domingo, 4 de agosto de 2013

Nem os sinos...

Fim de tarde numa pequena aldeia transmontana. Da capela, ouvem-se as horas. Uma cadeia de sons que me pareceu algo sofisticada, com as badaladas a misturarem-se com uma sequência de música religiosa. Seria agradável, não fora a intensidade do som, que se espalha, muito agressiva, por toda a aldeia, como a lenga-lenga de um "muezzin" muçulmano. Olhei para a torre da igreja. O único sino estava quieto, mas a sonoridade continuava forte, vinda de um altifalante que, pelos vistos, reproduzia uma gravação.

Que diabo! Já nem a genuinidade dos sinos de uma simples capela de aldeia escapa, neste país de faz-de-conta...  

10 comentários:

Anónimo disse...

caro embaixador ligue para o vaticano vai ver que o seu homonimo homem lhe trata logo do problema


bh

Anónimo disse...

Pois é, já nada é como antigamente, nem os sinos de aldeia!...

Anónimo disse...

Há legislação sobre a matéria, embora pouco clara. Ou melhor, de algum modo "facilitista" de mais. Que permite o dito badalar de 15 em 15 minutos, meia em meia hora, etc, entre as 7.00 horas até ás 22.00 horas. Depois temos os representantes da Igreja, das freguesias e...o povo dessas mesmas aldeias, com as suas “comissões fabriqueiras” (dos sinos). O povo quer, alguns não, sobretudo os que vivem, ou têm as suas casas ao pé das capelas e volta não volta dá-se uma enorme confusão. E há mesmo situações que levam a que representantes da Tutela do Ambiente tenham de intervir, com o apoio da GNR. Sarrabulho forte e feio. A populaça não gosta dessas “provocações”, como lhe chamam. O melhor é ir até ao bispado. Uma exposição bem feita o Bispo, educada, ajuda e muito. A par de um bom diálogo com o pároco local. Que este pode, sem dúvida, sensibilzar a população da aldeia, sobretudo por ocasião da missa dominical. Por outro lado, também não se cumpre, em boa parte das aldeias o que dispõe a Legislação Comunitária sobre o assunto.
Já passei por isso e sei do que falo! Só chatices!

jj.amarante disse...

Esse problema dos sinos electrónicos é muito antigo e julgo até que estará muito mais reduzido do que quando apareceram esses aparelhos electrónicos, verdadeira obra do demo, que criou muita cizania entre vizinhos.

Fernando Correia de Oliveira disse...

A electrificação dos sistemas mecânicos de bater horas - o mecanismo dos relógios, ligados a martelos, que por sua vez batem em sinos - é uma praga e um atentado ao património. A moda teve início na década de 80, quando começaram a aparecer os primeiros sistemas electrónicos aplicados a este tipo de função - com horas e melodias. Os padres, cada vez com menos mão de obra (sacristãos envelhecidos ou inexistentes), electrificaram a corda (do mal o menos) ou foram levados a verdadeiros desastres - dando as máquinas antigas, autênticas peças de arqueologia industrial, em troca dos sistemas computorizados. Ou mandando mesmo para o lixo esss relógios mecânicos, slguns deles com séculos. A chamada relojoaria grossa, férrea, pública ou de torre, está num estado geral lamentável no país, sendo disso paradigma os relógios monumentais do Convento de Mafra ou o da Torre do Galo, em Lisboa. A invasão da electrónica, com as suas irritantes e artificiais melodias, é mais um traço da nossa falta de cultura quanto a património.

Isabel Seixas disse...

Lá se vai o fascínio do movimento dos sinos a repicar...

Defreitas disse...

Por quem dobram os sinos? Por uma voz sem alma, uma igreja sem padres, padres sem religiao, religiao sem bussola, num pais sem destino, um governo sem poder e um Estado à deriva!

Num mundo onde tudo é artificial e o material prima sobre o espiritual, a voz da igreja adapta-se ao ambiente que a envolve.

Anónimo disse...

Antes havia sacristão que se encarregava desse serviço, pois os padres sempre estão muito ocupados.
Por economia já não existem mais sacristães.

patricio branco disse...

ó sino da minha aldeia~disse f pessoa algo assim, bem, as horas são dadas pelo mecanismo do relógio que dá as badaladas, tal como os relógios de sala que antes se usavam muito, na parede, com caixa de madeira, alguns algo góticos, com o pendulo ou os cordões, o sino do campanário não dá as horas, mas essa já é fantasiosa demais, sem duvida, quem vive perto de igrejas ouve as horas mesmo que os sunos não movam, está boa a comparação, a do muezin, e com que direito estragam o bucolismo e o som tradicional com fantasias musicais, é caso para perguntar.
os sinos do campanário podem ocasinalmente tocar a defuntos ou alarme ou momento de recolhimento, se é que tambem não existe gravação...

Fernando Correia de Oliveira disse...

Sobre esta tema: http://estacaochronographica.blogspot.pt/2013/01/de-sinos-muezzins-e-electrificacoes.html