domingo, 25 de agosto de 2013

António Borges

Acabo de saber do falecimento de António Borges.

Durante muitos anos, António Borges foi, para mim, a imagem do economista português que, em França, dirigira a prestigiosa escola de gestão INSEAD. Mais tarde, assisti à distância ao seu empenhamento na vida política, que manteve até hoje, num quadro de opções doutrinárias que sempre senti muito distantes das minhas. O que, definitivamente, não vem aqui para o caso.

Só vim a conhecê-lo pessoalmente há poucos anos, no âmbito de uma reunião da Fundação Champalimaud, em Paris. Durante este ano, coincidimos na administração de um grupo empresarial, circunstância em que nos sentávamos lado a lado. Fiz com ele uma longa viagem intercontinental, durante a qual falámos muito e nos fomos conhecendo melhor. A nossa última conversa teve lugar no final do passado mês de julho.

António Borges estava muito doente, como todos os que com ele trabalhavam podiam testemunhar. Isso notava-se de forma progressiva. E isso também tornava mais admirável, aos olhos dos seus interlocutores, a sua imensa coragem, o modo empenhado como continuou a dedicar-se às tarefas profissionais, a agudeza de espírito que revelava, o discurso impecavelmente articulado que desenvolvia. Não obstante a sua notória fragilidade física, nunca perdeu o sorriso. E até o humor.

Deixo uma palavra de respeito à memória de António Borges e sinceros sentimentos à sua Família.

48 comentários:

São disse...

Deixando os meus pêsames à família e a quem o estimava , não posso dizer que lamento a sua morte.

No entanto, que fique bem claro que também não me alegro, de modo algum, com o seu desaparecimento.

Como sou crente, peço que tenha , agora, muitíssima Luz !

Os meus respeitos.

soudocontra disse...

Isto é conversa, muito ao gosto dos diplomatas - no fundo, o falecido não passou de um funcionário de uma corporação financeira de carácter neo-nazi-fascista e isso é grave!
Queria reduzir salários, acabar-quase com o estado, mas com as suas mordomias salariais e outras piores, não! Isto são ideologias em tudo opostas à SOLIDARIEDADE que devia existir entre os humanos.
Eu nunca seria amigo um sujeito destes!
Manuel Torres

Anónimo disse...

Ao lado do que se lê nos blogs a propósito da morte do Professor António Borges o texto do Senhor Embaixador é de uma elegante sobriedade e respeito, sem deixar de expressar que não partilhava as suas ideias. Parabens

Maria B

Anónimo disse...

Se não lamenta porque é que, neste momento, não se cala?
João Vieira

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Manuel Torres: eu não era amigo pessoal de António Borges. Apenas o conhecia profissionalmente. E acho muito lamentáveis todos os comentários que tragam à discussão as suas ideias misturadas com a notícia do seu falecimento.

opjj disse...

Há tipos que são do contra por natureza e aqui expressam a sua fraqueza moral.
Penso que vi António Borges uma vez.Era um tipo acima da média.
A verdade dos números incomodam sempre muita gente, eu tb não escapo, muitas vezes sou atingido. A abundância foi chão que deu uvas.

cumprimentos

Anónimo disse...

Voltando ainda ao tema dos estrangeirados. Há estrangeirados e estrangeirados. E talvez me reveja mais em João Caraça ou Hélder Macedo. Mas o estrangeiro traz independência, desassombro, recuo analítico e muitas vezes a possibilidade e a capacidade de fugir aos compadrios, aos interesses instalados e aos silêncios de oportunidade que grassam em Portugal. Não conhecia António Borges e não perfilho as suas ideias. Não deixo de reconhecer o enorme mérito de quem singra no estrangeiro, quase sempre sem o apoio de Portugal. Li comentários imediatos sobre o seu desaparecimento noutro sítio web de uma violência, odiosos, que testemunham um país em transe, quase perdido.

ignatz disse...

“Não há regime melhor do que a ditadura iluminada.”

francamente... sr. costa, como é que se pode dissociar o autor da ideia. o broges foi um neo-facho convicto e não é o facto de ter morrido que o absolve. só não percebi se a ideia era pôr o pessoal a insultar o presunto ou uma homenagem diplomática ao escroque.

Anónimo disse...

Numa coisa parece haver acordo entre António Borges e os seus detratores: o mal do sistema é uma "herança" de Salazar!... (Coitado do Salazar).
Como cidadão comum, pelo que me é disponibilizado pela imprensa sobre A B, só tenho capacidade para admirar a sua verticalidade e coragem!

ignatz disse...

http://www.youtube.com/watch?v=aeZiZuwGwBo

no sítio de onde isto vem há lá mais que ilustram bem o aldrabrão em causa e a brilhante tareia que levou de um jornalista da bbc.

Anónimo disse...

Por muito que lhe custe, o comentador Manuel Torres tem razão. Borges defendeu o indefensável. Era um apologista de uma política económica ultra-liberal, o que politicamente se acabava por traduzir por uma outra de extrema-direita no plano social. Esteve sempre do lado dos priviligiados. Trabalhou para instituições lamentáveis, como a Goldman Sachs e até, porque não, o FMI. Propôs a este governo (de extrema-direita), que lhe pagava bem, salários de miséria, a venda dos anéis do Estado, a privatização de tudo e mais alguma coisa, o fim do Estado Social, o Poder do capital Financeiro, nunca teve um palavra de crítica contra os favorecidos do sistema, andou de braço dado com o pior do Cavaquismo e representou o pior do PSD. Nem nunca teve, igualmente, uma simples palavra para quem mais sofria com esta inqualificável austeridade, que ele defendia. E nunca se incomodou, como todos os ultra-liberais iguais a ele, o que é sobreviver com umas côdeas de reforma. Pelo contrário, apoiou os cortes salariais, das pensões e reformas, etc, mas nunca sentiu na pele o que é uma redução substancial do seu salário e passar, de um momento para o outro, por exemplo, a viver quase debaixo da ponte.
Recordar António Borges neste seu Blogue foi lamentável. De mau gosto. Mas, faz parte do seu estilo “abrangente” , de há muito a esta parte, de querer dar estar bem com Deus e o Diabo. Sabe-se lá com que intuitos futuros!
Como português, nunca me orgulhei de figuras como Barrroso, Borges, Moreira Rato, Moedas, Constâncio, etc. Orgulho-me daqueles nossos compatriotas que se destacam por não prejudicar, com as suas ideias e seus poderes, os mais desfavorecidos, ou, noutras áreas, como a Ciência, Desporto, Literatura, Investigação, Economia, Política, Cultura, etc, onde não postas em causa o bem estar de quem mais padece.
Para António Borges as dificuldades dos mais pobres, desempregados, empresários falidos, jovens a ter de emigrar, pensões de miséria, eram-lhe totalmente indiferente.
Borges revoltava-me. A mim e a muitos que passam por imensas deficuldades hoje em dia.
Que Post este que em má hora decidiu publicar! Mas revelador.
Francisco Maia Rebelo,
Parede

Vasco Oliveira disse...

O acontecimento de hoje veio trazer ao de cima reacções pouco comuns neste tipo de situações. É comum e quase obrigatório aquando do falecimento de uma figura publica haver um certo recato na apreciação do mesmo e até alguma condescendência com aspectos ou opiniões que o mesmo possa ter expressado contrários ao que possamos supor ser o pensamento geral dos cidadãos.

As reacções ao falecimento de António Borges merecem-me no entanto duas constatações:

Uma, de que se tratava de uma personagem que para além da sua superior inteligência ( nao negarei pois nao o conhecia pessoalmente ) demonstrava um pensamento nao so controverso mas totalmente oposto e conflituante com o sentimento mais profundo e digamos humanista dos seus concidadãos. É para mim licito questionar se o tratamento que teve na doença é superior ou nao aquele dado a outros nos hospitais que tão prestimosamente ajudou a enfraquecer.

A segunda, de que as reacções à sua morte sao o espelho de um profundo mal estar e ate de raiva que a espaços vem ao de cima na sociedade.

Este ultimo aspecto reveste-se para mim da maior importância para o futuro.

Anónimo disse...

Sobre António Borges veremos com o tempo se ele tinha razão. Os comentários aqui lidos são.... nem sei dizer mas talvez despropositados no dia do seu desparecimeto. Enfim... são questões de educação ou melhor de mera urbanidade.

Anónimo disse...

Foi meu vizinho quando trabalhou na INSEAD em Fontainebleau mas nem isso nos aproximou...
Eramos dois estrangeiros ali naquela regiao mas ele, de certo, mais estrageiro do que eu. Em Portugal, todavia, eu fui sempre mais estrangeiro do que ele...
José Barros

patricio branco disse...

era um dos principais ideólogos e conselheiros do regime, a sua ideologia economica e social ultra liberal, fundamentalista, são conhecidas, ele não se preocupava em expô laa mesmo que pudessem chocar, era, creio, um homem pouco querido, a não ser dos que aplicavam as suas ideias e o haviam chamado para isso, era uma das personalidades sombra com poder, influente, claro.
não me pronuncio sobre a sua carreira como a contam os curricula publicados, há muitos genios de igual ordem, falo do que conheço e percebi dele no plano interno e nos ultimos 2 anos.
por mim podia ter continuado no estrangeiro, continuando a sua carreira de economista.

Anónimo disse...

Descanse em paz

Anónimo disse...

Dizem que foi corrido do FMI. É verdade?

Anónimo disse...

Caro anónimo das 20.28,
Li todos estes comentários, mas não me contive em contestar o seu. Não se trata de “mera urbanidade, ou questões de educação”, trata-se da vida das pessoas, de muitas pessoas que o projecto de Borges contribuiu para piorar.
Mesmo na doença (sobretudo deste tipo), infelizmente nesta sociedade de há uns anos a esta parte, há diferenças entre quem tem e quem não tem.
Você e o tal Borges sabem o que é ter 891 euros líquidos de reforma, ter de pagar casa (renda), água, luz, gaz, telefone, transportes (públicos), alimentar-se e...tratar-se de um cancro? Sabem o que é? Não sabem! Nem o Borges sabia, nem queria saber! O seu triste comentário poderia ser o do Borges, se estivesse vivo. Agora, quem tem de ir (por agora ainda), de transportes públicos (!), fazer tratamentos para tentar ganhar mais uns meses de vida, ou mais 1 ano, é quem sabe o que é sentir na pele, as propostas dele, deste governo, do FMI, da Troika, etc. Com a redução nas nossas pensões, nos salários dos nossos filhos (que já nem nos podem ajudar!), quero ver onde vamos parar! Borges e você pertencem à mesma família, a de aqueles que nem sabem que nós EXISTIMOS! Passe bem! Por mim, estou mal, embora vivo, pelo menos ainda, a resistir, contra a doença e a gente que António Borges ajudou, politicamente. Gente “urbana e educada”, mas indiferente socialmente!
Gonçalo Ferreira

Anónimo disse...

Segundo parágrafo muito profundo José Barros, transmitido em poucas palavras.
JPS

EGR disse...

Senhor Embaixador: do ponto de vista ideológico sempre me causaram completa recusa as posições do Prof. António Borges e me irritava um certo ar de sobranceria com que apresentava as ideias que defendia.
Não me custa porém nada reconhecer-lhe inteligência.
O texto que V. Exa hoje publicou não me incomoda nada e demonstra-se ainda isso fosse necessário- a dimensão que imprime ao seu entendimento sobre os homens.
Incomodam sim alguns comentários, quer de elogio, quer de censura a figura em causa.
Porque me parecem reveladores da existência de um certo estado de espirito instalado entre nós.
Mas também me parece que isso deriva do discurso de quem tem andado irresponsavelmente a semear toda a espécie de clivagens na nossa sociedade.
Refiro-me, claro, ao poder dominante.

Anónimo disse...

O meu total apoio a Francisco Maia Rebelo, apenas com um aditamento sobre ABorges: paz à sua alma... se é que a tinha, porque pelo menos não parecia.

Anónimo disse...

@ Gonçalo Ferreira:
Cada um tem a sua visão da questão mas não o direito de ofender.Fez ilacções a meu respeito que devem ser fruto do seu desespero. Sei que não me conhece de parte nenhuma.

Anónimo disse...

Há duas opções políticas que parecem diametralmente opostas mas, no essencial, são a mesma praga que corrói os fundamentos da nação: uma, proclama que o estado deve sustentar funcionários (políticos) e prestar todo o tipo de benefícios sociais generalizados e, a outra, defende a emprealização de tudo por privados (deles) que, por o serem, visam tão só o maior lucro possível para os sócios que até podem ser chineses.
Não vejo diferenças substanciais entre quem nos "entalou" no forrobodó das despesas e quem, agora, trate o país como uma simples empresa. E, se não houver dinheiro, despede os funcionários e trabalhadores que "em teoria são o povo que deveria mandar na empresa".
Apontar A B sem lembrar o forrobodó não é correto.

Anónimo disse...

A mim, o que sempre me fará confusão é ver pessoas que têm tudo, saberem que vão morrer e gastarem o pouco tempo de vida que ainda têm a... trabalhar.

António Pedro Pereira disse...

Senhor Anónimo (das 01:17, 26/08):
E não perceber que o verdadeiro «forrobodó» é bastante mais do que o «forrobodó» a que o senhor se refere é bastante elucidativo do discernimento, sabedoria e informação de muita gente entre nós: demasiada gente, infelizmente.
Quando se não compreende verdadeiramente o problema (em todas as suas vertentes) nem sequer é possível fazer-se um diagnóstico rigoroso quanto mais encontrar as soluções

iseixas disse...

Um dos efeitos secundários/colaterais da Democracia é ter de lidar com a desfaçatez de quem a assassina e utiliza aproveitando-se sem qualquer escrúpulo da sua flexibilidade na aceitação das profecias de quase todos os credos para destilar toda a genética fascista de que alguns são feitos.

Não consigo discernir se existe culpa formal e deliberada ou se será um tipo de cegueira inerente a um tipo de obsessão que não deixa parar os " Bons" e os "Maus " nas suas trajetórias...

Tão "inteligente" é o arquiteto da estrutura moral que precede a cultura do bem como o do "mal", aliás há estudos que revelam que entre o justiceiro e o delinquente mor os niveis de inteligência são compativeis...

Refiro-me a inteligência/ capacidade de resolver e lidar com os problemas à luz da subjetividade de cada um constituindo sempre um coeficiente intelectual resultante das capacidades de gerir a informação incluindo aptidões cognitivas relacionadas com a aprendizagem memória e domínio de atenção além do saber aprender a aprender ,do somatório do quociente relacional , emocional e espiritual...

Agora para mim há memórias sem perdão , incluo a destruição do estado social, mesmo num processo de arrependimento com pedidos de desculpa aos lesados...
Por sinceridade não acredito na paz da alma com culpa e remorso...

Acredito na democracia que é tão versátil que me faz engolir sapos mas também eu faço bem a minha perninha de rã e também sou sapo para os meus sapos...

Subscrevo parcialmente os comentários de Francisco Maia Rebelo excetuando os juízos de valor pois não me confiro idoneidade nem autoridade moral para os assumir com verdade.

Considero que em Boa hora decidiu publicar este post não só pelo debate proporcionado, pela liberdade de expressão por utilizar o seu direito de seleção e admissão no ser inclusivo na publicação de comentários desfavoráveis à sua opinião...
Subscrevo EGR na integra

Bem Haja
Tenho mesmo de ir trabalhar...

Joaquim De Freitas disse...

Inteligência ? Inteligência ? Mas de qual inteligência estava ele dotado, este economista internacional? Conhecemos muitos homens inteligentes que levaram povos ao desespero e outros ao desastre absoluto.

Sem ir buscar Goebbels, que falava muito bem do nacional-socialismo, existiram muitos "especialistas" do lucro a todo o custo,afim de distribuir sempre mais dividendos aos acionistas.

AB fazia parte do grupo dos "adeptos " da regulaçao automàtica do mercado , que deve decidir sozinho da vida ou da morte de tantos outros.E como o mercado é dirigido pelos vampiros, sabe-se bem em qual direcçao o mercado vai regular-se!

Inteligente, certo, mas sem a inteligência que permite aos homens de viver na dignidade: a inteligência do coraçao.

Se um dia a nossa sociedade deve explodir numa revoluçao social arrasadora, serà graças aos economistas deste género , para quem a acumulaçao da riqueza conta mais que a vida.

Anónimo disse...

Senhor Francisco Costa,
Não vou comentar o elogio fúnebre que fez ao seu conhecido senhor Borges, ex-funcionário superior de instituições nada recomendáveis e que tanto mal fez a milhões de portugueses.
Elogiar quem quiser é um direito que lhe assiste.
E a mim assiste-me o direito de lhe dizer: DESILUDIU-ME (ou talvez não, eu é que não queria ver...).

Manel
(ex senhor carpinteiro Manuel da Silva, com a reforma de poucas centenas de euros, os filhos desempregados, os netos a pedir dinheiro para os livros, e sem cheta para os comprimidos do colesterol, da tensão arterial e da próstata).
PASSE BEM.

São disse...

Quando sair da cobardia do anonimato lhe direi porque não me calo, "JOÃO VIEIRA".

Embora a resposta já aí esteja na denúncia do comportamento de Borges, que com enormíssimo poder económico e com uma zona de conforto larguíssima e estável para si e para a família, defendeu a TSU e a baixa de salários em Portugal, onde o salário mínimo, a emigração e o desemprego são a tragédia que são.

Já agora, porque não pergunta ao Presidente da República porque se cala face à morte de bombeiros que defendem voluntariamente a vida e os pertences do seus semelhantes enquanto lamenta publicamente a morte de Borges, que destruiu deliberadamente através da "mão invísivel" dos mercados milhões de vidas?!

Francisco Seixas da Costa disse...

Para alguns comentadores: é talvez defeito meu, talvez porque tive um familiar muito proximo que morreu com a mesma doenca de Antonio Borges. Eu aprecio a coragem dos que enfrentam a morte com garbo. E, na morte, somos todos tragicamente iguais. Na morte nao ha liberais ou keynesianos. Ha seres apenas seres humanos, quaisquer que possam ser os seus defeitos.

São disse...

Foi por concordar com o senhor que me abstive de alongar o meu primeiro comentário.

Só que como não sou nem quero ser cínica escrevi o que realmente penso.

Borges ainda tinha a coragem de defender as suas ideias, e , por isso, merece mais o meu respeito do que quem se esconde atrás de um anonimato, que considero sempre falta de coragem.

Como sempre, a publicação ou não do que escrevo fica à sua consideração.

Os meus respeitos.

Joaquim De Freitas disse...

Ah nao, Sr.Embaixador : Quando escreve : "Na morte nao ha liberais ou keynesianos. Ha seres apenas seres humanos, quaisquer que possam ser os seus defeitos.",

Hitler, Staline, Pol Pot, e tantos outros do mesmo gabarito, nao podem ser considerados como seres humanos, somente com defeitos!

Da mesma maneira, quando alguém tem o poder de influenciar o destino de tantos seres humanos e passa a vida a defender os interesses duma minoria infima de pessoas em detrimento da grande massa dos primeiros, nao é um ser humano qualquer.

Nao se trata de Keynes ou da escola de Chicago; trata-se da existência humana e sobretudo da justiça.

A vida, Sr.Embaixador, tem mais importância que a morte. E para là da morte de alguém ficam as consequências tràgicas causadas por aquele que para o Sr.Embaixador "so""teve alguns defeitos" .

Anónimo disse...

Senhor Francisco da Costa:

Quando eu morrer de cancro da próstata, cheio de coragem, deixando os filhos sem emprego e os netos na gandulagem, quero ver se me elogia neste blogue.
Garanto-lhe que me conhece.

Manuel da Silva, ex carpinteiro

ignatz disse...

"E, na morte, somos todos tragicamente iguais."

dúvido, acho que este nunca teve que se preocupar com o custo dos medicamentos e qualidade dos paliativos.

Anónimo disse...

Para a São, anónima:
Muito mais importante do que a liberdade e a democracia, o que caracteriza essencialmente o ser civilizado é a tolerância. Perante a morte de um ser, seja ele qual fôr e tenha as ideias que tiver, não lamentar a sua morte, o desgosto que causa à família e amigos, por causa das nossas ideias divergentes? Não é o máximo de intolerância digna dos defensores da pena de morte para delitos de opinião?
João Vieira

Anónimo disse...

"E, na morte, somos todos tragicamente iguais. Na morte nao ha liberais ou keynesianos. Ha seres apenas seres humanos, quaisquer que possam ser os seus defeitos."

Exactamente o que se pode dizer das mortes de Hitler, de Pol Pot, de Idi Aminoácido Dada, de...

Francisco Seixas da Costa disse...

Caros comentadores: não tenciono retomar comentários a este post. Mas, devo dizer, alguns conseguiram surpreender-me! Pela acidez, pela falta de humanidade, pela insensibilidade perante o drama da morte. Por aqui e por outros fóruns, alguns que acusaram (imagino que considerem que com razão) António Borges de insensibilidade social e de crueldade perante o sofrimento humano, provaram, afinal, não ficar muito aquém daquilo que o acusaram. Lamento ter de constatar isto.

ignatz disse...

"Borges ainda tinha a coragem de defender as suas ideias..."

o broges era um pantomineiro atrevido e quando a coisa não corria bem, a coragem era desaparecer como faz o sonso do cavaco. com a história da tsu conseguiu o maior levantamento de rancho nacional de que há memória, a ideia não colou e o moço calou-se. investiguem o sucesso das privatizações, caso os documentos de trabalho não tenham sido destruídos e depois avaliem o prejuízo que o brilhante economista deu ao país e quanto cobrou pela proeza.

ignatz disse...

"Caros comentadores: não tenciono retomar comentários a este post."

ateou a fogueira e agora grita pelos bombeiros. digno de um broges.

São disse...

"JOÃO VIEIRA", não sou anónima; se carregar no link pode entrar nos meus blogues e , até, no facebook.

Presumo que não me queira conhecer pessoalmente.

SE ler com atenção o meu primeiro comentário , verá que me lembro da família e até de quem o estimava, porque sei por experiência própria o que é perder uma pessoa muito querida.

Poderá ler também que não me alegro com a morte de Borges.

E estou a ser sincera, nas duas afirmações.

Foi por respeitar o momento que não acrescentei mais nada.O que não significa que a sua morte apague ou faça esquecer todo o dano que causou: disso é que francamente sou incapaz!

Fique bem

Anónimo disse...

dignidade

Anónimo disse...

Eu sei que sou uma espécie de escória humana por nunca ter sido politizado mas... isto em Portugal está mesmo bonito. Ainda vamos ter uma forma de "Maria da Fonte" com a morte do Sr. Borges. Será esta a faísca que vai catalizar o confronto armado sério? Veremos...

Anónimo disse...

É natural que o Senhor Embaixador defenda o falecido porque era colega dele no Conselho de Administração de uma empresa do grande capital, a Jerónimo Martins, presumo que convidados pela mesma pessoa, ou seja o homem mais rico de Portugal, Soares dos Santos. Foi para isto que se fez Abril? Para voltarmos ao antigamente? Tudo isto é uma vergonha que o povo não esquecerá quando se revoltar.

ignatz disse...

acidez, falta de humanidade e insensibilidade, disse ele.

http://www.insideview.com/directory/jeronimo-martins-sgps-sa

Ana Pires disse...

Relativamente a este assunto, o que posso dizer é pouco: na vida pública era impopular (e não se cansou de dar motivos para isso). Na sua doença e morte foi muito, mas muito acima da média de quase todos nós. Por isso, teria talvez uma mentalidade "fechada", numérica, como é normal (embora triste)em quem trabalha com números e se esquece que traduzem gente, pessoas. Era sem dúvida um homem inteligente. Tinha uma mentalidade com que não posso concordar (mas eu sou humanista, não sou numérica, compreendo a lógica dos números, mas há coisas que me falam mais alto). Não o conheci e nem sequer posso dizer que tenho pena. No entanto, sei que não morreu apenas mais uma pessoa, morreu um pessoa de grande dignidade, uma pessoa que viveu a sua vida até ao limite das suas forças e nunca usou a doença como um circo para captar simpatias póstumas, como outros já têm feito. Não é o único, já o Miguel Portas, à sua maneira (embora diferente) teve também grande dignidade na doença. A maioria não tem. E tristemente, os sobreviventes (que os há, felizmente), quando são figuras públicas costumam gostar muito de se armar em heróis e, se possível, ainda ganhar uns cobres escrevendo uns livros de meia tigela, ou dando umas entrevistas de auto promoção. Há pessoas, há humanos, há gente e tristemente há muita criatura desprezível pertencente à nossa espécie. Não deixo condolências a quem não conheço, sobre quem não conheci, mas este homem, viveu com grande dignidade a sua morte anunciada e isso leva-me a, postumamente, respeitá-lo e sabê-lo merecedor do nosso respeito. Como devo aparecer anónima, o meu nome é Ana Maria, tenho 53 anos, desempregada, nem sequer mal paga (para ele apenas um número, mas para mim ele foi, na sua morte, um excelente exemplo e por isso o prezo).

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

A maior parte dos comentários deste tópico mostra que os Portugueses são invejosos, e sobretudo lidam mal com o sucesso alheio

O Dr António Borges foi um homem superior, um homem sério, um homem de convicções, e um homem sem "papas na lingua"

Peço a Deus que o tenha já na Sua Santa Guarda

Anónimo disse...

Caro José Tomaz Mello Breyner,
Está equivocado. O seu comentário merece algum clarificação. Por respeito por quem tem, e aqui expôs as suas posições críticas e diferentes, sobre António Borges. Não se trata de “inveja, ou de lidar mal com o sucesso alheio”. Essa é a leitura que as pessoas, ideologicamente próximas de Borges fazem. Como você. Não creio que exista uma pinga de inveja ou o que quer que seja relativamente a A. Borges da parte daqueles que o criticam, mas apenas um profundo e justificadíssimo ressentimento face ao que ele defendeu e propôs, no plano economico-político-e social.
Borges era um insensível social, alguém a quem a miséria de muitos, o sofrimento de outros tantos, pessoas singulares ou colectivas, devido aquilo que ele defendia e do governo que o contratara (o actual) lhe passava ao lado, lhe era indiferente. Borges era um homem ligado á alta Finança, para quem ele trabalhou e cujos interesses defendeu. Há uma interessante entrevista dele num programa da BBC (creio poder ver-se no You Tube), onde isso é claramente exposto por ele (através do exclelente entrevistador inglês), sem um pingo de vergonha e numa demonstração de indifença quer social, quer mesmo empresarial, que ele revela, para quem tem dúvidas, quem foi A.Borges. Onde fica clara o tipo de opções de Borges: o capital Financeiro e só. Um pessoa arrogante, “de convicções” relativamente aos interesses que defendia, “sem papas na língua” para atacar os indefesos sociais, que ele ignorava e desprezava.
Esse Deus que invoca, se for justo, obriga-lo-á a passar muitos e longos anos no purgatório.
Francisco Maia Rebelo,
Parede



São disse...

José Breyner, sugiro-lhe que não faça juízos de valores nem de intenções e, mais ainda, que não se projecte no que lê.

Como pode ler nos meus comentários (assim como noutros) , o que critico em Borges é a sua completa indiferença quanto ao sofrimento alheio.

Como creio num Deus de amor e justiça, António Borges terá que responder pelos seus actos tal como todos nós.

Sendo assim, terá que se arrepender muito e que se sujeitar à infalível lei de causa-efeito.

Boa noite.