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quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Bom nome?

Acho lindamente que os dirigentes dos clubes de futebol se insultem entre si, que "cortem relações" com a imprensa e coisas assim. Contudo, podiam evitar uma expressão que roça sempre o ridículo: dizerem que foi atacado o seu "bom nome". Bom nome?!

terça-feira, fevereiro 17, 2026

À mesa no Alentejo

Começo por um "disclaimer": o que vão ler está longe de ser uma crónica gastronómica. Trata-se apenas de notas despretensiosas sobre algumas "escassas" refeições, em restaurantes, num fim de semana alargado no Alentejo, aproveitando o Carnaval e a "aberta" climática.


A jornada começou por aquela que se converteu numa das grandes mesas de Estremoz: a Mercearia do Gadanha. Prémio "Maria de Lurdes Modesto" 2024, de cozinha tradicional portuguesa, da Academia Portuguesa de Gastronomia, esta casa mantem, há vários anos, uma notável constância de qualidade. A sua lista é soberba. A relação satisfação/preço é excelente. Volto lá sempre que posso.


Um almoço menos exigente, com simpatia no atendimento e a oferta sempre muito honesta para o preço praticado, foi-nos proporcionada na Cadeia Quinhentista, ao lado da Pousada Rainha Santa Isabel.  Sejamos justos: o bacalhau dourado da Cadeia, que tem a tradição da Pousada de Elvas por detrás, estava muito bom. E do resto também nos não queixamos. À saída, foi com pena que olhei as portas e janelas fechadas do saudoso restaurante São Rosas


A marca Gadanha expandiu-se para outro espaço da cidade, a Casa Gadanha, num modelo diferente da casa mãe, mais "produzido", com opções de degustação na lógica da moda dos "momentos", com ou sem "harmonização" etílica. O serviço tem a "secura" tradicional do modelo escolhido, embora sem chegar ao "casual arrogant" de alguns espaços lisboetas (e não só) análogos. Comeu-se muito bem, com pratos excelentemente apresentados (deixo acima uma imagem). O ambiente é um pouco frio, "clean". O meu teste habitual é este: volto? Volto.

Para chegar ao Tintos e Petiscos, indo de Estremoz, são trinta e tal quilómetros até Vaiamonte. Comecei por conhecer a casa num outro espaço, já num outro tempo. A qualidade da oferta, numa lista 100% alentejana, foi sempre boa. Vale a pena ir à arrecadação para escolher os vinhos, embora em regra nada baratos. Fui por um Douro, ainda a preço razoável. Saímos satisfeitos, como sempre por ali tem acontecido.


De regresso a Estremoz, a noite estava animada no magnífico espaço do Howard's Folly, no sábado de Carnaval e "Valentine's day". Além de restaurante num espaço ao lado, é também um local para um copo, em ambiente simpático, com música ambiente. Casa conhecida por vinhos próprios muito bons, a decoração do seu espaço é muito interessante. A comida, sem ser um espanto, também o é.

Deixámos Estremoz sem rever o restaurante da Pousada (só dá jantares), bem como o surpreendente Larau e, uma vez mais, sem testar como se comporta a velha Adega do Isaías, desde há uns tempos com nova gerência. E sem repetir o Alecrim, uma aposta de difícil afirmação numa terra com tão boa oferta. As obras no Águias de Ouro continuam.


Vila Fernando não fica à mão de semear, mas raramente passo por aquela zona do Alentejo sem dar uma saltada à Taberna do Adro. As mesas são muito poucas no espaço da dona Maria José, mas a sua simpatia "vaut le détour", para utilizar o termo clássico do Michelin "vert". Os petiscos, anunciados na carta forrada a pano, fazem o resto, que é muito. Preço sempre em conta. Volto sempre.

Embora Estremoz seja, cada vez mais, "um caso sério" da gastronomia no Alentejo, Évora é a grande "Meca". 


Na imensidão da oferta eborense, andava há uns tempos com curiosidade de ir à Enoteca Cartuxa, junto ao Templo de Diana e à Pousada local. A experiência, sem ser esmagadora, foi bem simpática. Fez-se várias partilhas e estava tudo bastante bom. O serviço era muito agradável. É uma bela opção, quando se não pretende fazer uma refeição pesada.


Idêntica fórmula se seguiu, no almoço seguinte, no clássico Café Arcada, na Praça do Giraldo, agora renovado com uma estética quiçá discutível. As empadas estavam magníficas.


Fechou-se Évora com um sólido jantar no Luar de Janeiro: sempre muito bom, consistente, quase sem falhas. O serviço foi eficaz e bem divertido. Este espaço do Luar é bem melhor do que o que anteriormente ocupava, na mesma rua "larga".

Quando estou em Évora, arrependo-me sempre de não regressar à Tasquinha do Oliveira, ao Dom Joaquim, ao Moinho do Cu Torto, ao Origens, ao Tua Madre, ao Quarta-Feira - e sei lá a quantos outros excelentes lugares que por lá há, para além dos que se criaram fama e se deitaram na cama. 


Fechámos hoje a expedição carnavalesca com uma casa simples, já a caminho de Lisboa, em Santiago do Escoural. "Foste o Manuel Azinheirinha?", perguntará um expert das mesas alentejanas. Não. Foi uma alternativa mais singela, o Rabino's, onde a jornada terminou de forma simpática, com o dono da casa diligentemente a guiar-nos pela lista que mostro acima, num espaço que ganharia em ser um pouco "confortabilizado". Mas valeu a pena! 

De regresso a Lisboa, há agora que fazer uma semana mais espartana, para compensar os exageros de um belo tempo de Carnaval alentejano. E vou passar esta minha renovada lista de restaurantes ao meu médico de clínica geral, que tem gostos similares aos meus (se não fosse assim eu não o tinha escolhido).

"Olhe que não, olhe que



No "Olhe que não, olhe que não" desta semana, o podcast do jornal "24 Horas", converso com Jaime Nogueira Pinto sobre dom João VI, o conflito entre absolutistas e liberais e outros temas que vieram à baila. 

Pode ver aqui.

Dúvida


Será que esta santa, cuja imagem ontem encontrei na Sé de Évora, é a padroeira da Brigada de Trânsito da GNR?

Eles é que têm razão!


Isto é um país em ruinas.

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Duvall


Tinha 95 anos e morreu agora. Robert Duvall era um magnífico ator. A maioria recorda-o nos Padrinhos, eu fiquei com o Apocalipse Now  - onde crismou a histórica linha "Eu gosto do cheiro a napalm de manhã". Era um "character", o que talvez lhe tenha condicionado a carreira. 

domingo, fevereiro 15, 2026

Por que será?

Dado que este blogue deixou de admitir comentários, esta é uma questão puramente retórica: por que diabo nas localidades alentejanas de Évora e Estremoz há uma tão grande concentração de excelentes restaurantes?

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Na " Visão"


A coluna semanal de José Carlos de Vasconcelos é dos textos que raramente falho na leitura da "Visão". O Zé Carlos escreve um "português de lei", culto e despretensioso, não se pretende "difícil", tem um bom-senso à flor da pele e uma lucidez que levo sempre à conta do facto de ele já ter visto muito. São textos sem floreados nem arrebiques, sob uma lógica óbvia e poderosa, não pretendendo agradar a ninguém em particular e com uma elegância desarmante face àqueles que critica.

Há pouco, ia eu lançado pelo texto abaixo quando dei por mim pespegado numa linha. Saltou-me à vista o meu nome, ligado à menção ao blogue que o leitor está agora a ler. Um espaço que eu sabia que José Carlos de Vasconcelos acompanhava, sendo esta a única "rede social" que ele segue com regularidade. O que o leva sempre a dizer que eu e o Guilherme Oliveira Martins temos uma capacidade de produção de escrita que pede meças a muita gente. 

O prazer de nos vermos citados por alguém que é um príncipe da escrita e do jornalismo vai de par com um acrescido sentimento de responsabilidade. Afinal, quando por aqui escrevo, não me posso nunca esquecer que, do outro lado do ecrã, está a atenção, que sei também exigente, do meu amigo José Carlos de Vasconcelos. 

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

"A Arte da Guerra"


Os estilhaços da bomba Epstein, o novo quadro comercial internacional e o reforço da viragem à direita no Japão. Veja em "A Arte da Guerra" aqui.

O Estado e a arte

Este governo, não obstante projetar uma inescapável imagem de incompetência, ainda terá um módico de lucidez para perceber que a atual situação é "areia demasiada" para a sua carroça". Contudo, olhando-lhes as caras e as atitudes, vê-se que não querem aprender com a realidade.

Se assim não fosse, procurava já um entendimento como PS, para superar as consequências da atual crise, com vista a um alargado acordo sobre o modo de intervir no tecido infraestrutural do país, em aliança com os municípios. E sem criação de "comissões" ou "gabinetes", por favor!

Com a ajuda do novo presidente, que por algum tempo poderá gozar de um efetivo estado de graça, atenta a diversidade dos votos que o colocaram em Belém, Montenegro e a sua gente, se a arrogância lhes não lhe atasse as mãos, teriam a hipótese de pilotar uma gestão hábil da crise.

Mas, como antigamente se dizia, "não estamos com gente disso!". Este pessoal governamental não está à altura do desafio que tem perante si. E vai arrastar-se por aí, a fingir que governa. O que teria sido se o azar da história os tivesse encontrado em S. Bento durante a pandemia!

A1

É grave para o país a A1 ficar interrompida por bastante tempo. Mas digo isto apenas como "observador". Viajo com frequência entre Lisboa e Porto e há muito que não me passa pela cabeça ir pela A1. A ligação A8 seguida da A17 é, desde há anos, o único caminho que utilizo.

Colombo: o ovo ou a vontade?

Vejo por aí com frequência críticas ao facto da lei não ser imperativa - ou podendo ser interpretada como o não sendo - no tocante aos prazos que devem ser observados pela justiça. Se assim é, senhores legisladores, porque não fazer uma lei interpretativa? São só dois parágrafos.

Guterres

António Guterres felicitou o Estado iraniano no seu dia nacional. Caiu o Carmo e a Trindade! 

O secretário-geral das Nações Unidas, organização de que o Irão é membro pleno, saúda ritualmente os dias que o país indica como sendo suas datas nacionais. 

Recordo que as Nações Unidas acolhem regimes de toda a natureza - desde sólidas democracias a sinistras ditaduras. Nas Nações Unidas, como em qualquer organização internacional, uma ditadura não tem menos direitos do que uma democracia, como é sabido por quem sabe um mínimo destas coisas. 

Era só o que faltava que o SGNU, nestes seus gestos protocolares, tivesse a liberdade pessoal de escolher entre regimes. 

Brasil


Quando um poeta se junta com um musicólogo, em torno da poesia e da música de um país cuja cultura ambos admiram, o resultado só podia ser muito interessante, como ontem, tal como na passada semana, pôde constatar quem esteve no Grémio Literário a ouvir Luís Castro Mendes e Rui Vieira Nery.

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

A ministra


Maria Lúcia Amaral deixou de ser ministra da Administração Interna. Jurista de primeira água, foi arrastada pela enxurrada mediática da intempérie. O seu estilo de comunicação estava em óbvio contraciclo com o ritmo dos dias políticos de hoje.

Conhecemo-nos num tempo sereno, há uma década, na organização de uma conferência, a que ela presidia e de cujo Conselho Científico eu fazia parte. Pude constatar que era senhora com um grande humor e imensa inteligência. 

Nos seus primeiros dias como ministra, cruzámo-nos casualmente, numa circunstância social. Recordo, em algo que então me disse, a consciência plena que tinha da aventura política em que se tinha envolvido. Só que os factos são sempre muito mais imaginativos dos que os homens. E do que as mulheres. 

Aqui fica o meu abraço solidário.

Japão vira (ainda mais) à direita


Com o resultado das eleições legislativas do passado fim de semana, o Japão entrou claramente numa nova fase política. O histórico Partido Liberal Democrata, agora liderado por Sanae Takaichi, conseguiu garantir uma maioria de dois terços no parlamento. Não foi apenas expressivo em termos numéricos, mas veio consagrar una reorientação para a direita do centro de gravidade político japonês, conferindo ao novo governo um mandato robusto. 

Takaichi, que tinha sido a primeira mulher a chefiar um executivo no seu país, assume esta liderança reforçada após aquele que foi um período de erosão eleitoral do LDP, marcado por derrotas mas também pela paralela fragmentação da oposição. A decisão de convocar eleições antecipadas revelou-se um cálculo certo: a oposição colapsou, a nova aliança centrista perdeu relevância parlamentar e o eleitorado aceitou uma liderança claramente de direita, sem ambiguidades ideológicas. Nunca o Japão político girou tanto à direita.

A agenda anunciada pelo governo combina estímulos fiscais com o reforço das capacidades militares, uma mais eficaz "intelligence" e uma política externa que se pretende mais assertiva, sobretudo perante a China, mantendo simultaneamente a tradicional aliança estratégica com os Estados Unidos. Isto ocorre num contexto regional tenso e num momento em que Washington dá sinais de "selecionar" parceiros previsíveis e muito alinhados em matéria de segurança. Tóquio promete sê-lo cada vez mais.

Este reforço do LDP, e da sua capacidade parlamentar, pode vir a abrir espaço para reformas e revisões constitucionais sensíveis. O Japão tem, contudo, alguns constrangimentos: um crescimento anémico, um custo de vida elevado e o envelhecimento acelerado da sua população. 

Resposta a perguntas da 24 Notícias

A vitória de António José Seguro é também uma vitória do PS? Porquê?

A vitória de AJS é, no essencial, uma vitória pessoal. Avançou sozinho e resistiu às pressões de setores de dentro do PS para aceitar desistir em favor de António Vitorino. Este trajeto solitário confere-lhe uma autonomia única. Entra em Belém com as mãos completamente livres. De certo modo, repete Marcelo há dez anos, embora este não tivesse encontrado as resistências com que Seguro se confrontou, no seu próprio campo político. Esta é uma vitória do PS? Também acaba por ser. Seguro teve ao seu lado, a partir de um certo momento, a máquina do partido. Fica a dever isso ao PS mas este fica a dever-lhe bastante mais: ter um dos seus em Belém é muito simbólico para os socialistas, em especial num tempo muito sombrio na sua prestação nas legislativas. A "chama" da esperança dos socialistas, para um seu futuro regresso ao poder, fica agora acesa. Não creio, contudo, que Seguro venha a ser um instrumento que o PS venha a poder utilizar para apressar o seu retorno ao poder. 

Quais os principais desafios de António José Seguro?

Seguro vai confrontar-se, desde muito cedo, com um Montenegro arrogante, como se revelou logo na noite eleitoral, que vai querer blindar o terreno próprio do governo e evitar que o novo presidente, utilizando a sua pressão e influência, seja uma espécie de "provedor do povo ", junto de um executivo ineficaz e incapaz de produzir resultados. Montenegro já percebeu que o governo que conseguiu "produzir" está sem capacidade para apresentar resultados concretos, nas áreas mais sensíveis das políticas públicas. Vai tentar usar o novo presidente para pressionar o PS para o deixar governar. Seguro tem de saber resistir à chantagem de ter de ser ele a pedir ao PS para salvar Montenegro e adiar a crise que uma eleição antecipada provocaria. Não vão ser nada fáceis os dias de Seguro em Belém.

3 - Qual a probabilidade de, daqui a três anos, António José Seguro estar a dar posse ao primeiro-ministro André Ventura? O que pode evitar este cenário?

Acho que a probabilidade de AJS ter de dar posse a Ventura como primeiro-ministro é elevada - e antes de decorridos três anos.

Cruzadismo


Ontem, este blogue teve 11.137 visitantes. Hoje, ao comentar isto com um amigo, ouvi: "Com esses números, já ultrapassa largamente alguns jornais em papel. Já pensou em colocar palavras cruzadas no blogue?" Não, ainda não pensei. Mas, aqui há uns tempos, outro amigo ironizava: "Com tantas notas necrológicas que ali publicas, o teu blogue quase parece um semanário que eu cá sei..."

Ganhar a derrota

Há dois derrotados nas presidenciais que, pelos vistos, querem continuar a cavalgar a popularidade colhida na primeira volta e teimam em não sair de cena: um passou a comentador televisivo, outro puxou subliminarmente dos galões de organizador logístico para atacar uma ministra.

Bom nome?

Acho lindamente que os dirigentes dos clubes de futebol se insultem entre si, que "cortem relações" com a imprensa e coisas assim....