segunda-feira, 16 de maio de 2016

Mezinhas


Leio hoje na imprensa que o governo pretende legislar sobre alguns falsos "medicamentos" que por aí se vendem. Não tenho a certeza de que isso vá ser conseguido e que essa vontade vá muito longe.

Há semanas, numa viagem de automóvel, durante várias horas, tive o cuidado de acompanhar numa determinada emissora de rádio repetidos e variados "spots" de propaganda a uma determinada "mezinha". A acreditar nos bem treinados intervenientes, muitos disfarçados de clientes "satisfeitos", o produto fazia bem a quase tudo, desde o funcionamento do aparelho digestivo ao colesterol, diminuía a diabetes e era deixada uma pouco subliminar sugestão de benefícios anti-cancerígenos. Tudo isto, para além de um monte de outros "benefícios" colaterais. A tramóia seguia a regra tradicional das estratégias publicitárias ("se ligar na próxima meia hora, recebe duas embalagens e paga menos x"). Só não era credibilizada com pessoas com bata e óculos, a "armar ao sério" e em fundo de "laboratório", porque não havia imagem. No resto, desde a música suave às vozes "redondas", com testemunhos de uma maioria de mulheres, como convém, estava lá tudo.

Posso avaliar o efeito apelativo que este tipo de publicidade desonesta deve ter em gente idosa ou fragilizada por doenças, em pessoas angustiadas em tentar tudo  possível, a quem estas mixórdias são impingidas, a preços que não tão baratos como isso. Dir-me-ão que, em muitos casos, se trata de placebos. Mas então, se assim é, é bem pior: estamos perante uma falcatrua. Se o "medicamento" não pode ter efeito, há que denunciar isso? Ninguém atua? Porquê? O Infarmed não pode fazer uma denúncia? As Ordens dos Médicos ou dos Farmacêuticos nada fazem? A DECO não lança campanhas televisivas ou radiofónicas contra isto, agora que o preço da publicidade anda de rastos? Não há quem proteja os consumidores no aparelho governamental?

Receio muito que pouco vá acontecer. Porquê? Porque, por exemplo, algumas dessas miseráveis peças de publicidade parecem-me ser o sustentáculo de uma certa estação que, pela música que emite, surge dedicada a pessoas de idade e que é dependente de um grupo que parece ter, de há muito, bênção divina.

Nestas questões é que eu gostava de ver ativa a vontade "fraturante" do Bloco de Esquerda. Não em relação aos alucinogénios ou às drogas falsificadas, mas às vigarices que atingem pessoas idosas ou doentes.

14 comentários:

Carlos Fonseca disse...

Resumindo: A velha banha da cobra está de volta.

Anónimo disse...

mas porque se haverá de tirar conteúdo aos velhos? Depois de que falariam eles, que tem sempre o enfoque nas doenças? Estas actividades até são serviço público. E afinal os vendedores não fazem mais de que outras corporações.
Os políticos tem neste ambiente os eleitores padrão, as igrejas também se movimentam preferencialmente no meio, e a minha formação cristã permite-me conhecer que estas pessoas são as escolhidas. Então não é delas o Reino dos Céus?!

Anónimo disse...

Trata-se de um negócio que alimenta muitas tetas.O silêncio de entidades responsáveis é ensurdecedor, por causa disso. O lucro é tanto que dá para muita coisa.
CC

ignatz disse...

se gostava de orientar a direcção política do bloco, tem bom remédio, inscreva-se, pague cotas e candidate-se.

Jaime Santos disse...

Para se ser ladrão é preciso pelo menos coragem. Um vigarista, ainda por cima alguém que vende um produto legal recorrendo a técnicas de marketing, nem disso precisa. Ou seja, alguém que se aproveita da credulidade dos mais frágeis de entre os frágeis é mesmo do mais desprezível que há. Convém aliás dizer que a hipótese de que alguns destes produtos e suplementos são apenas placebos é uma hipótese otimista. É realmente pena que o BE não tome como sua esta causa...

Ana Vasconcelos disse...

Tem toda a razão e devia haver uma intervenção pública muito maior sobre estes produtos. Penso que algumas barreiras para tal têm a ver com o facto de estes produtos não serem comercializados como medicamentos, mas como 'suplementos alimentares', e nesta área há uma falta de regulamentação inexplicável. É interessante também ver que as farmácias também vendem 'suplementos alimentares' e daí se gera uma conivência de interesses.

Anónimo disse...

Lá vem ele com a diatribe anti-Bloco. Já começa a ser preocupante. O melhor é ingressar nas hostes e dali tentar influenciá-los!

Anónimo disse...

nao me diga

esta a falar du beau fils du vieux gâteux? vous n'aimez pas l'anona ni le mangoustanier? ohh mais vous etes vraiment un vieux babtou européen monsieur l'ambassadeur...

:)

cumprimentos

CORREIA DA SILVA disse...

É fartar...vilanagem !!!!!



Anónimo disse...

É pena não generalizar mais! Desacredita o discurso! Sim, porque isto já é uma “normalidade”! Não vale a pena apontar umas diretas ao BE e umas veladas à Igreja!
Tanta conversa sobre a ida de alguns para empregados dos chineses e nada se diz das “novas” aquisições do Santander! Houve mesmo independência no negócio? O quê que todos os “candidatos” sabem de TIR, VAL, payback, RLG, etc.?
A corrupção como “negócio” também passa pelo emprego das famílias tanto biológicas como partidárias. E a CAP (corrupção de “abrir portas”) até pode não ser tão peçonhenta como a CEF (corrupção do emprego familiar).
Ao que isto chegou!

Luís Lavoura disse...

Não em relação aos alucinogénios ou às drogas falsificadas, mas às vigarices que atingem pessoas idosas ou doentes.

Há uma diferença muito importante: as drogas falsificadas matam; as vigarices não. Esses produtos podem ser vigarices mas, que se saiba, não fazem propriamente mal à saúde. Enquanto que heroína falsificada com pó de talco mata mesmo.

Luís Lavoura disse...

Este é o típico discurso socialista que pretende pôr o Estado a vigiar e regular tudo para impedir falsificações, vigarices etc etc etc e fazer o mundo todo ficar uma coisinha eticamente muito limpa.
É claro que há vígaros e que há pessoas ingénuas. E haverá sempre. E, quando o Estado regular estes produtos, outros surgirão. E as tantas não haverá Estado que chegue para regular toda a vigarice humana.

Isabel Seixas disse...

A regulação da regulação e um guarda a cada guarda vai cair per si.
Agora , o tema da banha da cobra é-me particularmente desconfortável porque traduz a supremacia/hegemonia da chico espertice face ao queimar de pestanas durante seculos de investigação...

A questão da impulsividade para o consumo de drogas é um facto real e é uma doença que deve ser tratada com dignidade através da prescrição adequada de medicamentos /drogas para atenuar o sofrimento. Claro que concordo e defendo a despenalização dos consumos, a liberalização e integração com farmacovigilância nas farmácias e prescrição por médicos da especialidade.
basicamente a abollição dos magnatas das drogas que vivem à custa do fabrico de moribundos em vida ... sou ainda a favor dos programas de redução de danos felizmente bem estruturados e pensados tendo em conta os ganhos em vida e saúde.

um grande post sr. embaixador, quanto ao bloco de esquerda, sr. Embaixador , cada vez gosto mais com esta capacidade de cooperação a favor da prossecução do programa mais humanizado do governo e o deixar marinar os interesses lapidares do partido em favor do bem comum, não sei não mas estou quase quase a perder aquele medo de me soltar das amarras do não sei bem e tal vou-me deixando ficar...estou quase quase a assumir-me e ...já levo bastantes comigo...

Anónimo disse...

Afinal, de que produtos estamos a falar?

Acaso os «velhinhos» não são mais iludidos por medicamentos que parecem curar mas não curam, agindo apenas ao nível dos sintomas, tornando crónicas inúmeras doenças?

O Bloco de Esquerda (BE), honra lhe seja feita, foi o único partido que teve a coragem política de propor na Assembleia da República, há uma dúzia de anos, a legalização e a Regulamentação das «Medicinas Alternativas», num claro propósito de separar o trigo do joio.

Isso sim, deve dizer-se. O resto, são meros comentários.