quinta-feira, julho 30, 2026

Foi penalti?

Tenho dado por mim a pensar que as senhoras que, nas televisões, comentam os jogos de futebol e discutem o tema em debates devem ser extremamente qualificadas. É que, se acaso o não fossem, no ambiente machista que se vive no futebol, a sua vida não devia ser fácil. 

Tudo está bem...

José Luís Carneiro, em coerência, não podia deixar de pedir a demissão de Luís Nunes. Ao fazê-lo, ajudou a reforçar o ministro, o que enfureceu a direita e, de caminho, reduziu as hipóteses de uma remodelação, que daria uma sobrevida ao governo. Tudo está bem quando acaba bem.

Que chatice, não é?

É minha impressão ou há muita gente à direita que tinha a esperança de se ver livre de Luís Neves e que agora parece desapontada pelo facto de, aparentemente, ele ter conseguido desarmadilhar o imbróglio em que se tinha deixado cair? 

Geração 40


Uma bem humorada conversa com Júlio Isidro, que simpaticamente me convidou, como parte da geração nascida nos anos 40 do século passado, para falar sobre a vida e o mundo. 

Pode ouvir aqui.

Jean Quatremer


Quem tenha passado algum tempo pelos corredores de Bruxelas conhece Jean Quatremer. Durante décadas, foi o correspondente do "Libération" junto das instituições europeias. Num meio relativamente pequeno, onde os jornalistas especializados nos assuntos comunitários acabam por formar uma espécie de tribo, Quatremer era uma figura incontornável. Tinha informação, conhecia os mecanismos, percebia os jogos de influência e escrevia com autoridade. Tinha um estilo muito próprio, muito vivo e um "boyish look" que era uma imagem de marca que nem o tempo apagou em definitivo.

Mas Quatremer nunca escondeu as suas convicções. Tinha uma agenda. Foi sempre um federalista assumido, embora sem o fervor quase religioso que, por vezes, se encontrava em setores europeístas. Publicou livros, criou o blogue "Les Coulisses de Bruxelles" e conquistou uma influência que ultrapassava largamente o universo dos leitores do seu jornal.

Entretanto, os tempos mudaram. Sentindo-se cada vez menos à vontade no "Libération", em particular por divergências relacionadas com a cobertura do conflito israelo-palestino, acabou por abandonar o jornal e vai integrar a redação do "Marianne". Um percurso que ilustra bem as transformações aceleradas que atravessam a comunicação social francesa. E que, de certa forma, acompanha também a própria evolução de Jean Quatremer.

No final de 1999, quando se caminhava para a presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2000, Quatremer quis falar comigo. Já nos tínhamos cruzado no passado, mas sem tempo para conversar. Encontrámo-nos num bar de hotel. Meses mais tarde, voltámos a sentar-nos à mesa para almoçar. Curiosamente, a primeira conversa correu muito melhor do que a segunda.

Do primeiro encontro saiu uma pequena entrevista para o jornal. Pode ser lida aqui. A partir de então, porém, as coisas evoluíram de forma menos linear. Durante a presidência portuguesa, Quatremer foi-se tornando progressivamente mais crítico. Suspeito que não terá sido indiferente a essa evolução a influência de alguém do jornalismo português em Bruxelas, que então se empenhava em difundir a ideia de uma alegada divergência entre António Guterres e o secretário de Estado dos Assuntos Europeus que eu era. Como se isso fosse possível, num governo onde a hierarquia era clara.

As coisas eram bem mais simples. Com total cobertura de Guterres e do MNE Jaime Gama, eu procurava denunciar, através do modo como dirigia o grupo negocial da Conferência Intergovernamental que revia alguns pontos do Tratado de Amesterdão, o que entendíamos ser uma descarada tentativa francesa de relativizar o trabalho da presidência portuguesa, a fim de poder reservar para a presidência seguinte — a sua — o protagonismo da conclusão das negociações daquilo que viria a ser o Tratado de Nice. Os franceses desejavam chegar ao fim da nossa presidência com as mãos livres para virem posteriormente a moldar o resultado da negociação segundo as suas prioridades. Que não eram necessariamente as nossas. 

Foi nessa altura que comecei a ouvir, a meu respeito, a crítica da "falta de ambição" europeia. Em Bruxelas, esta expressão tinha um significado muito particular. Não se referia à ausência de objetivos, mas à insuficiente adesão aos "amanhãs que cantam" do federalismo. Quem não acompanhasse esse impulso era visto como excessivamente cauteloso, quando não como um obstáculo ao progresso europeu, no limite acusado de soberanista. Eu costumava usar então uma frase que irritava solenemente os euro-agitados: sou tão europeísta quanto os interesses portugueses o justificarem. Era uma frase discutível, mas a provocação fez sempre parte do meu "fond de commerce".

O almoço que tive com Quatremer — e que, dessa vez, foi da minha iniciativa — serviu precisamente para explicar essas diferenças. Não pretendia convertê-lo às minhas ideias. Também não procurava convencê-lo de que Portugal tinha descoberto uma nova teoria da integração europeia. O meu objetivo era mais modesto: era mostrar-lhe que a posição portuguesa não resultava de qualquer défice de visão estratégica, mas da consciência de que a União não podia ser construída ignorando os interesses dos Estados de menor dimensão e que se sentiam prejudicados na balança de poderes que se refletia no processo decisório em Bruxelas.

Entretanto, eu já tinha dito publicamente, numa declaração ao "Público", que a presidência portuguesa não se colocava ao serviço de uma agenda federalista. Essa declaração provocara alguma irritação nos meios mais entusiasticamente europeístas da época, tanto na nossa imprensa como em certos círculos intelectuais que orbitavam à sua volta. Havia então quem confundisse prudência com falta de convicção e quem visse qualquer resistência às soluções maximalistas como uma espécie de pecado político.

A conversa com Quatremer foi intelectualmente estimulante. Nenhum de nós saiu dela convertido às ideias do outro. O que eu pretendia, era fazê-lo compreender que a (sua) França não conseguiria fazer passar o novo tratado com o esmagamento institucional dos países de menor dimensão. Como não veio a conseguir em Nice.

quarta-feira, julho 29, 2026

"A Arte da Guerra"


Nem as férias nos travam. A caminho de seis anos de emissões semanais, o podcast do "Jornal Económico" em que António Freitas de Sousa e eu analisamos o mundo internacional, o "A Arte da Guerra", dedica-se esta semana à singular conflitualidade que surgiu entre a Ucrânia e o Irão, à intromissão do presidente argentino nas eleições presidenciais brasileiras e à guerra esquecida que atravessa os palestinos de Gaza e da Cisjordânia.

Se tiver interesse, pode ver aqui.

Se não lhe apetecer, amigos como dantes, com votos de que tenha muito boas férias.

"Never"

"Never complain, never explain", dizia Benjamin Disraeli.

terça-feira, julho 28, 2026

A dignidade da República

O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo. 

Se o secretismo de uma força política foi violado, dentro da casa da democracia, tratou-se de um atentado à República. 

Se acaso foi uma encenação, o país político não pode deixar de retirar consequências. 

Acabar tudo "em águas de bacalhau" é que não! Se tal viesse a acontecer, isso significaria que as instituições já não se levavam a sério.

Arquivos


1972. Não tenho ideia que esta equipa de futebol de salão da Caixa Geral de Depósitos tenha tido sucessos retumbantes nos campeonatos em que entrou, não obstante o estilo do respetivo guarda-redes, cujo nome agora me escapa.

segunda-feira, julho 27, 2026

O 1° governo constitucional fez meio século


Eram muitos os ministros do 1° governo constitucional, que tomou posse há precisamente 50 anos. Nem cabiam na bancada! Estão felizmente vivos Manuel Alegre, Emílio Rui Vilar e António Barreto. 

domingo, julho 26, 2026

sábado, julho 25, 2026

Jornalismos


A conversa, moderada por Maria Flor Pedroso, reuniu no Clube dos Jornalistas três profissionais da área do jornalismo, ao final da tarde da passada quinta‑feira. O encontro, que vem na sequência de outros, revelou‑se interessante: profissionais a refletirem, com candura e frontalidade, à luz da sua diversa experiência, sobre o modo como as mutações tecnológicas e culturais estão a reconfigurar o seu ofício.

Percebia‑se uma inquietação difusa — e até uma certa desorientação — quanto à capacidade do jornalismo contemporâneo de ainda conseguir reencontrar um vínculo sólido com a sociedade. Já não há “o” público, mas uma constelação fragmentada de audiências, com hábitos de consumo informativo profundamente distintos, ritmos de atenção desiguais e expectativas que dificilmente se deixam acomodar em soluções de oferta noticiosa uniformes.

Foi particularmente interessante ouvir o meu amigo José Ferreira Fernandes, cuja experiência atravessa várias etapas da profissão, destacar as virtudes do projeto que hoje integra, "A Mensagem de Lisboa". A aposta no local, naquilo que pode devolver densidade ao quotidiano que nos pode motivar, surgiu ali como uma via possível para restabelecer pontes com leitores cada vez mais esquivos.

No entanto, e apesar da persistência quase obstinada na trilogia fundadora do jornalismo — “olhar, ver, contar” —, saí dali com a impressão de que algo mais profundo se deslocou inapelavelmente. Não o questionamento do conceito de verdade, que permanece necessariamente una, mas a dificuldade de a fazer reconhecer num espaço público saturado de narrativas concorrentes. Assim, a batalha já não parece ser apenas pela descoberta da verdade, mas pela sua legitimação — e essa, tudo indica, deixou de ser uma guerra que o jornalismo possa vencer sozinho.

sexta-feira, julho 24, 2026

Comemorações nacionais?

Serei eu quem está enganado ou seria natural que a posse da pessoa encarregada das comemorações nacionais da datas fundacionais do país fosse uma cerimónia com uma alargada presença política? Olhando a assistência, fica a ideia de uma quase "conversa em família". Não foi bonito.

É só uma sugestão...



Há uma realidade incontestável, mesmo com eventuais injustiças adubadas pelas conjunturas: o cargo de ministro da Administração Interna em geral "queima" quem o ocupa. 

Houve algum MAI reconhecidamente exemplar? Houve. Assim, acho que tudo recomenda a que venha a ser testado num lugar um pouco mais acima.

Domingos Simões Pereira


Não faço parte de quantos têm uma endémica compulsão — que sempre achei uma forma de paternalismo pós-colonial — que os leva a estar sempre a "mandar bitaites" sobre a vida política interna das antigas colónias portuguesas, mesmo que por razões alegadamente afetivas, salvo naquilo que o nosso relacionamento bilateral torne imperativo. 

Contudo, como democrata, estarei sempre do lado de quantos desejam e lutam para que os seus países sejam regidos pela preeminência do voto popular na escolha dos dirigentes e, em geral, pelos princípios da liberdade. Em qualquer parte do mundo — na Guiné-Bissau como na Sildávia ou na Bechuanalândia.

Domingos Simões Pereira, antigo secretário executivo da CPLP, é um democrata guineense que, em atos eleitorais no seu país, mereceu a confiança do seu povo. No regime ditatorial militar que a força ilegítima das armas impôs na Guiné-Bissau, tal como na autocracia que já antes ali vigorava sob grande complacência internacional, foi perseguido e preso. Agora, por razões de saúde, veio para Portugal. 

É muito bom sinal que Portugal continue a poder ser um lugar de refúgio seguro para democratas perseguidos — falem eles a língua que falarem. 

Como amigo e admirador de Domingos Simões Pereira, fico muito satisfeito por vê-lo livre da prisão da ditadura que vigora no seu país.

A alegria das tascas

No Reino Unido, Andy Burnham decidiu baixar os custos fiscais que impendem sobre os "pubs". Não deve tardar muito até que, por cá, um conhecido líder do pessoal da conversa de tasca venha a emulá-lo com uma proposta idêntica, para dar um bónus etílico ao seu eleitorado.

Fragilidade

Para uma população como a da Rússia, que sempre olhou o poder político à luz da capacidade de proteção perante o exterior, as flagelações diárias por drones ucranianos devem estar a induzir uma estranha sensação de fragilidade, com seguro impacto na imagem de Putin.

quinta-feira, julho 23, 2026

Hortaliças de Estado


Há poucas semanas, soube da morte de Carlos Westendorp. Foi uma figura relevante da diplomacia espanhola: ministro dos Assuntos Exteriores, secretário de Estado dos Assuntos Europeus, alto representante da União Europeia para a Bósnia-Herzegovina, deputado europeu. Chefiou o grupo que viria a ficar conhecido pelo seu nome — o “grupo Westendorp” —, criado em 1995 para preparar propostas de alteração ao Tratado de Maastricht. Foi também embaixador de Espanha em Washington e junto das instituições europeias. Uma carreira cheia e prestigiada.

Conheci-o precisamente nesta última função, quando chefiava a representação permanente espanhola em Bruxelas. Mais tarde, voltámos a trabalhar lado a lado no “grupo Westendorp” e coincidimos, por algum tempo, como secretários de Estado. Dessa proximidade repetida nasceu uma excelente relação pessoal.

É desse período em Bruxelas que data o episódio que aqui deixo registado — não tanto pela sua importância diplomática, que não foi nenhuma, mas pelo que ele revela sobre a fragilidade da compostura humana perante um imbróglio de línguas.

Estávamos reunidos no Luxemburgo, no final de outubro de 1989, num Conselho de Ministros dedicado à Cooperação para o Desenvolvimento. 

O dia fora longo e estava a prolongar-se pela madrugada dentro — essas horas que Bruxelas reserva para as decisões que o cansaço, mais do que a convicção, acaba por ditar. Discutia-se um pacote de concessões agrícolas a favor de países terceiros menos desenvolvidos. Era uma matéria sensível como poucas, porque o peso do lóbi agrícola em vários Estados-membros estreita drasticamente a margem de manobra dos governos. Ora é precisamente nesse setor que a abertura do mercado europeu mais interessa aos países beneficiários. O que estava em causa, no caso concreto, era aquilo a que em Portugal chamamos produtos hortícolas.

A Espanha era o Estado-membro com mais reservas quanto aos termos propostos pela Comissão. Para eles, o momento não podia ser pior: com eleições gerais marcadas para três dias depois, o governo de Madrid temia que qualquer cedência agrícola fosse lida pela oposição interna como configurando uma atitude de fraqueza. Por isso nenhum membro do governo se deslocara a Bruxelas — prudência política que, em termos práticos, deixava Carlos Westendorp, simples embaixador, a ter de segurar sozinho uma posição que nenhum político queria subscrever com o próprio nome.

O embaixador estava, literalmente, de mãos atadas. Por um lado, todos os restantes onze Estados já tinham dado luz verde ao pacote, o que aumentava a pressão sobre Madrid. Por outro, associar-se ao consenso naquele preciso momento equivaleria, para a delegação espanhola, a um imenso desastre. E Westendorp não tinha mandato para cometer esse suicídio diplomático.

A reunião decorria sob presidência francesa. Roland Dumas, ministro dos Negócios Estrangeiros e advogado de formação, empregou toda a sua arte oratória para colocar os espanhóis perante a responsabilidade de bloquearem sozinhos uma decisão ansiosamente esperada pelos países beneficiários, sublinhando o dano que esse isolamento causaria à imagem de Espanha.

Portugal tinha acompanhado a posição espanhola até onde tinha sido possível. Porém, a certa altura, a Comissão aceitou — após contactos bilaterais — retirar da lista alguns dos produtos que mais nos preocupavam, pelo que a importância do acordo para o conjunto das nossas relações africanas acabou por esvaziar-nos os argumentos para continuar a resistir. A meio da tarde pediram-me que explicasse a evolução da nossa posição aos espanhóis. Recordo-me de que a compreenderam — o que, convenhamos, não lhes tornou a solidão menos incómoda.

A Espanha ficou, assim, isolada por completo. Dumas fez um último apelo à sua flexibilidade e cedeu a palavra a Westendorp. Instalou-se na sala um silêncio quase teatral. Onze das doze delegações — eram ainda os tempos da Europa “a doze” — aguardavam, com a paciência de quem só quer regressar ao hotel, uma cedência de última hora.

Westendorp falava em espanhol, como as regras do Conselho aconselham. Para a delegação portuguesa, dispensava-se qualquer auricular: entendíamos tudo, e foi essa proximidade da língua que nos haveria de trair.

A Espanha não cedeu, como seria de esperar. Pelo contrário: invocou, com a gravidade de quem discursa perante a pequena História, a posição difícil do seu governo. E disse, mais ou menos, isto: “Les pido que entiendan que, para España, la cuestión de las hortalizas reviste una importancia estratégica. Puede decirse que es una cuestión de Estado.”

Fez então uma pausa — calculada, suponho, para deixar a interpretação simultânea da declaração alcançar as restantes delegações. Foi precisamente nesse silêncio solene, que a bancada portuguesa desatou, em bloco e sem aviso prévio, num coro surdo de riso e de gargalhadas pouco contidas. Juntaram-se-lhe de imediato meia dúzia de funcionários lusófonos da Comissão e do Secretariado-Geral do Conselho. A sala inteira voltou-se então para nós, incrédula: onze delegações a testemunhar o espetáculo insólito de uma delegação desfeita em riso perante uma alegada “questão de Estado”.

O problema é que não havia forma de explicar aquela nossa reação a ninguém. Para ouvidos portugueses, “hortalizas” — mero equivalente espanhol para “produtos hortícolas” — casada com a solenidade de “questão de Estado” produzia um efeito cómico instantâneo e absolutamente incontrolável, que se agravava exatamente na proporção em que se tentava contê-lo. Pior: o nosso descontrolo estava a ser lido como troça deliberada perante a posição espanhola — a começar pelos próprios espanhóis, que nos fuzilavam com olhares carregados de indignação ibérica. As restantes delegações, para quem a expressão traduzida não continha absolutamente nenhuma graça, olhavam-nos como se tivéssemos enlouquecido em conjunto. Recompusemo-nos com muito esforço.

Aquelas hortaliças, promovidas sem aviso a questão de Estado, ficaram para sempre gravadas na memória divertida de quantos, naquela noite no Luxemburgo, integravam a delegação portuguesa.

quarta-feira, julho 22, 2026

Tempus fugit


Com todo o respeito que uma declaração ministerial sempre deve merecer em democracia, por que será que está instalada na opinião pública uma persistente indiferença perante qualquer calendário que possa ser anunciado sobre o "novo" aeroporto?

Condecorações


Tal como sucedeu nos nomes escolhidos para o Conselho de Estado, António José Seguro revelou excelente equilíbrio e sentido de Estado nas nomeações que fez para os Conselhos das Ordens Honoríficas portuguesas. Os nomes de Guilherme d’Oliveira Martins, Nunes Liberato e Graça Freitas são a garantia de juízos ponderados e responsáveis nas propostas de atribuição das distinções pelo chefe do Estado.

Sublinho aqui algo que, por vezes, se desconhece. Não são os Conselhos das Ordens quem atribui condecorações: eles apenas se limitam a apreciar propostas que lhes tenham chegado e a aconselhar o Presidente da República. Este aceita ou não as propostas feitas e, além dessas, atribui ele próprio outras distinções, à luz do seu próprio critério e da sua legitimidade única.

É sabido que as condecorações são frequentemente objeto de notas sardónicas — nas conversas, nos media e nas redes sociais. Ora, na realidade, elas apenas representam o devido reconhecimento pelo país, pela mão do Presidente, de que alguém ou alguma entidade coletiva, no exercício de funções tida por relevantes para o país, se distinguiu dos seus pares, pela positiva, pelo que deve ser destacado com uma menção pública. Quase todos os países do mundo têm modelos semelhantes para destacar os seus nacionais ou distinguir determinados cidadãos estrangeiros.

Às vezes, são cometidos erros na escolha dessas pessoas — até porque ninguém pode assegurar que o respetivo comportamento futuro estará sempre à altura da qualidade que demonstrou quando recebeu o galardão. Só as condecorações a título póstumo podem garantir ter sido tomada em conta a integralidade da vida da pessoa que é destacada…

Foi penalti?

Tenho dado por mim a pensar que as senhoras que, nas televisões, comentam os jogos de futebol e discutem o tema em debates devem ser extrema...