sábado, 28 de fevereiro de 2015



Epígrafe

De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.
 
De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso   a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.
De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro   quando as digo.
 
Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
-- expressão da multidão que está comigo.

José Carlos Ary dos Santos

9 comentários:

Anónimo disse...

Que falta nos faz,esse que foi o grande domador das palavras
CC

Anónimo disse...

É o fim deste blogue? Finalmente! Que deus o guarde.

Francisco Seixas da Costa disse...

O Anónimo das 18.08 é das "novas oportunidades": confunde epígrafe com epílogo.

Alcipe disse...

Esse queria ja fazer-te o epitáfio....

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Alcipe. Já outros tentaram, como sabes. E, mesmo metendo cunhas, não conseguiram. Abraços.

Anónimo disse...

O anónimo das 18 horas deve ser dos que confundem as epístolas com as mulheres dos apóstolos ou o género humano com o Manuel Germano.Aqui lhe deixo o meu RIP (Requiescat in pace).

Francisco Seixas da Costa disse...

Como o fabiano das 18 e picos escreveu Deus com minúscula, deve ser filho de um "deus" menor...

Anónimo disse...

Padre António Vieira

" Nenhum segue mais leis que as da conveniência própria. Imaginar o contrário é querer emendar o mundo, negar a experiência e esperar impossíveis."

Correia da Silva disse...


O anónimo das 18.08, pretende adquirir um sobretudo de madeira, para se defender do frio que ainda se faz sentir.