sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Jornalismo português

O cenário era o pátio do palácio do Eliseu, sede da Presidência da República francesa. O primeiro-ministro português falava ontem aos jornalistas, após um dia de recepção calorosa por parte do presidente Nicolas Sarkozy, sublinhado em vários momentos públicos.

A certa altura, um jornalista português, vindo expressamente de Lisboa para cobrir a deslocação, perguntou: "O senhor primeiro-ministro tem uma muito boa relação com o presidente da República francesa. Não gostaria de ter também uma boa relação com o presidente da República em Portugal?".

Ando há muitos anos na vida diplomática, considero-me um observador atento da vida política e mediática internacional. Porém, devo dizer, nunca tinha visto nada igual.

20 comentários:

Anónimo disse...

Foi uma pergunta pertinente e nao inpertinente.Alias os portugueses dao-se melhor com os estrangeiros do que entre si.

Bento Freire disse...

É deselegante, provocatório e mal-educado. Infelizmente, há uma doença que corroe o jornalismo português e já infectou uma boa parte dos seus profissionais: a convicção de que, para afirmarem independência, tse tem que ser desrespeituoso, insultuoso e ter ideias feitas.
Esse é o tipo de pergunta que o "jornalista" traz engatilhado, por iniciativa sua os dos chefes.
Pobres...

Anónimo disse...

importante é apenas saber se Sócrates tem melhores relações com o presidente francês ou com o português... o resto, são panadinhos de salmão entrincheirados entre duas folhinhas de hortelã e uma pitada de vinagre de muita qualidade, vínico, claro.
experimentem, vão ver como é bom.
mas se for também possível saber com quem se dá melhor o primeiro ministro português, se com sarkozy ou com cavaco, era fixe.
rita

João Antelmo disse...

Isto passou-se há 2 minutos.
Terminou a votação, no Parlamento de Portugal, que universaliza o instituto do casamento, autorizando o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O PM, que quiz solenizar este passo histórico, defendendo pessoalmente a proposta, sai do hemiciclo e profere uma breve declaração sobre a importância deste dia e sobre o que ele representa na História do combate à discriminação.
Avança um rapazola, de microfone em punho qual "cornetto" da Olá, e dispara esta pérola:
"E sobre os números do desemprego, quer dizer alguma coisa?".
É um jornalista.

Anónimo disse...

Chama-se a isto apemas meu jornalismo. O que pensarão os colegas deste "profissional" ? Ninguém se chega à frente ?

Anónimo disse...

E se alguém os censura? "Aqui d'el Rey" que estão a atacar a imprensa livre e democática.
Por essas e por outras: este ex-leitor de jornais portugueses dá-se melhor com os jornalistas estranjeiros do que com os portugueses!
Oscar Carvalho

Helena Sacadura Cabral disse...

Pois Senhor Embaixador eu já vi algo parecido. No tempo em que Prof. Cavaco era PM.
Mudam-se os tempos mas...não se mudam as vontades. Nem a educação que agora até é mais abrangente. Dizem. Questão, afinal, apenas de "novas oportunidades"!

Anónimo disse...

Ficamos a saber aqui coisas que nenhum jornalista português noticiou... E JS respondeu o quê?

Leandro Silva disse...

Se nos abstrairmos de toda a seriedade, presenciar esta questão até poderia ser um daqueles momentos da vida que não tem preço. Mas só sem toda a seriedade.

Blondewithaphd disse...

Enfim, é engolir em seco...

Julia Macias-Valet disse...

Nao sei se a este tipo de atitude se chama falta de profissionalismo ou falta de educaçao. Mas tenho a certeza que se chama : Falta de Tacto !

Anónimo disse...

Estas questões merecem a resposta-tipo da minha avó às nossas questões consideradas impertinentes: - vá ver se está a chover lá fora! (a avó mantinha uma expressão facial assertiva e um tom de voz que demonstrava mt segurança...)

Anónimo disse...

Quem anda à chuva molha-se. E quem é político não deve esperar contemplações dos jornalistas. Sempre assim foi, sempre assim será. Goste-se, ou não das perguntas (ou impertinências) deles.
Miguel Reis

Anónimo disse...

Se o João Cesar Monteiro fosse vivo, respondia-lhes no seu estilo:
P - "Olhe porque é que fez o filme (o Branca de Neve) assim?"
R - "Olhe, porque não quis fazer assado!"
Albano

Anónimo disse...

Sr. Miguel Reis: "contemplações" ou educação ?

José Barros disse...

Às vezes sinto-me jornalista e ofendido. Pessoalmente não vejo onde há impertinência na pergunta do Jornalista que o Sr. Embaixador não nomeia... É capaz de haver ironia e às vezes a ironia até pode ser pertinente. Sobretudo quando as palavras ditas a sério perdem o sentido o que acontece muito com certos auditores políticos. O Eça de Queiroz foi mordaz e até intitulou “farpas” alguns textos seus. O que eu não sei é se ele antevia que aqueles textos nunca perderiam actualidade. Mas penso que devemos continuar a utilizar a ironia (mesmo que alguns a sintam como facadas). Ou então sejamos todos sérios.

Anónimo disse...

Oh João Antelmo, essa de introduzir, ainda que ao de leve, o casamento homossexual, pode ser fracturante, como se diz agora e o aqui o Embaixador não gosta de polémicas. Cuidado!
João Forjaz

Anónimo disse...

Senhor José Barros,
A pergunta que é referida no post tem a ironia de um pontapé nas canelas e a pertinência de de um escafandro no deserto do Namibe.
Não é pertinente porque saber se o PM português simpatiza mais com um ou com outro dos seus interlocutores não aquece nem arrefece; não é pertinente porque é provável que, no encontro, tenham sido debatidos alguns temas mais importantes.
E, ironia, francamente...
A ironia e o humor não estão ao alcance de todos. Lembrar o Eça a propósito duma exibição de idiotice, é obra, como diria o próprio.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Um tanto atrasado, não posso deixar passar em claro este tristíssimo episódio. Por algum motivo tenho dito, redito e tridito que hoje não voltaria a fazer jornais. Este é um exemplo, mau, péssimo, entre muitos outros que, infelizmente, por aí se passam.

è realmente uma triste demonstração de que alguns «jornalistas» não prestam. E hoje, infelizmente, são bastantes. Os suficientes para se desacreditarem e desacreditar os outros.

Mas, por que bulas prestariam se NÓS os Portugueses não prestamos? Com muitas e honrosas excepções, obviamente... Sublinho o NÓS, pois também o sou.

Miguel disse...

lol..acho que foi bom a vinda dele ca.