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quarta-feira, janeiro 28, 2026

É a vida!


Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semanas, a atravessar a Sala das Bicas, seguidoda corte do costume, a caminho do sofá, no gabinete do presidente Seguro.

terça-feira, janeiro 27, 2026

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Toda a futurologia é empírica

Num debate destes, começa-se por medir se os candidatos fixaram o eleitorado que traziam: claramente, isso aconteceu, em absoluto. Depois, avaliar quem terá sido mais eficaz em captar quem votou nos derrotados da 1ª volta: Nisso, Seguro pareceu-me marcar mais pontos. Digo eu...

O candidato do empadão

"Política do empadão" é uma bela fórmula criada por António José Seguro para caraterizar a habitual mistura e confusão de temas, quase sempre de forma imprecisa e caricatural, que é a tática de André Ventura para, na réplica, tornar difícil uma resposta a uma questão concreta.

Há um novo mundo com Trump?

 



Entrevista no podcast da Fundação Res Publica.

Pode ver aqui.

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Startupismo

Constato que o limoeiro do meu quintal tem 21 limões. Vou dar uma saltada à Unicorn Factory. Acho que já tenho ali massa crítica para abrir uma start-up.

Como é?

Pessoa "honesta e educada" é como Cavaco Silva qualifica António José Seguro. Quanto se anuncia o voto num candidato e se sublinham as suas qualidades, isso representa, a contrario, a óbvia qualificação da alternativa que está no terreno?

Questão simples

Pessoa "honesta e educada" é como Cavaco Silva qualifica António José Seguro. Quanto se anuncia o voto num candidato e se sublinham as suas qualidades, isso representa, a contrario, uma óbvia qualificação da alternativa que está no terreno?

Um cheirinho de goibada


Ficará para a ciência política, com a distância do tempo, refletir um dia sobre as razões pelas quais um eleitorado que tinha dado uma maioria absoluta ao Partido Socialista alterou, num prazo que foi curto, o sentido do seu voto e veio a entregar o poder a uma direita sem um especial carisma. 

Pelo meio, claro, ficaram algumas trapalhadas, bastantes erros e o dedo não inocente de certas instituições. Mas isso não justifica tudo e são contas de outro rosário. 

Para o que aqui nos interessa, a reversão radical da vontade popular foi profunda. E foi assim que, embora sem uma força expressiva, a direita chegou a S. Bento. 

O Partido Socialista ficou isolado, tanto mais que as forças à sua esquerda acentuaram a sua própria irrelevância. Também a nova liderança do PSD logo cuidou em marcar distância, entendendo qualquer aproximação ao PS como tóxica para a nova correlação de forças. Com a extrema-direita e a direita radical-liberal a ajudarem à festa, os socialistas perceberam que estavam em pousio político. E, claro, vão confiando, como Camões dizia, que "atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir". 

Entretanto, o país virou à direita. Para esse hemisfério político, ajudado por alguma comunicação social complacente, que cavalga as audiências, as perceções e o culto do escândalo, a culpa do estado das coisas é, claro, o "socialismo". 

O "socialismo" é tudo: é Sócrates e os cifrões, é Costa e o lugar europeu, é Pedro Nuno Santos e as viúvas da Geringonça, até chegar a José Luís Carneiro, sobre o qual o dossiê de culpas ainda é magro, mas, com tempo, lá iremos. Pelo meio, surge ainda a memória de Mário Soares, o tal que "entregou o Ultramar", e de Sampaio, culpado por ter enviado Santana Lopes a banhos para o areal da Figueira. E outros, vivos ou mortos, porque "se não foste tu foi o teu pai". 

Acuados pelo crescente horror público ao conceito, alguns socialistas logo se refugiaram no rótulo de sociais-democratas, último abrigo semântico até que a tempestade passe. (É o equivalente ao centro-direita, do outro lado do espetro). Mas isso não os livra de continuarem encharcados pela tempestade diabolizante. Hoje existe mesmo um grande país contra o "socialismo", não vale a pena esconder - e só o facto de eu ter usado aspas é a prova de que muita coisa mudou. 


O caminho para Belém 

Estas presidenciais vão ser um belo barómetro. 

Perante o óbvio "embarras du choix" dentro do Partido Socialista, António José Seguro avançou. Muitos socialistas de carteirinha franziram o sobrolho. Outros suspiraram de alívio: graças a Seguro, e só a ele, o PS, sem precisar de avançar com ninguém, tinha na liça um seu nome. 

Curiosamente, era alguém que nada tinha ver com a liderança da última década, muito menos com o socratismo, cujo grupo parlamentar, que herdara em 2011, quando lhe caiu nos braços um partido em frangalhos, lhe infernizara a chefia. Seguro foi acusado, por alguns setores do PS, de ter sido complacente com a direita que se tinha coligado com a Troika. Como se acaso tivesse sido ele quem assinou o "memorando de entendimento", que recebera como presente envenenado. (Não, não me venham com o PEC IV!). 

No mundo dos socialistas sem aspas, Seguro é um social-democrata. Muita direita decente percebeu isso, no instante após a primeira volta presidencial, não hesitando em nele recomendar o voto. Só uma direita trauliteira e mentirosa, que parte do princípio de que vivemos num país de imbecis, é que tem o desplante e a falta de decoro de o acusar de radicalismo, de estar preso a rabos de palha ideológicos, de ser uma espécie de "cavalo de Tróia" dos "socialistas" - e aqui voltam as aspas. 


E o Brasil? 

Por esta altura, o leitor deve estar a estranhar o título que dei a este texto. A explicação é simples. 

No Brasil de hoje, o ministro das Finanças chama-se Fernando Haddad. Tinha sido um excelente ministro da Educação de Lula, depois de uma carreira académica prestigiada. Em 2018, Haddad foi escolhido pelo PT para seu candidato presidencial. Lula estava preso, o Brasil vivia em polarização política extrema. 

A direita brasileira não tinha conseguido produzir um candidato que, simultaneamente, tivesse uma "ficha limpa" no plano ético e fosse mobilizador. E foi então que, das catacumbas dos saudosos da sinistra ditadura militar, surgiu uma figura primária, com um discurso populista, uma caricatura do pior que a direita brasileira conseguira decantar. 

E, de um dia para o outro, mais de metade do Brasil se entregou nas mãos de um demagogo incompetente, negacionista face à pandemia, que se aliou a setores militares para um golpe que lhe assegurasse o poder, depois de Lula o ter recuperado nas urnas. O mundo riu-se do ridículo da escolha do Brasil, mas foram os brasileiros quem a teve de suportar. 

Nem Ventura é Bolsonaro, nem Seguro é Haddad. Contudo, e uma vez mais, com alguns a colocarem-se numa "neutralidade colaborante", a acusar o "socialismo" (voltam as aspas) e o perigo do seu regresso montado nessa perigosa figura que é Seguro, subsiste o risco da insanidade poder levar o país a uma tragédia. 

Em tempos de chumbo, Chico Buarque pedia "um cheirinho de alecrim", levado de Portugal. O dias de hoje são menos sombrios, mas nunca fiando. Por isso, do Brasil que, pelo voto, conseguiu esconjurar a ameaça da extrema-direita, apetece-me receber um cheirinho de goiabada.

(Artigo hoje publicado na edição on-line do jornal "Expresso")

domingo, janeiro 25, 2026

Ambiguidade

Corre por aí um modelo para ninguém perder a face na questão da Gronelândia. 

Os EUA obteriam a propriedade das bases no território, o qual manteria o seu estatuto perante a Dinamarca. 

Trump diria que "adquiriu" território, Copenhague preservaria o essencial do "status quo". 

Chama-se a isto ambiguidade diplomática. Será possível?

Seguro, Rushdie e eu


Um dia de julho de 1993, na embaixada de Portugal em Londres, recebi um telefonema de António José Seguro. Não o conhecia pessoalmente, apenas sabia que era o líder da Juventude Socialista.

Seguro queria falar com o embaixador António Vaz Pereira. Expliquei-lhe que, estando ele em férias, era eu, como ministro conselheiro, quem chefiava a embaixada.

Explicou-me estava a organizar a vinda a Portugal de Salmon Rushdie, o escritor que, ao publicar o livro "Versos Satânicos", provocara, anos antes, a ira do fundamentalismo religioso iraniano, que sobre ele decretara uma "fatwa", uma decisão que estimulava os muçulmanos shiitas radicais a ajudarem à sua liquidação, onde quer que ele estivesse. Vivia sob ameaças constantes de morte, sob proteção policial, viajando frequentemente sob nome falso.

Seguro disse-me que a Juventude Socialista estava a organizar, no Porto, um congresso mundial das Juventudes Socialistas, sendo Rushdie o seu convidado principal. A temática da liberdade de expressão e criação estaria no centro do congresso. O próprio presidente da República, Mário Soares, ir-se-ia encontrar aí com Rushdie.

O acolhimento e a segurança de Rushdie em Portugal estavam totalmente assegurados. Ele próprio estava a articular o assunto com o comandante-geral da PSP, general Monteiro Pereira. Era uma operação com alguma delicadeza, atendendo às ameaças que impendiam sobre o escritor. O futuro veio a provar o bom fundamento dessas preocupações.

Por que me estava a telefonar? Porque a viagem de Rushdie, que viajaria sob um outro nome, como era sabido pelas autoridades britânicas que o protegiam, estava a encontrar algumas dificuldades no balcão da TAP, em Londres, como lhe fora comunicado por parte das pessoas que ajudavam o escritor. A organização pretendia assim obter um contacto com alguém responsável no escritório da companhia, com quem pudessem tratar diretamente o assunto, de forma personalizada e discreta. Seria possível obter-lhes esse contacto?

Claro que era. Falei com o delegado da TAP em Londres, expliquei em linhas gerais o assunto e perguntei se podia dar o seu contacto a Seguro. Não meti nenhuma "cunha", nem pedi que fizessem nada de especial. Nem eu sabia se aquilo que os amigos de Rushdie pretendiam da TAP era possível ou não. A companhia que ajuizasse, depois da conversa. E, com a anuência deste, passei o número de telefone do delegado da TAP ao líder da JS. 

E esqueci o assunto. Pelos jornais, dias depois, vi que Rushdie tinha ido ao tal encontro no Porto, de cuja notícia encontrei agora esta curiosa imagem.

Pensava eu que o assunto estava encerrado até que, dias depois, de Lisboa, sou informado que tinha sido ordenado, contra mim, a pedido do gabinete do primeiro-ministro, um inquérito por alegada "pressão" feita junto da TAP, num caso que tinha contornos de afetar a "segurança nacional". Liguei de imediato ao homem da TAP, que me deu a sua palavra de honra de que nada nesse sentido tinha dito a Lisboa. Aliás, como é sabido, as embaixadas não têm a menor autoridade sobre as delegações da companhia, com as quais apenas o bom senso manda que haja as melhores relações.

O tom de Lisboa era "grave e sério", como o Rui Veloso cantava no "Porto Sentido". E o MNE da época, numa subserviência face àquilo que emanasse de S. Bento, ali estava, a "tirar-me satisfações". Que devo ter dado, ao meu estilo, que costumava ser algo irónico e não muito suave, como pelas Necessidades era sabido. E o assunto terá morrido, no vazio da sua óbvia irrelevância. Ah! "For the record": o primeiro-ministro de então chamava-se Cavaco Silva.

Menos de dois anos e meio depois, vim finalmente a conhecer, em pessoa, António José Seguro. Foi na nossa comum tomada de posse como secretários de Estado do governo de António Guterres.

Já passaram mais de vinte anos e não me lembro se alguma vez, nas muitas conversas que tive entretanto com António José Seguro, lhe referi este incidente. Agora, esse ensejo é cada vez mais improvável. É que se o país tiver um módico de senso, ele vai ter mais que fazer nos próximos anos. Com Cavaco Silva e eu a votar nele, claro.

EUA

A informação nos EUA está tão polarizada que é difícil obter dados independentes sobre o caso que ocorreu no Minnesota. Menos sobre os factos, mais sobre o seu real impacto na opinião pública e eventuais consequências políticas. A CNN diz uma coisa, a Fox diz outra. Como olharão os americanos estas informações contraditórias? Qual é o "saldo" disto? Ficam ao lado de Trump, ficam contra ou a vida continua?

sábado, janeiro 24, 2026

Alain

Nunca li nada de Émile-Auguste Chartier, que usava o pseudónimo de Alain, salvo citações. Gosto desta: "Quand quelqu'un me dit qu'il n'est ni de droite ni de gauche, je sais que c'est un homme de droite". Isso é dos anos 30, dirão alguns. Ao que eu respondo: estão aí a chegar...

Ai! Leão

Como sportinguista, PSG e quejandos não me preocupam nada, "comemo-los a todos". Já o Arouca ou o Cascalheira põem-me nervoso. E, como se viu, eu tinha razão...

Ai! América


Pelo modo como andam as coisas nos EUA, não nos admiremos se, um destes dias, um governador de Estado receber voz de prisão. Pode ser uma teoria da conspiração, mas há quem diga que a indução de um crescente ambiente de tensão seria pretexto para Trump impor um estado de exceção.

Kultura

Dizem-me que há uma lista dos nomes da cultura que apoiam o candidato que se opõe a Seguro. Mas que está em segredo, porque os próprios não querem aparecer a público, porque assim a família iria saber...

América

Como é natural, damos maior atenção aos impactos externos da administração Trump. 

Contudo, há dias, um amigo americano anti-Trump só me falava, muito preocupado, da clivagem violenta que a América atravessa, como em Minneapolis, da rutura dos "checks and balances". 

Para ele, a Gronelândia é um "fait divers".

Cada um vê o mundo do lugar onde está.

Um mínimo

Não apelo a uma política de canhoneira, nem sequer a um ato de grande visibilidade pública, mas há um mínimo de reação que Portugal deveria ter (sem se esconder atrás de posições coletivas) junto dos EUA, em face do insulto à memória os nossos soldados mortos no Afeganistão.

A mesma luta

Um grupo de proeminentes cidadãos "não-socialistas" declara apoio a António José Seguro. 

Não o apoiaram na primeira volta, mas, perante a alternativa, escolhem-no para o exercício da função presidencial. 

Quero deixar claro que, se acaso tivesse sido Marques Mendes a passar à segunda volta, este socialista estaria a assinar uma lista semelhante.

Gaza 2030

Peter de Wit

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...