domingo, 13 de setembro de 2009

Suicídio

23 funcionários da France Telecom suicidaram-se no último ano e meio. Trata-se de uma empresa sob uma forte pressão de reconversão tecnológica e de métodos de gestão, com uma assumida atitude face aos seus empregados com vista à sua adaptação a formas de trabalho que parece estarem a anos-luz da sua formação profissional original.

Esta coincidência de suicídios está a provocar uma preocupação generalizada, do governo aos sindicatos. E a abrir aqui um debate importante, que pode contribuir para explicar melhor - em França, mas também noutros países - as dificuldades com que certos profissionais se debatem, num momento já avançado da sua carreira, ao verem-se confrontados com pressões de actualização e métodos operativos com que manifestamente se não sentem à vontade.
.
Todos temos de aprender continuadamente, mas todos temos de ser ensinados a aprender.

7 comentários:

Margarida disse...

Li, com espanto, no Expresso. E também que, para alguns não espantaria, que já haveria muitos casos em anos anteriores.
... 'não espantar'?
Na polícia, mesmo por cá, vem sucedendo, e aí, talvez me parecesse... 'compreensível', face àquilo que vivem e com o que se confrontam.
Mesmo assim, sempre pensei (!) que tal se devesse a questões de outro foro, que não o laboral.
Todos, de uma forma ou de outra, já sentimos ou soubemos de pressões que causaram instabilidade, mau estar declarado, 'divórcio' com a tarefa desempenhada ou a instituição patronal; mas chegar a tal ponto...
Para onde vai "a Humanidade"?
Para que buraco recua?

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador o caso que relata e a questão que levanta são dramáticas. Por um lado, as empresas têm que acompahar a rapidíssima
(r)evolução tecnológica e pedir aos seus empregados que a acompanhem.
Por outro, há limitações à capacidade de aprendizagem desses mesmos empregados´, que nalguns casos se sentem tão pressionados, que desesperam.
Julgo só haver um caminho. Do lado das empresas a aposta na formação contínua dos seus empregados e do lado destes o empenhamento pessoal nessa valorização. Sem isto, o problema é de difícil resolução.
Dou um exemplo. Eu própria. Computadores há 15 anos eram, para mim, matéria da competência da minha secretária. Até que, na Universidade, compreendi que para ensinar os meus alunos teria que saber falar a sua linguagem. Logo, saber alguma coisa de novas tecnologias. Sofri as estupinhas. Mas consegui.
Agora sou olhada de revés pelas amigas que já não trabalham e não compreendem porque é que uma mulher como eu tem de aprender estas coisas.
Aqui tem. Ainda há gente que pensa que "não precisa de aprender"...
O governo também tem culpas no cartório. Todos. Porque acordaram muito tarde para o desastre que foi acabar com o ensino tecnológico.

Ana Paula Fitas disse...

Faço link no A Nossa Candeia. Obrigado. :)

Anónimo disse...

Aprender a aprender é uma competência fundamental, hoje quase ou mesmo em todos os dominios.
Concordo com o dever estimulante de aprender continuadamente e o direito humano de ser ensinada a aprender.
Isabel Seixas

José Barros disse...

Nâo sei se serâo coincidências de suicidios... por acontecerem também noutras empresas de renome. mas na Telecom podemos dizer subsequências dado o numero assim tâo importante num espaço-tempo tâo curto. Serâo os métodos de trabalho que querem revolucionar para um ainda maior rendimento? Serà o sentido que cada actor hoje dà às suas responsabilidades que perdeu o sentido?
Os governos devem preocupar-se com as razôes que levam a este desespero e os trabalhadores devem reforçar os sindicatos para que estes possam exercer um contrapeso mais equilibrado.
José Barros

papoila disse...

Ouvi mas não li a notícia.
Seria interessante saber qual a relação entre as idades das vítimas...

Anónimo disse...

A situação é mais complexa que complicada... diria mesmo anacrónica.

Nós vivemos no seio dum “leurre” magistral.

É tempo de pensar no impensável: preparar-nos a uma economia que suprime o emprego de massa.

Não é novidade - muito se escreve - o facto que estamos a viver em plena transição, numa civilização post-mercantil onde se definem novas formas de actividade, novos modos de distribuição dos "revenus".

Como é do seu conhecimento, pela primeira vez na história, o conjunto dos seres humanos é cada vez menos necessário ao pequeno número de seres que dão forma a economia,que criam a riqueza e que detêm o poder.

Muitos indivíduos são supérfluos? excluídos? eliminados? fora de jogo!... ou mal orientados?

Nenhum projecto político pode limitar-se unicamente a medidas puramente técnicas.

Aprender sim... começando pelos "professores". Aprender uma nova leitura da realidade. Aprender a pensar de forma diferente, longe dos dogmas e dos esquemas tradicionais.

Agir para aprender.

Carlos Falcão