quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cohen

A minha experiência de concertos musicais ao vivo (fora os de música clássica, claro) não é muito positiva. Com raras exceções, e independentemente da qualidade cénica dos espetáculos, acabo, quase sempre, por sair um tanto desiludido dessas aventuras. Para o auditório, o som raramente é bom e há que aturar os patetas que, para mostrar que conhecem as músicas, as abafam com aplausos, aos primeiros acordes. Depois, há a chusma histérica que, logo que pode, arranca dos seus lugares e se "ajunta" no sopé do palco, repetindo alto os refrões e tapando a vista a quem fez o esforço de pagar o que achava que iam ser ótimos lugares. E, desculpem lá!, abomino o "pessoal dos isqueiros", na sua patética nostalgia.

Digo isto para notar que, deliberadamente, já me escusei a ir ver dois espetáculos de Leonard Cohen, apenas para ter a certeza de me não iria sentir desiludido com o trabalho desse magnífico artista canadiano, que ontem ganhou o prémio "príncipe das Astúrias" - derrotando, ao que dizem, António Lobo Antunes e Ian McEwan. Cohen é um magnífico compositor, escreve excelentes poemas e canta com um estilo único. Merecido prémio.

20 comentários:

catinga disse...

A questão das palmas é muito típica nossa (e dos Brasileiros, pelo que me é dado ouvir). Pelo menos, é coisa que arruina constantemente as gravações ao vivo dos nossos artistas. E não é só no início, é também em qualquer altura em que o artista dê um ar da sua graça. Uma seca!

Mas... nos concertos de música clássica, também é hábito as pessoas baterem palmas fora de tempo. Oh, se é! Isso e estarem sempre desejosas de acompanhar a música com umas "palminhas" ritmadas.

Helena Sacadura Cabral disse...

Adoro L. Cohen. E, diga-se, quando há real talento, a idade só o torna mais evidente!

Fada do bosque disse...

Sim... merecido! A voz desse homem é algo fora do comum e associada às suas letras, é extasiante! Fiquei contente! Mereceu mesmo! :)

Anónimo disse...

Estou plenamente de acordo com o Sr. Embaixador.
São essas razões todas que enumera - e mais uma - que me afastam dos espectáculos musicais. A minha razão suplementar tem a ver com o preço dos bilhetes. Para quem vive no limiar da pobreza, o preço de uma entrada é muitas vezes igual ao valor que pagaria pela discografia completa do artista em causa.

Anónimo disse...

Também os concertos que gosto mais são os que o cantor faz só para mim, sussurrados ao ouvido pelos phones, e quase gratuitos, sem ingerências...
Isabel seixas

catinga disse...

Fala-se de preços... Pois bem, de há uns tempos para cá ir ver música clássica passou a ficar substancialmente mais caro, com a substituição do Coliseu de Lisboa pelo Teatro Tivoli. Sabem porquê? Porque deixou de haver o "galinheiro" com os seus bilhetes a EUR 10.

Ah pois! Que o Tivoli é coisa 2,7 vezes mais fina... (no mínimo)

Sara L. Miranda disse...

Gostei do post e do blog. Virei mais vezes.

patricio branco disse...

por vezes, os grandes premios tomam decisões pouco claras. Sem duvida que LC pode ser um grande cantor compositor interprete, de palavras e musica, mas ganhar um prémio das "letras" (literatura, portanto) parece-me peculiar, quando a distinção, que poderia ter ido para um poeta, romancista, dramaturgo.
Mas posso estar a falar sem saber, o senhor ser um excelente poeta, um par entre os pares, dos melhores entre os iguais, no que respeita à poesia. E que alem disso canta e compõe.
Resultado: vou ouvir e ler LC para melhor perceber, se é que não há outras razões para lhe dar o premio.

patricio branco disse...

há que usar o tivoli. E o s jorge.
Por alguma razão foram resgatados.

Anónimo disse...

Leonard Cohen - The Letters - Lyrics

Há vozes
que se inscrevem na memória.

Isabel seixas

Anónimo disse...

Ouvi de manhã na rádio que Leonard Cohen ganhou o prémio "príncipe das Astúrias", fiquei deveras contente porque aprecio tudo - voz, letras e a sua enorme classe.

Senhor Embaixador, quanto ao resto do post, apenas abomino os isqueiros, porque vi quase todos os grandes concertos que se realizaram na década de 90 no antigo estádio de Alvalade (mas nunca no relvado) e foram simplesmente únicos!!!

Isabel BP

Anónimo disse...

Cai bem este post sobre artistas, porque tenho a informar à S.EXCIA SR Embaixador, que acabo de ouvir na RFI, em português, um artista, um escritor e filósofo português, Luis de Miranda, que lamenta ter 12 livros publicados em França, onde tem grande sucesso, mas que nenhum deles está traduzido em Portugal. Mas mais, ele afirma nao ser conhecido em Portugal e que nunca foi convidado por ninguém em Portugal.
Acontece que já li os livros desse grande autor, em francês, mas não me passava pela cabeça que os seus livros não fossem traduzidos para português.
Como é possivel Senhor EMBAIXADOR, sendo Sua EXCIA, escritor também que não tenha convidado esse eximio criador, que até criou o seu próprio movimento de pensamento?!
Não vou dizer mais nada, mas fica aqui o link para descobrirem esse caso de sucesso em França, um português, completamente desconhecido em Portugal, mas que parece ser uma sumidade de pensamento criativo e filosófico.

Mas eu acho que o Senhor Embaixador ainda vai a tempo de convidar esse homem de letras Luis Miranda para as festas do 10 de Junho. Os livros dele estão na Net!

http://www.portugues.rfi.fr/africa/20110602-entrevista-ao-romancista-e-filosofo-luis-de-miranda

António P. disse...

Também tenho essa sua sensação/opinião, caro Embaixador, no que aos concertos pop/rock diz respeito.
Mas o concerto de Cohen em Lisboa em Julho de 2009 não a comprovou.
A qualidade do artista é tal que o público fica "dominado". Gostei.
Cumprimentos

Aclim disse...

o shrek tbm gosta do Leonard Cohen...rsrrsrs

Anónimo disse...

No rescaldo;
Além de que a foto é de uma entrega de espontaneidade...
Se fosse a expressão coincidente com a noticia do prémio...
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Prémio bem merecido.

Adoro ouvir L. Cohen, a qualquer hora, em qualquer local.

Isabel Botelho

Eduardo Antunes disse...

Sr. Embaixador, os isqueiros estão "démoder"! quem anda com isqueiro ou é pirómano ou fuma. Sobre os pirómanos não me vou pronunciar, quanto a fumar, já não é sinal de coisa nenhuma senão de viciado! por isso hoje o efeito a que se refere é feito com telemóvel, de preferência iPhone. Não será nenhuma surpresa se vir alguém com um iPads a fazer o mesmo.
Digo isto porque no mês passado fui assistir ao MotoGP no Estoril e vi mais do que um, a tirar fotos não com máquina fotográfica ou telemóvel mas com o seu novíssimo iPad colocado bem em frente às nossas caras para o caso de não termos percebido o quão felizardos eles eram. Enfim...como se diz no Norte, AZEITEIROS!

Anónimo disse...

Pergunta-me a velha "que se passa / cum caraça / já nem valho / o trabalho / de a blague em blogue poder / aparecer?". Não havendo de nossa parte nenhuma intenção de ofender, talvez me tenha apenas enganado, 'nético' nulo que sou, na tecla de enviar comentário, pelo aqui o reenvio, modificado.

A minha velha ultrapassa-se, em raiva e palavrões, quando tocam nos seus ídolos. Gostou muito do post sobre o seu adorado Leonard (entra em transe só de o ver em foto ou vídeo) mas não gostou de alguns comentários - e sonetilhou, irónica e sem palavrões:

olá meu caro
embaixador n'est ce pas
é muito raro
que eu velha e meio gagá
vil ente ignaro
vá comentar o que está
escrito a claro
em blogues de cá e lá
mas tanto gosto
de em bom blogue aparecer  
de embaixador
que até aposto  
inócua ser tal qualquer 
comentador.

Anónimo disse...

Shreck gosta de L. Cohen

W. Herzog tambem (Fata Morgana)

R. Altman gostava de L. Cohen (McCabe and Mrs, Miller)

Gosto muito de L.Cohen, Vou reler e ouvir

Maria Crabtree

Anónimo disse...

Eu também hesitei muito, mas finalmente resolvi ir ver Cohen ao vivo. Foi um espectáculo muito poderoso, muito bem montado. A voz estava apenas um pouco mais rouca (mais vivida), mas a personalidade.... essa era maior do que nunca. E eu regressei ao lirismo e à utopia da adolescência. Se puder vá.