sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Diplomacia e poesia

Não percam, no Tim Tim no Tibete, um excelente poema sobre os diplomatas, os poetas e os poetas diplomatas ou vice-versa.

3 comentários:

Anónimo disse...

Um diplomata só** já é risível;
poeta e diplomata, isso é demais!

** faltou a virgula...Ou Não?!

Risivel diplomata e poeta é eventualmente unisexo mas vê-se bem que a entoação é nitidamente masculina.

"Poetas são patetas com plumas
e diplomatas são coisas nenhumas."

Convenhamos que é uma excelente expressão poética da subtileza da dor de cotovelo... do quem desdenha quer comprar...Hum de quem vê a porta entreaberta e quer com a intensidade da força da curiosidade entrar...

Divinal...
Isabel seixas

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Eu o crónico “manga de alpaca” e com mais de um terço de minha vida ao serviço da Diplomacia Portuguesa nunca encontrei um poeta.
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Mas tenho na minha “gaveta” cerebral algumas histórias com sabor e humor divertidas.
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Acredito que alguns meus chefes de missão escreveram, poemas, para a gaveta, da sua secretária, e ficam por lá até que um dia apareceu um neto, orgulhoso do seu avó, e escarrapacha, a poesia que escreveu.
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Um meu amigo embaixador, desde há 20 anos, que por algumas vezes me disse escrever suas memórias, conserva matéria ao Deus dará e ao pó e até hoje as memórias jamais saíram.
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Não penso que depois dos 80 anos as memórias serão expostas nos escaparates das livrarias.
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Poetas embaixadores nunca deu por eles nem tão-pouco, vocação.
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Mas tive um tenor... que cantava ópera bem e a mesma, um trecho da “Traviata”.
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Nas recepções de amigos, o meu embaixador era massacrado para cantar ópera.
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Quando me chegava, pela manhã, o mordomo da residência à chancelaria com algum recado perguntava-lhe: “o senhor embaixador já tomou o pequeno almoço?
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Não está na casa de banho e emitava, parte, do seu canto da Traviata.
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Um dos más línguas ( diplomata) um dia sussurrou-me ao ouvido: “sabe como o embaixador é conhecido nas Necessidades?” - Arrematou: “tumor maligno”.
Saudações de Banguecoque
José Martins

P.S. Que não se tome o que descrevo no sentido pejorativo, nada tenho a apontar com os meus queridos embaixadores. A uns poucos já os indultei em 50%. O resto do perdão virá a seguir e não tarda.

patricio branco disse...

poeta e diplomata, poeta e politico, há muitos pelo mundo fora: poeta, deputado e presidente da republica (L S Senghor); poeta e PR (agostinho neto, corsino fortes); resistente, politico, deputado e candidato à pr. da republica (manuel alegre); pablo neruda, ruben dario, James Lowell, andres bello, vicente gerbasi, octavio paz, lamartine (foi ministro negócios estrangeiros), chateaubriand, georgio seferiades (premio nobel como claudel e S J perse); politico e poeta (aimé césaire); almeida garrett, francisco manuel de melo, etc. digo, para concluir, opinião´minha, que a diplomacia pode servir a poesia, mas a poesia não tem que servir a diplomacia numa mesma pessoa. O poeta diplomata não usa a poesia no seu trabalho, mas pode aproveitar a sua vivencia na diplomacia (ou politica) para enriquecer o seu trabalho poético.

Mas também há politicos e diplomatas (excelentes) pintores, ou romancistas, ou médicos, ou ou arquitectos. A criação artistica não tem limites e se eventualmente há incompatibilidades com uma actividade profissional (ex falta de tempo) normalmente a que vence é a artistica, sendo a outra abandonada ou relegada para 2º lugar.