segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pinto da Costa


O Futebol Clube do Porto atravessa um mau momento. Provavelmente, um dos seus tempos menos gloriosos das últimas décadas. Não sou portista, não tenho a menor simpatia pelo clube das Antas (sou dos que não dizem "do dragão"), fiquei contentíssimo ao ver o Sporting lá ganhar e acho que faz muito bem àquela gente um forte banho de humildade, embora lamente que disso seja o Benfica o beneficiário.

Dito isto, quero deixar claro que considero inconcebível ler e ouvir o que alguns portistas dizem por estes dias sobre Pinto da Costa. É de uma ingratidão sem limites não respeitar o que ele fez pelo FC do Porto, levando-o de um estatuto de província, de eterno "terceiro", aos píncaros do futebol mundial, com conquistas à escala europeia e global que nenhum clube português alguma vez pode sonhar igualar.

O FC do Porto deve tudo a Pinto da Costa, desde a dedicação de uma vida até à capacidade de gestão do futebol que fica a anos luz de qualquer outro clube português e só igualada ou superada por poucos outros clubes pelo mundo. Claro que para isso contribuiu o "desequilibrar" do poder da arbitragem para o Norte. Mas o que é que faziam, até então, o Benfica e o Sporting? O Porto não ganhou o que ganhou pelas qualidades nutricionais da "fruta" servida no Pérola Negra ou pelo facto de apitos mais ou menos dourados terem mostrado amarelos intimidatórios no início de muitos jogos ou livres à entrada da área nos últimos minutos. Ganhou-os também por isso (há agora quem lhe esteja a suceder e sempre o tivesse pretendido) mas, essencialmente, porque os "andrades" foram, a uma distância imensa, o clube mais bem dirigido do nosso país.

Não aprecio o estilo público de liderança de Pinto da Costa, a sua pesporrência e desprezo pelos adversários, a radicalização regionalista e algo saloia do seu discurso, a fanfarronice a que só Rui Rio teve coragem para pôr cobro. Mas tenho uma imensa admiração pelo grande homem de futebol que é, sem par em Portugal, pelo que entendo como profundamente injusta a rejeição que, por estes dias, sofre por parte de quem lhe deve imensas alegrias. O que não é o meu caso.

14 comentários:

Anónimo disse...

O senhor embaixador fala de sucessores feito inacio ou por conta do fora de jogo do Moreirense,do pénalti e da expulsão perdoados no Dragão?

Anónimo disse...

numa procissão onde os acólitos se atropelam, tinha que vir um idiota falar,engasgadamente, do Moreirense. Já quanto ao percurso limpinho, limpinho de 3 anos, é vê-los caladinhos, que amanhã já tudo se esquece, e fica o "35" . São assim estes labregos que não são da província.
Já agora, o autor do bloco fala, pejorativamente, de andrades, mas aposto que não sabe o porquê. Tenho muito orgulho em ser andrade. E ainda mais pelas respectivas razões. Disso, e ser do Porto, que sempre me diferencia duma casta execrável, que não vive na província.

Anónimo disse...

Ao anónimo das 18:00. Tal como o Embaixador sou Nortenho de Vila Real e tal como o Embaixador Sportinguista com muito orgulho. Vivi, Estudei e trabalhei muitos anos no Porto, aliás a seguir a Vila Real é a cidade por quem sinto mais carinho, mas efetivamente detesto o F.C. Porto, agora vir cá o anónimo falar de roubo da arbitragem em favor do Sporting, só pode ser para rir. Presenciei imensos jogos nas Antas entre Porto e Sporting e vi anos a fio o meu Sporting sair de lá vergado a verdadeiros roubos maiores que a torre dos clérigos. O Sporting ainda pode ser benefeciado mais uns trinta anos para podermos falar em equilibiro de roubos de arbitragem.

Anónimo disse...

Caro anónimo das 18h

Interrogo-me porque é que tantas pessoas não comentam o que o Embaixador escreve, ou a mensagem que entrega e sim comentam assuntos "a latere", como foi o caso?

O FCP deve tudo a Pinto da Costa, magnífico gestor dos seus interesses, do seu plantel, das suas glórias, das suas taças.

Tivesse ele 40 anos e estariam todos a puxar por ele, a dizer " para o ano é que é", a discutir as futuras contratações, a chamar nomes à arbitragem e ao Benfica
( o Sporting é mais poupado, por regra ) e por aí fora. Mas ele está em fim de ciclo e, portanto, verdadeiramente, já não é um activo.

Este texto do Embaixador é sobre ingratidão, sobre falta de vergonha na cara dos sócios e adeptos do FCP, sobre ausência de dignidade. Este texto não é sobre foras de jogo, penaltis e expulsões.

Digo eu, que não tenho interesse nenhum na matéria: sou mulher, sou do Sporting, mas nem sei o nome do treinador e não percebo nada de futebol, nem vou a nenhum estádio ver jogos.

Mas aquilo que é feio é feio.
E disso, sim, é que trata este texto. De atitudes feias.
E sobre isso acho que posso opinar.





Reaça disse...

Foi Pinto da Costa e foi Alberto João Jardim, os dois grandes heróis destes 42 anos de "amplas liberdades".

Ficaram a quilómetros outros grandes heróis como os DDT (donos disto tudo) bancos offshores e certos dinossauros da política.

Os dois regionalistas, sim, um na Madeira, outro no Porto, brincaram com isto tudo.

Foi um gozo do carago!

Francisco Seixas da Costa disse...

Ao Anónimo das 21.00. Conheço muito bem a história do Sr. Andrade e da sua bancada. Já acertaram as contas?

Isabel Seixas disse...

Gostei muito da mensagem implícita no post e gostei muito do comentário do anônimo das 21:01.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

"Ganhou-os também por isso (há agora quem lhe esteja a suceder e sempre o tivesse pretendido) mas, essencialmente, porque os "andrades" foram, a uma distância imensa, o clube mais bem dirigido do nosso país."

Inteiramente de acordo.

Um dos grandes erros do meu Benfica foi, durante anos, pensar que o Porto só ganhava por causa da "fruta" e não era capaz de observar o que é que o Porto ( e Pinto da Costa) estava a fazer bem. Inventou um inimigo para unir: o Sul (os mouros). Só uma pessoa mandava no clube: ele (PC). Eliminou os opositores internos. Criou uma mística. Construiu grandes equipas. Comprava bons jogadores e treinadores. Vendia-os melhor. Como complemento, tantas vezes decisivo, vinha a "fruta". Interrogo-me se sem ela o Porto teria exercido a hegemonia durante tantos anos. De uma coisa não tenho dúvidas. Num país a sério, como a Itália (apesar da máfia) o FCP, com o apito dourado, teria descido à 2ª divisão.

"Há há agora quem lhe esteja a suceder".

Pois há! A estratégia (embora a inteligência e a cultura os distinga) é a mesma. Um inimigo de morte: o Benfica. Uma pressão constante e indecorosa sobre os árbitros (que está a dar resultados: o Soares Dias teve medo de marcar o segundo penalti a favor do Porto), que só uma Liga inoperante o permite (numa Liga a sério,em Inglaterra, com as multas bem pesadas, tal não se verificaria). A guerrilha permanente. A presença no banco. A eliminação da oposição e de antigos dirigentes do clube. Tudo isto foi a estratégia de Pinto de Costa. Para levar a cabo esta estratégia, nada melhor que ir buscar dois "homens", dois "guerrilheiros" com passdo no FCP: Inácio (é mesmo inácio) e o execrável Octávio Machado. E a "coisa" funciona. É como nas ditaduras: instala-se o medo. E com medo de se serem apontados como fazendo o jogo do inimigo (o Benfica), pessoas que sabemos, pelo seu carácter, pelo seu percurso de vida, pelo seu estatuto, não se revêem (não se podem rever, sob pena de se negarem a si próprias) calam-se!

Anónimo disse...

O Sr. Embaixador fala de Pinto da Costa como se dissesse que Ricardo Salgado, Bava, Rendeiro, Alberto João Jardim,....fossem grandes gestores. Haja dó!

Anónimo disse...

A saudada anónima das 21:01 tem uma opinião sobre o que se deve opinar. Ela sabe sobre o que é o texto do Eambaixador.

«Este texto do Embaixador é sobre ingratidão, sobre falta de vergonha na cara dos sócios e adeptos do FCP, sobre ausência de dignidade. Este texto não é sobre foras de jogo, penaltis e expulsões.»

Os comentadores terão muito menos inteligência que a anónima e a sua saudadora. Não percebem bem como devem comentar. Haja quem tenha a elegância de lhes apontar a luz, o feio e o bonito.

Por isso, um texto que é "sobre ingratidão" - escrito na sequência cronológica, mas não por causa, dos elogios de Pinto da Costa à dinâmica do Sporting - quase só teve comentários por causa dos foras de jogo, penaltis e expulsões.

Não deve ter sido nada por causa da frase "há agora quem lhe esteja a suceder", uma coisinha inocente, caída ali por acaso, e sem qualquer ressonância do fraseado de cavalheiros tão distintos como Inácio e Carvalho.

Anónimo disse...

Sr. Embaixador, não sei como lê esta caixa de comentários. Eu fechava-a. Qualquer dia, isto parece a caixa de comentários dos jornais portugueses.Há pessoas que saem das cavernas todos os dias só para virem opinar nestas caixas de comentários.

Mónica Vasconcelos

Anónimo disse...

Conhece bem a história do sr Andrade e da sua bancada?! Bem me parecia que não sabe o mínimo, do que pretende falar. Mas um dia destes conto-lhe a história.
Ouvi-a do meu pai, velho frequentador dos palcos da cidade, e esta história do Andrade, viveu-se no Lima.
E até lhe falo do "Barrufas" velho atleta do water-polo do Porto, e que foi protagonista na história que criou os Andrades.
Mas a mim o que mais "diverte" é ouvir as "histórias" fantasiosas que os verdes sempre contam. Coisas da "nobreza"...

Anónimo disse...

Caros anónimos que me comentaram ( a mim a das 21.01 ).

Nunca pensei que o meu texto suscitasse tantas e tão vigorosas reacções.

Não entendo nada de futebol como disse anteriormente e posso acreditar que por detrás das palavras do Embaixador haja também algumas "indirectas futebolísticas" sobre elogios ao Sporting ( certamente merecidos, uma vez que é o meu clube ), os Andrades,que eu nem sei quem são, os apitos dourados e as passagens à 2ª divisão. Mas nada disso é central no texto em apreciação.

Do que este texto fala é da ingratidão dos sócios/adeptos de um clube de futebol para com aquele que é responsável pelas muitas alegrias que os mesmos tiveram nos últimos 20? 30? anos à frente de uma TV ou num estádio de futebol.
"As simple as that".

E não, eu não saí das cavernas para opinar sobre o que o Embaixador - meu colega - escreve. Há muito tempo que o faço, sempre e quando o mesmo tempo mo permite.
Normalmente comento assuntos de política internacional,"et pour cause", mas neste caso, justamente porque se falava de atitudes feias, permiti-me opinar.
Porque dessas todos temos experiência na vida.

Parece que não estou sozinha nesta minha apreciação. Obrigado Isabel Seixas.

Mas o meu comentário só me reponsabiliza a mim.
Que não entendo nada de futebol.
Nem preciso, para comentar este texto.

Anónimo disse...

"Parece que não estou sozinha nesta minha apreciação", diz a anónima das 21.01.

Não estará, mas e depois? Os outros como nós quase todos anónimos também não estão. E não é preciso perceber de futebol, bastaria saber que deixar frases polissémicas embutidas numa intervenção escrita abrem um mundo de intenções. Tanto mais que é colega de um embaixador e aprecia a política internacional.

De qualquer modo, parece-me que quem fala de cavernas (e sugere o agrilhoar dos comentadores na caverna) até está consigo.