quarta-feira, 15 de junho de 2011

Notas soltas

1. Imaginemos que um país "do Sul" da Europa tinha levantado uma qualquer "lebre" sobre um produto alimentar alemão, que viesse a provocar uma disrupção na produção e nos circuitos de comercialização do país. Caía o Carmo e o Reichstag! Não tendo sido assim, paga o orçamento da União Europeia...

2. Nestas coisas de sensibilidade dos mercados - talvez porque nunca tenha sido um grande fã da "mão invisível" - não me considero dos melhores "meteorologistas". Porém, o ambiente de divisão que se está a criar entre o Banco Central Europeu, por um lado, e a Alemanha e o Eurogrupo, por outro, relativamente às soluções para a situação grega, traz-me muito maus pressentimentos. Bastante para além (ou aquém) da Grécia, claro.

3. O caso de "Amina Arraf", uma suposta lésbica sírio-americana que, de Damasco, editava um blogue que estava a fazer sensação junto de quem seguia, à distância, a crítica situação na Síria, é bem a prova de que a "balda" no mundo da internet acaba por dar alguma razão a quem o pretende regular. Um suposto rapto de "Amina Arraf", que sublinhava nos seus textos a situação de repressão que se vive naquele país, provocou uma onda de solidariedade internacional. Afinal, "Amina Arraf" era um americano, estudante em Edimburgo, que inventava as histórias no seu blogue...

4. Fui hoje ver "La conquête", um filme de quase-ficção sobre a ascensão de Nicolas Sarkozy à presidência da República francesa. Os primeiros comentários davam a obra como uma caricatura achincalhante para a figura do chefe de Estado. Depois, foi com curiosidade que li uma apreciação benévola do filme por parte de Brice Hortefeux, uma das personalidades mais próximas do presidente francês. Hoje confirmei, uma vez mais, que uma obra tem a leitura que cada um estiver disponível para fazer.

5. Tira-teimas com um amigo diplomata que comigo entrou, no mesmo dia, no Ministério dos Negócios Estrangeiros: quantos ministros já tivémos nas Necessidades, até hoje? Ele dizia 16, eu dizia 19. Na realidade, depois de consultarmos o Anuário (um dia falarei deste clássico "instrumento" da nossa carreira), verificámos que, desde a nossa tomada de posse, em 14 de agosto de 1975, houve 18 personalidades diferentes que assumiram o cargo de chefe da diplomacia portuguesa, embora duas delas o tivessem feito por duas vezes, o que significa que tivémos, de facto, 20 ministros. É muito, em 36 anos? Talvez. No mesmo período, os EUA tiveram 12, a Espanha e o Brasil 13, a França e o Reino Unido 15, a Itália 18. Porém, desde que cheguei a Paris, o Quai d'Orsay já teve três titulares.

8 comentários:

Anónimo disse...

O meu comentário bem pode intitular-se "Desabafos soltos numa noite de insónia":

1 – Fosse outro país europeu a meter-se com os produtos alimentares da Senhora Merkel e... não era só o Reichstag que caía!!!

2 – Voltei a estar inquieta com as minhas poupanças!

3 – O caso de "Amina Arraf" é mais um dos tristes exemplos do quanto se pode mentir na internet, mas o rapazola não devia ficar impune porque isto desencadeia algum cepticismo mesmo quando as situações forem verídicas.

4 – Não creio que tenha disposição para ver "La conquête".

5 – Ao “Anuário” aplica-se que “a tradição já não é o que era”. Anda muito desactualizado e sem o rigor de outrora.

Isabel BP

catinga disse...

E, pergunto, que esperam os países do "sul", para responderem na mesma moeda? Porque razão não existe já um movimento para descredibilizar os cientistas alemães e a sua capacidade para descobrir de onde vem, afinal, a bactéria? Porque não existem alertas públicos para que as pessoas não façam turismo na Alemanha (por motivos de saúde, claro)? Amor com amor se paga. É mau levar com o pau no lombo e, depois, não responder...

Anónimo disse...

O Anuário Diplomático deve ser o único do género por quem os anos não passam. Tomara os anos passarem por mim à velocidade do Anuário. Teria metade da idade que ali consta sobre a minha respeitável pessoa.
Entretanto, a actualização que foi aqui há tempos preparada, com vista a uma nova edição (para durar mais uns anos, pois o tempo de vida do Anuário Diplomático, conta-se não em 12 meses, mas em 120) ainda vai a tempo de incluir a fotografia do novo MENE, ou continuaremos a ter Luís Amado na página 52?
Boa sugestão aquela feita pelo rato Catinga.
“Adido de Embaixada”

Anónimo disse...

Derivado do latim ‘disruptione’, disrupção usa-se em português com o significado de «salto de uma faísca entre dois corpos carregados de electricidade». O inglês “disruption” tem a mesma origem e traduz-se em português como perturbação (ver The Oxford Paperback Portuguese Dictionary). No entanto, é verdade que está a ser cada vez mais frequ[ü]ente a ocorrência desta palavra com o sentido que lhe é atribuído em inglês, o de «perturbação».

patricio branco disse...

acho que disrupção é como uma interrupção num fornecimento ou produção e assim é aplicado no texto. Uma interrupção pode causar perturbação, mas este já será um sentido secundário.
Quanto à faisca entre 2 corpos, nunca tinha pensado, mas existe de facto interruptor, disruptor, instrumentos para as correntes electricas.
existem ainda as erupções que agora se dão na islandia e no chile. E complicam o trafego aéreo. Aí, os alemães não poderão lançar culpas.

Gostaria de ver essa pelicula sobre sarkozy, esse presidente é um personagem curioso, que tanto dá para uma pelicula cómica como séria (ou livro)

Fada do bosque disse...

O Catinga não é um rato... é uma doninha... e fedorenta! :)) É dos melhores avatares que já vi! especialmente a expressão! :))

Anónimo disse...

"Imaginemos que um país "do Sul" da Europa tinha levantado uma qualquer "lebre" sobre um produto alimentar alemão, que viesse a provocar uma disrupção na produção e nos circuitos de comercialização do país. Caía o Carmo e o Reichstag! Não tendo sido assim, paga o orçamento da União Europeia..."

Meu caro Embaixador,

No outro dia já lhe falava nisto.... Talvez não com a sua ironia! Mas falava! Até lembrava de que tudo tinha acontecido num país do 1º Mundo. E que a doença era uma doença tipica do 3º Mundo!

É verdade, caro Embaixador: É uma doença tipica dos países do 3º Mundo! Uma coisa que ainda não vi escrita em lado nenhum!

Já nem falo da capacidade que um país do 1º Mundo teve para a despistar!

Lembra-se meu caro Embaixador, que terminava assim: "Somos pobres, mas não somos parvos!.

O que não percebo (e talvez me possa explicar) é porque é que a UE a ter que indemnizar.

Aquilo não foi um problema alemão?

Ainda tenho que pagar como cidadão europeu a incompetência de um país do 1º Mundo que não sabe lidar com uma doença do 3º Mundo?

Ass: o anónimo das 2.01 do outro dia.

Anónimo disse...

É é...
Autoestima Inflacionada
Rei na barriga
e ter a mania...

Criticar é tão fácil,interajudar é que é mais dificil, mas mais altruista...
Isabel Seixas