Acho delicioso o conceito de "guerra esporádica" com que o "Le Monde" de hoje crisma os ataques americanos ao Irão. Está ao nível da histórica qualificação como "drôle de guerre" da situação que se viveu em França antes da Segunda Guerra mundial.
sexta-feira, julho 10, 2026
quinta-feira, julho 09, 2026
Escribas
Nas redes sociais, surgem uns fulanos a afirmar que o destino da sua vida é escrever e que a escrita lhes ocupa tanto tempo que praticamente não leem. Alguns não têm pejo em afirmar que a leitura pouco ou nada lhes ensina. Na minha terra, dizia-se: "Quem lhes atasse um arado!"
quarta-feira, julho 08, 2026
terça-feira, julho 07, 2026
Para fechar o assunto
Farage
Justicinha
O juíz que vai presidir ao coletivo que julga José Sócrates não tem, neste momento, sequer quatro anos como magistrado. Comparem com o grau de responsabilidade que é atribuído, em outras profissões, a pessoas com a mesma antiguidade. Andam a brincar com a justiça.
Pulseira de campanha
Marine Le Pen pode concorrer à eleição presidencial com pulseira eletrónica. Ficava-lhe bem uma Bvlgari...
Viva!
segunda-feira, julho 06, 2026
O Mundial de 1982 no "Trópico"
E se...
E se, a pedido de Donald Trump, a FIFA decidisse que Marine Le Pen se pode afinal candidatar às eleições presidenciais francesas?
Perder, ganhar, viver — por Carlos Drummond de Andrade
(Não sou dado a publicar por aqui textos alheios. Mas este é um "textão" imperdível)
Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…
E chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória, estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.
Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos?
Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado.
A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.
Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos (ou adquirimos, na maioria das cabeças) o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres-diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se.
Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.
E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano está na segunda metade?
(Carlos Drummond de Andrade, Jornal do Brasil, 07/07/1982)
Por uma vez, belgas
Após uma decisão de arbitragem, feita a expresso pedido do presidente americano, que favorece escandalosamente os EUA no seu próximo jogo, não será de admirar se, na próxima madrugada, meio mundo estiver a apoiar a Bélgica contra "a equipa de Trump".
O choro e o riso
Vivi no Brasil e conheço os brasileiros suficientemente para entender que a sua eliminação, logo nesta fase do Mundial de futebol nos Estados Unidos, constitui um imenso desapontamento, se bem que as dúvidas sobre a real força deste grupo já tivessem surgido há muito na imprensa. O futebol é muito importante para o imaginário brasileiro, é a “pátria em chuteiras”, como escreveu Nelson Rodrigues. Mais do que os clubes, a seleção — o “escrete” — tem um significado profundo numa brasilidade partilhada com fervor por quase todos. O Brasil tem uma história gloriosa no futebol mundial, e o presente contrasta, com frequente nostalgia, com esses dias gloriosos. O país provou, contudo, ser possuidor de um arsenal histórico de esperança, mesmo quando as razões para essa esperança foram ténues. Por isso, embora desiludido e em lágrimas, o Brasil vai reinventar-se. Não seria o Brasil se assim não fosse.
Um livro e uma mesa (27)
O restaurante é "Via 14", por detrás do altar do papa, em Lisboa, com o tlf. 962 526 989.
domingo, julho 05, 2026
Ah! Pois é!
O clima parece apostado em estragar a festa a Donald Trump. Deus que se ponha a pau! Trump assina uma "executive order" e vai ser o bom e o bonito.
sábado, julho 04, 2026
Estados Unidos da América
Com Pedro Adão e Silva e Mário Crespo, estive esta noite na CNN Portugal para analisar o significado dos 250 anos passados sobre a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América.
Tentámos ir um pouco mais além da polémica criada pela tentativa de Donald Trump de se apropriar destas comemorações, saudando o contributo político para o mundo dado pelos "pais fundadores" da América.
De vez em quando...
Acho delicioso o conceito de "guerra esporádica" com que o "Le Monde" de hoje crisma os ataques americanos ao Irão. Está...












