domingo, 12 de junho de 2011

Pensar Portugal em França

Por estes dias, o embaixador português em França é chamado a dizer algumas palavras aos nossos compatriotas, nas diversas festas que ocorrem por ocasião do "Dia de Portugal".

Os cidadãos de origem portuguesa residentes em França, com familiares e interesses em Portugal, parece-me que dispensam bem o discurso de arautos da desgraça, de "vencidos da vida", proclamações tremendistas que instilem dúvidas quanto à solidez das nossas instituições e adensem núvens de ceticismo quanto ao nosso futuro.

Pelo contrário, creio importante reforçar a necessária confiança nacional que deve derivar da recente religitimação popular dos nossos principais órgãos de soberania - Presidência da República e Assembleia da República.

Parece-me também necessário lembrar aquilo que o presidente da República portuguesa referiu, quanto à importância do envolvimento dos nossos cidadãos na diáspora no esforço de recuperação da nossa economia. É no exterior do país, no seio daqueles que tiveram a audácia de sair para o mundo, para tentar encontrar as soluções de vida que o lugar onde nasceram lhes não proporcionava, que reside uma das reservas de esperança com que Portugal hoje também conta.

A mensagem que sempre passo à nossa comunidade, como representante do Estado português em França, é uma mensagem de esperança, de otimismo, mas que não esquece a necessidade de ter consciência dos tempos difíceis e exigentes que ainda temos perante nós. Mais do que suscitar dúvidas e medos que só induzem instabilidade e propagam a inquietude, é preciso sublinhar a necessidade de uma cultura coletiva de rigor, de trabalho, de probidade e de sentido de responsabilidade. No setor público e no setor privado, entenda-se.

Nessas palavras, reitero sempre o orgulho que devemos manter nas instituições da nossa democracia, tutelada pela Constituição da República, a qual reflete os valores do 25 de abril, cujo provado equilíbrio, em três décadas e meia que agora comemoramos com júbilo, sempre permitiu enfrentar situações difíceis e ultrapassar momentos complexos. 

Destaco também o importante facto das três principais forças políticas portuguesas, não obstante o seu natural posicionamento diverso em muitos aspetos sobre a gestão do país, se terem formalmente comprometido a levar à prática o acordo subscrito com as instituições internacionais, o qual facilita, por alguns anos, meios acrescidos de financiamento ao Estado e à economia do país, ligados à introdução de um importante pacote de reformas. A preservação no tempo dessa posição conjunta é hoje vista no exterior como essencial para que Portugal possa recuperar a confiança dos mercados e obter condições para a retoma do seu crescimento.

E, finalmente, não deixo de lembrar aos portugueses em França que a mais evidente prova do sucesso da sua integração neste país é dada pelo facto da chefia da missão diplomática francesa em Lisboa, bem como a representação consular da França no Porto, serem hoje tituladas por diplomatas de origem portuguesa.

14 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito do seu discurso hoje em Pontault-Combault. Obrigado pelo modo como se referiu à nossa Comunidade

Horacio disse...

Prezado Sr. Embaixador Francisco Seixas da Costa:
Desde o Brasil, minhas saudações.
Graças à menção feita pelo Sr. Fernando Correia de Oliveira no blog “Estação Chronographica”, fiquei conhecendo o seu blog “Duas ou três coisas”, cujo mote é – efetivamente – inusitado.
Imagine o que o Itamaraty (ora sob longa direção “petista”) diria de um embaixador seu, que em capital de país dos mais importantes do mundo, mantivesse um blog para falar sobre os mais variados assuntos? Acredito que seria repatriado imediatamente, e lançado em Brasília em mesa solitária, para que solitariamente se dedicasse a tarefas burocráticas.
Ao acessar seu blog, de pronto constatei tratar-se do lugar ideal para apreciar uma leitura elegante, e principalmente, enriquecer o (vasto) vocabulário que nos proporciona a língua portuguesa.
A propósito de seu artigo, permita-me neste momento difícil, mui humildemente, manifestar a minha solidariedade ao povo português. A nação portuguesa é por demais grandiosa, e não irá se subjugar diante do “acidente de percurso” que enfrenta neste momento.
Do interior do Estado de São Paulo, um grande abraço!

Anónimo disse...

Excelente discurso Senhor Embaixador.Por cá o Presidente da Comissão Organizadora ofereceu-nos um digno de um julgaador investido nos mais definitivos e terríficos poderes.
EGR

Anónimo disse...

É assim, a modos como um aconchego,a quem vive a relação com os pés em França e sonha com o corpo todo em Portugal.
Há núcleos de evasão assim o real possível nutre a forma de sobreviver
com o básico deixando ao lar o cariz de terra prometida...
E só cada Um é que sabe o que quer dizer com o meu País, penso que às vezes deixa de traduzir uma relação monogâmica...
Isabel Seixas

Anónimo disse...

A minha relação com alguns emigrantes de Paris, nomeadamente familiares, pede-me que verta o seguinte comentário:
Querem ajuda e colaboração dos emigrantes, para a recuperação económica do país, e não lhes dão nada em troca?
Querem o seu dinheiro nos bancos, e exploram-nos sem cerimónia?
Querem o seu contributo, e não lhe dão um palmo de relevo ao nível das representações diplomáticas?

Nota: Estou a falar pelos emigrantes mais "pequeninos" - por aqueles que mais trabalham, mais produzem, mais amam a sua terra, e mais vergonha têm quando ela pede ajuda ao Estrangeiro...

Cunha Ribeiro

Anónimo disse...

Ficou assim registada a crítica ao dr. António Barreto e aos que preconizam a revisão da Constituição, seja porque ela necessite seja porque há quem defenda (António Barreto)que todas as gerações têm direito a fazê-lo e o 25 de Abril já foi no século passado.
João Vieira

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Cunha Ribeiro: para minha elucidação, agradeceria que explicitasse, com serenidade, que tipo de comportamento, diferente do que atualmente é praticado, deveriam as nossas autoridades seguir face às comunidades portuguesas.

Anónimo disse...

Parabens Embaixador. Ouvi o que disse na Embaixada e em Pontaut-Combault. Palavras justas e certas. Bem-haja

Cunha Ribeiro disse...

Sr Embaixador,
Com serenidade e elevação,e com a estima que tenho por si, vou dizer o seguinte:

1. Não se tratam bem os emigrantes pedindo a sua ajuda, tratando-os, depois, como estrangeiros na sua própria terra. Em Portugal, pelo menos,isto é assim : os emigrantes não são acarinhados, nem respeitados; São até ridicularizados, como muito bem sabem.

2. Não se tratam bem os emigrantes se não se tem a preocupação de descer ao rés-do-chão onde moram, ou subir aos quartos junto às águas furtadas, onde muitos residem.

3. Não se tratam bem os emigrantes quando não se conquistam para a cultura os seus filhos e os próprios.
4. Não se tratam bem os emigrantes quando o seu país não soube nem quis ajudá-los na integração dos seus filhos na terra dos seus pais e avós.

Boa Tarde Sr Embaixador,

Cunha Ribeiro

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Cunha Ribeiro:

1. São as autoridades portuguesas quem "ridiculariza" ou "achincalham" os emigrantes? Se alguém, em Portugal, trata mal os portugueses que vivem no estrangeiro, isso é culpa do Estado português? Já agora, peço que leia isto: http://duas-ou-tres.blogspot.com/2010/11/castanhas-amargas.html

2. Deve ser defeito meu, mas, embora entendendo a metáfora, não consigo perceber o que pretende que seja feito.

3. O que sugere que se faça?: coisas práticas e concretas, não ideias gerais.

4. O que quer dizer com: "o seu país não soube nem quis ajudá-los na integração dos seus filhos na terra dos seus pais e avós"?

Perceba que, por mais boa vontade que tenhamos, é impossível ter um diálogo assente em queixas de natureza geral.

Se quer manter a conversa nesse terreno genérico, então quero dizer-lhe que entendo, muito francamente, que o Estado português tem tido, desde há décadas, uma política para as Comunidades Portuguesas que, podendo não estar à altura das expectativas de muitas pessoas, e devendo ser progressivamente melhorada, é aquela que tem sido possível a um Estado com o nosso grau de riqueza.

Mas eu gostaria de sair deste discurso vago e conhecer propostas concretas que yenha para apresentar, às quais, pode estar seguro, darei o destaque e apoio que me for possível.

Cordialmente

Cunha Ribeiro disse...

Aceitando o repto de V. Ex. Sr Embaixador, vou então concretizar, o que este espaço permite que concretize:
1. Em vez de UM DIA DE PORTUGAL por que não DEZENAS de dias de Portugal? Isto é: Não seria mais acertado promover o dia de Celorico de Basto, o dia de Mirandela, o dia de Vila Pouca, o dia de Ponte da Barca, o dia de Mogadouro,..., etc?

2. Julgo que dessa forma os portugueses de França se sentiriam mais acarinhados, e haveria mais portugalidade durante o ano, podendo promover-se melhor as raízes culturais de cada região, de cada lugar, valorizando e incentivando a solidariedade, a amizade, e a criatividade, através de sentimentos de pertença mais fortes e mais coesos.
(...)

Cunha Ribeiro

Cunha Ribeiro disse...

Mais Sr Embaixador:

Como se sabe os nossos emigrantes deixaram de enviar grande parte das suas economias para a Banca lusa. Antes, não era assim.
O que tem feito a Banca portuguesa para reconquistar a poupança dos emigrantes? Creio que os senhores que tratam a banca por tu, e se relacionam com paraísos fiscais, esses sim têm vantagens. Os nossos emigrantes, esses, que trabalhem, que poupem, e que paguem, mas não esperem qualquer benefício.
Se não for bem assim, esclareçam-me, fazem favor.

CR

Anónimo disse...

Pois esta abertura à participação activa dos concidadãos na organização ...
Que gestão participativa... Que diversidade de lideranças...
Hum...
Já se nota a nobreza em assembleia...

Que Brisa

Isabel seixas
Já vou trabalhar

Cunha Ribeiro disse...

Isabel Seixas:

Gostei da sugestiva ambiguidade do seu comentário