Tá sossegado, então não vês que entrando atrasado, para chegar ao meu lugar tenho de incomodar aquela malta toda e assim tenho a certeza que todos reparam em mim".
Portuguesices.
Saudações

EGR disse...

Senhor Embaixador:ontem depois de ler o post sobre "Empresas e diplomacia"e de ter escrito,a propósito um comentário,visitei o
"Notas Verbais" e eis que nele encontro o seguinte trecho do programa do governo:"reforçar a orientação da diplomacia portuguesa para a vertente económica em coordenação com a AICEP"
Não resisti a tentação de o transcrever.
EGR