Esta semana, Jaime Nogueira Pinto e eu falamos da Carta Constitucional de 1826 e de muitas outras coisas a propósito, em mais um podcast do "24 Horas".
Pode ver aqui: https://youtu.be/Lu92j6dqqpM?is=m2_YgtqO3A6sBDSz
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Desculpem lá, mas alguém sabe se, com o acidente do elevador da Glória, "morreram" de vez os elevadores de Lisboa? Os restantes não deviam já estar a operar em pleno? Por que será que ninguém fala disto?
Com a mania que Donald Trump tem de mudar a toponímia a seu bel-prazer, estou admirado que não tenha começado a chamar "Golfo Arábico" ao Golfo Pérsico, como os árabes gostam (e, já agora, alguns comentadores deviam aprender que os iranianos são muçulmanos mas não são árabes).
"Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo.
Passos Coelho deixou uma herança maldita no PSD, mais funda do que se pensa: o abandono da identidade social-democrata, que mal ou bem tinha sobrevivido até Cavaco Silva. O Governo Passos-Portas-troika foi mais do que um Governo de “necessidade” imposta, foi uma experiência de engenharia social que só não foi mais longe devido às limitações que o Tribunal Constitucional colocou à governação e ao falhanço da tentativa de mudar o programa do PSD que foi entregue à direita radical. Foi isso que significou “ir além da troika”.
Muitas das ideias que hoje estão encarnadas no Chega e na Iniciativa Liberal foram aplicadas pela governação de Passos, em particular a colocação como alvo da austeridade da classe média que tinha ascendido da pobreza pela acção do Estado. Este processo de elevador social era um elemento fundamental do pensamento de Sá Carneiro, e correspondia à tradição social-democrata e à doutrina social da Igreja, a de que o funcionamento do capitalismo e do mercado não eram eficazes no combate à exclusão e à injustiça social, que devia ser uma função garantida por um Estado com um programa que olhasse para a desigualdade e para as suas raízes. O último momento em que o PSD fez uma séria tentativa de aplicar este programa social-democrata foi o Plano de Erradicação das Barracas, com Cavaco Silva.
Mas, como sempre acontece, Passos deslocou o PSD para uma direita radical, atacando a função pública, colocando os “jovens” contra os seus pais e avós com a ideia de uma “justiça geracional”, atacando os sindicatos e retirando direitos aos trabalhadores, privatizando tudo o que pôde, parando apenas quando o travaram, como aconteceu com a Caixa Geral de Depósitos, e fazendo pagar a austeridade aos sectores da sociedade que tinham recentemente saído da pobreza, num processo que tenho classificado como o de “pai lavrador – filha professora primária – neto universitário”. O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita após a crise financeira da banca, que acabou por ser paga por aqueles que nenhuma culpa tinham da ganância que a motivou. Schäuble, um dos seus autores, reconheceu que errou e pediu desculpa, cá nada disso aconteceu.
Mas as políticas moldam os partidos e o PSD nunca mais foi igual. Os discípulos de Passos que não foram para o Chega nem para a Iniciativa Liberal – e muitos foram – estão hoje à frente do PSD, da direcção do partido ao grupo parlamentar. Mas são, de facto, menos “reformistas” no sentido de Passos (e, diga-se de passagem, do Chega), porque são mais tacticistas e perceberam o desgaste eleitoral do Governo Passos-Portas-troika na base eleitoral do PSD, perdendo a juventude para a Iniciativa Liberal e os mais velhos ou para a abstenção, ou para o Chega.
Porém, com ou sem “linhas vermelhas” e “não é não”, é à direita que hoje o PSD está confrontado com a diluição das suas fronteiras sociais-democratas. Essas fronteiras já tinham soçobrado em vários momentos, nas regiões autónomas e na competição com o Chega no mais perigoso tema da imigração. Embora a questão da imigração seja real e tenha havido muitos erros na governação socialista e na incapacidade de reconhecer que havia aqui um “problema”, o modo como Montenegro e o Governo a defrontaram significou um upgrade do discurso do Chega que, a partir daí, dominou a agenda política, e foi o melhor serviço que foi prestado ao Chega. A combinação de uma declaração solene do primeiro-ministro em horário nobre com a rusga hipermediática na Rua do Benformoso, o complemento da declaração dramática de Montenegro, foi sem dúvida o factor mais relevante na ascensão do Chega, que viu a sua visão estrutural da imigração impor-se pela acção do Governo.
Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA
A sombra e a motivação para o frenesim declaratório de Passos, que não tem outro sentido senão um regresso, não se sabe muito bem como, são o chamado “pacote laboral”, a “reforma” que está presente por detrás das suas declarações sobre o falhanço reformista do Governo. Não é por acaso que o “pacote laboral” é a motivação de Passos, embora o alcance da sua acção seja mais vasto. O primeiro passo de Passos é a pressão para um acordo parlamentar de fundo entre o PSD e o Chega e a Iniciativa Liberal, e qualquer acordo sobre a legislação laboral é sempre um acordo de fundo. Depois, esse acordo que daria a maioria às políticas da direita radical mostraria quem manda em Portugal, revelaria a irrelevância da esquerda, a começar pelo PS, e abriria caminho para outros acordos, a começar pelo Tribunal Constitucional e na revisão da própria Constituição. Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega, e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA.
Por isso, o pessimismo da inteligência deve ser nestes dias mais forte do que o optimismo da vontade. Se esse optimismo se dirigir para o combate duro a este caminho, será bem-vindo. É também por isso que seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo."
Julgo que o conheço bem, mas quantos de nós não dirão o mesmo? É um homem inteligente, arguto, rápido, perspicaz. Por muito que o olhemos sempre no meio de muita gente, é um solitário. Confia imenso em si mesmo, porque a vida lhe tem dado razões para isso, porque a sorte também o tem bafejado, embora a sorte dê muito trabalho. Espera-se que, em Belém, saiba ouvir e seja capaz de refrear um estilo impulsivo que, por vezes, o fez cometer alguns erros. Erros que, no entanto, não foram suficientes para estragar o "percurso limpo" que, com maestria estratégica, o levou até à Presidência - verdade seja que também por falta de comparência de uns e por falta de jeito de outros.
Não vale a pena sublinhar o contraste que fará com a imagem de Cavaco Silva, que ele procurará tornar muito evidente, sem nunca o dizer. O seu modelo de presidente, também sem o dizer, é, na realidade, Mário Soares - no abraço, na afetividade, na simplicidade que, nem por ser ensaiada com coreografia de mestre, de uma forma tão natural que já faz parte de si mesmo, deixa de ter alguma coisa de genuíno. No fundo, estou certo de que, no dia que sair de Belém, também lhe não desagradaria ser comparado, em postura ética, a Jorge Sampaio. Mas também nunca o dirá. Será igual a si mesmo. Enfim, logo veremos!"
Tive o privilégio de pertencer a uma geração, com pouco dinheiro mas muita sorte, que conseguia flanar algumas vezes por Paris, do final dos anos 60 em diante.
De início, chegávamos à boleia, outras vezes no Sud, à Gare de Austerlitz, mais tarde em viagens aéreas baratas e, depois, já nem por isso.
Recordo-me que, das primeiras vezes, um dos lugares tradicionais de encontro com amigos ou conhecidos, nessa época sem telemóveis, era a Place Saint-Michel, junto à fonte, ao final do dia.
Comprar livros novos, na Paris desse tempo, era um luxo. Nas Gibert Jeune ou nas Gibert Joseph, os saldos, de livros novos e usados, eram sempre magníficos. Só que, depois, era difícil transportá-los para cá. Alguns ainda por aí andam nas estantes, com poucas páginas lidas.
Leio que a Gibert Jeune da Place Saint Michel fechou portas. Pronto, que se há-de fazer!
Desde que o PSD (ainda PPD) existe, sempre achei muita graça aos seus dissídios internos. Era sempre um gosto ver aquela gente "à bulha", porque pressentia que isso ia ser bom "para nós". Nos dias de hoje, por que será que quase (só quase, claro) sinto pena de Montenegro?
Esta semana, Jaime Nogueira Pinto e eu falamos da Carta Constitucional de 1826 e de muitas outras coisas a propósito, em mais um podcast do ...